Por Pe. Leandro Luís Em Crescendo na Fé Atualizada em 08 FEV 2018 - 10H19

Gastar os dias em prol dos redimidos

A vida humana é, sem dúvida, um constante desgaste. Se notarmos bem, logo que nascemos começamos a nos desgastar e morrer. Qual, então, seria o sentido, a motivação, o incentivo para que nos desgastemos? Responder a esta pergunta é uma das tantas urgências nossas, pois uma boa resposta condiz com uma boa humanidade.

Deus se fez homem e habitou entre nós. Jesus é a face resplandecente do “Deus Amor”. Para saber como Deus é e age, basta-nos aproximarmo-nos de seu Filho Jesus. Basta-nos conhecermos a Jesus e praticarmos o que realizou. Ninguém melhor que o nosso único Salvador e Senhor para nos ensinar a sermos imago Dei, imagem de Deus.

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Em sua vida pública, Jesus de Nazaré sempre buscou viver a missão que o Pai lhe confiou: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). O trabalho de Jesus revela a sua missão: servir para que todos cheguem ao Pai. As curas, as palavras, os ensinos, sua acolhida e presença no meio dos pobres e marginalizados, seus momentos de oração, as crises existenciais às quais se submeteu, expressam-nos um convite a sermos promotores de vida a nos desgastarmos pelos irmãos e irmãs.

Entender essa entrega e esse desgaste é se sujeitar a nadar contra a corrente do egoísmo e da autossuficiência, da mesquinhez e da falsidade, da arrogância e do fechamento. Essas são posturas que a sociedade atual nos prega. Corremos o risco de nos deixarmos ser consumidos por essa pregação. O que fazer? Aparentemente, estamos sem saída.

 

Jesus nada mais fez que sempre sair de si e buscar se encontrar com o outro ao seu redor. 

Talvez a iniciativa da superação desses contra valores dependa da SAÍDA. Sair é o caminho. Deixar as acomodações pessoais e se pôr a caminho, ou seja, se pôr em direção ao outro ser humano necessitado de nosso desgaste por ele.

Jesus nada mais fez que sempre sair de si e buscar se encontrar com o outro ao seu redor. Não é uma tarefa simples, cuja receita está pronta, é preciso descobrir a alegria do evangelho no gesto concreto de caminhar. A cada passo dado, um novo aprendizado. A cada passo assumido com vigor, uma nova motivação se atinge.

Contudo, a cada passo omitido, perde-se a chance de crescer e de ser gente, de fazer o outro crescer e se humanizar, de nos humanizar também. A cada passo retroagido, dado para trás, nos afastamos de nossa essência: amar o próximo como a nós mesmos.

Como agir então?

Os que se contentam com a possibilidade de ficar parados, estagnados e acomodados não experimentam a alegria que motivou Jesus em seu próprio caminho. Ele quis nos ver todos felizes e renovados. Para isso acontecer, Ele não ficou esperando sentado ou de braços cruzados os resultados de sua intenção. Ele agiu! Toda ação, com reta intenção e discernimento na oração, sustentam a resposta daquela pergunta inicial deste texto.

Em cada gesto concreto para com os necessitados, para com os doentes, na direção dos carentes, pelos pobres e pelos desesperançados, com os humildes, com os jovens, pelas crianças, junto com os idosos, na presença dos nossos familiares, e tantos outros que sofrem, vemos se desvelar a CARIDADE.

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Caridade é o amor de Deus elevado à infinita potência. Deus é Caridade, ou seja, Deus é amor. Este tempo quaresmal é oportunidade de encontro com Deus, que é amor.

A entrega nos faz mais humanos e, ao mesmo tempo, mais santos. Santidade não é um ideal, mas uma realidade. Ela se assemelha à camiseta que ganhamos e que nos serve certinho, sem precisarmos ajustá-la. Ser perfeito não faz parte da vida humana. Temos que tomar cuidado com essa ideia falsa de ser gente santa. Ela não permite os erros. Errar e reconhecer o erro é o passo necessário para crescer e amadurecer na fé, no convívio social e familiar.

Só Deus é perfeito. Não somos deuses. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Sempre que lutamos pelo bem alheio, sempre que fizemos felizes os infelizes, vemos a perfeita ação de Deus a sustentar e animar a nossa fraqueza humana.

Não deixemos passar a chance de gastar os nossos dias, as nossas poucas horas, pelos que precisam de nós. Se cada pessoa entender isso, quando ela mesma precisar de ajuda, encontrará. O pouco que fazemos é capaz de mudar o outro e de nos modelar e mudar também. Cristo se desgastou por nós e na cruz, ao morrer, nos redimiu. São os desgastes cotidianos as provas da misericórdia de Deus.

Santa quaresma a todos! Vivamos nossas cruzes com a mesma força e sentido. Se assim for, ela nos parecerá mais leve.


Escrito por
crescendo na fé revista jovens de maria
Pe. Leandro Luís

Padre na Arquidiocese de Pouso Alegre

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