Por João Antônio Johas - Jovens de Maria Em Crescendo na Fé Atualizada em 26 SET 2017 - 14H58

A família que Deus escolheu para os seus consagrados

Talvez pensemos que a vida consagrada seja um tanto solitária, já que renunciando ao matrimônio, se renuncia também ao grande bem de constituir uma família, ter filhos, educa-los, enfim, se renuncia a essa vivência amorosa que é muito profunda e que constitui para muitos o valor fundamental da vida, o sentido mais profundo da existência. Mas porque é, então, que ainda hoje, em um mundo cada vez mais secularizado e afastado de Deus, alguns ainda insistem em deixar tudo e seguir o Senhor mais de perto? O que eles ganham com isso? O que nos diz Jesus sobre os que deixaram tudo e o seguiram?

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O apóstolo Pedro, surpreendido com o que Jesus disse sobre a dificuldade de entrar no Reino por aqueles que estão apegado as riquezas, exclama: “Eis que deixamos tudo e te seguimos”. Ao que Jesus responde: “Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, Que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna”. (Mc 10, 28-30)

Essa promessa de Jesus é muito bonita porque promete não apenas uma vida feliz no céu, junto a Deus, mas já aqui na terra: “Que não receba cem vezes tanto”. Olhando de uma perspectiva econômica, que investimento pode render tanto? Mas aqui não estamos falando de dinheiro, mas da vida de pessoas concretas, que são muito mais importantes que qualquer quantia de dinheiro. E é bom levar em consideração que quem promete nunca defrauda.

A vida consagrada não é solitária, mas comunitária. Se por um lado não é fácil renunciar aos bens que Deus pede, e que são verdadeiros bens, como a convivência mais próxima com a família, por outro lado vive-se em uma comunhão muito profunda com Deus e, a partir dele, com os irmãos. A missão apostólica a qual Deus convida seus consagrados é também um fator unificante. Juntos eles trabalham por transformar a realidade que lhes foi confiada, buscando que ela seja cada vez mais conforme ao Senhor Jesus.

 

O ideal da vida comunitária não é uma uniformidade, mas uma unidade na diversidade. 

Não é que seja tudo fácil em todos momentos. A vida comunitária, assim como a vida familiar, possui seus desafios. As diferentes personalidades, opiniões e modos de ser não desaparecem quando entramos na vida comunitária, mas, de maneira similar a uma família, o amor que tem Cristo no centro, permite que as diferenças não atrapalhem a convivência, mas pelo contrário, faz com que elas manifestem a riqueza particular que Deus colocou em cada um dos irmãos. O ideal da vida comunitária não é uma uniformidade, mas uma unidade na diversidade. Unidade fundamentada sempre no amor de Deus.

No fundo, Deus quer que todos seus filhos se unam em uma só família, a família de Deus. Esse lugar só será pleno quando vivamos na Glória, depois da segunda vinda de Jesus. Mas já hoje vivemos as primícias desse Reino na Igreja, que com todas os diversos carismas, e também com suas dificuldades, caminha nessa terra com a única intenção de fazer crescer a semente desse Reino de Deus. Ninguém deveria experimentar-se solitário dentro da Igreja, porque somos todos um mesmo corpo, cuja cabeça é o próprio Cristo.

Os consagrados resolveram apostar pelo chamado de Cristo que os promete um amor maior do que podem imaginar. Resolveram dar uma chance, um salto de fé que as vezes parece maior do que se pode humanamente dar. Confiados unicamente na bondade daquele que os chama, percebem que o seu coração não poderia viver com a tristeza do jovem do evangelho, que não conseguiu dar esse passo. E sabem que do outro lado não está a solidão, mas o caminho para a verdadeira e plena comunhão.


Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas - Jovens de Maria

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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