Por João Antônio Johas Leão Em Crescendo na Fé Atualizada em 03 ABR 2019 - 14H51

Como fazer durar a alegria pascal?

Pode acontecer que passadas as celebrações do Tríduo Pascal, depois de momentos de muita alegria e comunhão, ao voltar para o nosso dia a dia, percamos pouco a pouco aquele ardor, ou aquele sentimento que experimentamos tão fortemente e que nos inspirou um amor maior pelo Senhor, pela santidade. Porque será que isso é assim? Não deveríamos sentir sempre o amor de Deus, e a Deus, fortemente em nosso coração?

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Quando o Senhor, antes de sofrer sua paixão, levou Pedro, João e Tiago para o alto de um monte e se transfigurou na presença deles, certamente, os discípulos tiveram uma experiência muito boa. Prova disso é que Pedro em um momento diz: “Senhor, é bom estarmos aqui, armemos três tendas, uma para Moisés, outra para Elias e uma para você”. Pedro queria permanecer ali, e realmente deve ter sido uma experiência única e impressionante ver o corpo glorioso de Jesus, é o que vamos ver no Céu. Em outras palavras, os três discípulos tiveram uma antecipação do céu. Não podemos condená-los por quererem ficar por lá.

Talvez, no tríduo Pascal, Deus nos tenha permitido viver uma experiência espiritual intensa, dessas que gostaríamos de ter sempre, de viver sempre assim. Mas assim como os discípulos que não puderam ficar no alto do monte com Jesus transfigurado, porque tinham uma missão para cumprir, também nós temos que descer do monte, voltar ao mundo do nosso dia a dia e estar conscientes de que, enquanto peregrinamos nessa terra, não experimentaremos o Céu continuamente. Aqui embaixo existe a dor, o sofrimento, a violência, realidades que somos chamados, como cristãos, a fazer a nossa parte por melhorar.

Mas, voltar ao nosso dia a dia não significa esquecer o que vimos.

Na verdade, o testemunho que precisamos dar é justamente daquilo que vimos e ouvimos, em outras palavras, é um testemunho em primeira pessoa, de quem se encontrou com o Senhor Jesus e, nEle, o sentido da própria vida. Se Deus nos permite essas experiências de encontros pessoais com Ele, é porque também de maneira muito pessoal precisamos anunciar a esse Deus.

 

A dor não apaga o fogo do amor, nem o fogo do amor retira a espada.

Por último, é bom lembrar que as nossas experiências espirituais não se resumem a sentimentos apenas. Os sentimentos vão e vem, em um momento estamos tristes, mais tarde podemos estar alegres. Mas o que experimentamos nos Tríduo é um acontecimento! Jesus ressuscitou, abrindo as portas do céu para mim e para você. E isso não muda, mesmo que não o esteja sentindo nesse momento. E assim podemos manter a alegria Pascal durante o ano todo, mesmo que estejamos passando por algum momento de dor.

Se olhamos para o coração imaculado e doloroso de Maria, podemos ver que no fundo, alegria e dor não são duas realidades tão distantes assim. Ao mesmo tempo que em seu peito arde uma chama muito forte de amor a Deus, uma espada atravessa o seu lado. A dor não apaga o fogo do amor, nem o fogo do amor retira a espada, mas lhe dá sentido e esperança de um dia viver eternamente com Deus, na Páscoa sem fim, na felicidade plena, no céu.


Escrito por
João Antonio Johas Leão (Arquivo pessoal)
João Antônio Johas Leão

Licenciado em filosofia, mestre em direito e pedagogo em formação. Pós-graduado em antropologia cristã e entusiasta de pensar em que significa ser cristão hoje.

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