Crescendo na Fé

Oração e sacrifício: Qual o convite de Deus quando achamos contrastes entre seus planos e os nossos?

Cankin Ma 2020 (arquivo pessoal)

Escrito por Cankin Ma Lam

25 NOV 2020 - 09H41

shutterstock jovem rezando (shutterstock)


Há uma imagem do Evangelho que eu acho particularmente misteriosa. Lucas, ao relatar a Boa Nova de Jesus Cristo, em várias ocasiões descreve a cena de Jesus rezando enquanto os discípulos se encontravam como que ao redor Dele. Vejamos um trecho particularmente expressivo: "certa vez, quando Jesus estava orando a sós, não tendo ninguém Consigo senão os discípulos, fez-lhes esta pergunta..." (Lc 9,18).

Leia MaisPor que muitas vezes a oração é motivo de luta?À primeira vista, parece contraditório dizer que "Jesus estava orando a sós" e, logo depois, que tinha consigo os discípulos. Na verdade, o trecho faz pensar em como Jesus quer que participemos do seu diálogo com Deus Pai. No fundo, nossa vida de oração é isso: olhar para Cristo e Nele entrarmos em comunhão com o Pai.

Numa situação muito parecida, Lucas relata um momento-chave do ministério de Jesus: a oração que Ele deixou e que foi entregue ao longo dos séculos até chegar a nós: o Pai Nosso. "Jesus estava rezando em certo lugar. Quando terminou, disse-Lhe um de seus discípulos: 'Senhor, ensina-nos a rezar, como João ensinou a seus discípulos'. E Ele lhes falou: 'Quando rezardes, dizei: Pai...' " (Lc 11,1-2).

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Pois bem: o que tem a ver Jesus rezando e o Pai Nosso com o tema proposto hoje?

Tomemos a explicação exposta no Catecismo (nº 606), ao falar sobre como "Cristo ofereceu-Se a Si mesmo ao Pai pelos nossos pecados":

"O Filho de Deus, 'descido do céu, não para fazer a sua vontade mas a do seu Pai, que O enviou' (Jo 6,38), diz, ao entrar no mundo: ‘[...] Eis-Me aqui, [...] ó Deus, para fazer a tua vontade. [...] E, em virtude dessa mesma vontade é que nós fomos santificados, pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, feita de uma vez para sempre' (Hb 10,5-10). Desde o primeiro instante da sua Encarnação, o Filho faz seu o plano divino de salvação, no desempenho da sua missão redentora: 'O meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que Me enviou e realizar a sua obra' (Jo 4,34)".

Há ocasiões nas quais achamos que o que Deus nos propõe foge do que realmente buscamos. Pois bem: Jesus nos ensina a manter os olhos fixos na meta que nos é proposta (Hb 12,1-2). Na verdade, Ele nos insere num relacionamento com o Pai, de forma a percebermos que o máximo bem que podemos encontrar está na Sua vontade amorosa.

Claro, quando a coisa aperta, não fica tão fácil olhar dessa forma. Mas um nutrido e íntimo relacionamento com o Pai nos levará com naturalidade a afirmarmos junto de Cristo: "O meu alimento é fazer a vontade d'Aquele que Me enviou e realizar a sua obra" (Jo 4,34). O sacrifício e a oração serão participação do sacrifício e oração de Cristo, Que é "imagem do Deus invisível, primogênito de toda criatura" (Col 1,15).

Escrito por
Cankin Ma 2020 (arquivo pessoal)
Cankin Ma Lam

Nascido no Equador, filho de pai chinês é apóstolo de plena disponibilidade no Sodalício de Vida Cristã. Atualmente faz caminho ao sacerdócio e estuda teologia na Universidade Católica de Petrópolis.

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