Por João Antônio Johas - Jovens de Maria Em Crescendo na Fé Atualizada em 03 ABR 2019 - 14H48

Por que os apóstolos seguiram Jesus?

Em uma das passagens do Evangelho que mostram Jesus chamando alguém para ser seu discípulo, encontramos:

“Então, disse-lhes Jesus: “Vinde após mim, e Eu vos farei pescadores de homens. Eles, imediatamente deixaram suas redes e seguiram Jesus.” (Mt 4,19-20)

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O “imediatamente” aqui chama atenção. Como assim se deixa de fazer o que se faz para ganhar a vida para seguir alguém que não se conhece muito bem? Poderíamos estar diante de uma atitude precipitada dos futuros discípulos?

Sabemos que a resposta é negativa. Mas ainda assim vale a pena meditar sobre o assunto.

O que é preciso para que possamos confiar totalmente nossa vida a Deus que nos chama a segui-lo? Como deve ter sido esse olhar e esse chamado de Jesus que interpelou cada um dos chamados?

Diante de tantos escândalos nos dias de hoje, de tanta mostra de corrupção e de falsidade, como podemos ver os sinais dos caminhos por onde podemos confiar que estamos seguindo o Senhor? Não é uma tarefa fácil e nem é uma fórmula mágica.

Cada discípulo tinha sua história pessoal, suas lutas e dificuldades. Mas ao avistar Jesus, por graça de Deus puderam adiantar com sua atitude aquela frase que mais tarde dirá São Paulo:

“Compreendo que tudo é uma completa perda, quando comparado à superioridade do valor do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem decidi perder todos esses valores, os quais considero como esterco, a fim de ganhar Cristo. ” (Fl 3,8)

E esse encontro com o Senhor somos todos chamados a ter. Podemos de verdade estar em comunhão com Ele e escutar seu chamado para uma Vida Nova, uma Vida Santa como nos exortou o Papa Francisco em sua nova exortação apostólica “Gaudete et Exsultate”.

Por que a decisão deles não foi precipitada?

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O que faz que não seja uma resposta precipitada dos apóstolos é justamente que seja o Senhor Jesus que esteja chamando. Com qualquer outra pessoa, diríamos que não se pode tomar uma decisão louca dessas. Imagina, deixar aquilo que te sustenta para perseguir algo menos seguro. Ninguém faz isso.

Em nossa vida atual, a questão continua sendo a mesma. Diante das escolhas da vida, a única pergunta que devemos realmente responder é a seguinte: “O que estou fazendo ou quero fazer, responde ao que o Senhor me convida ou não”? Colocar a pergunta é mais fácil do que a responder, mas que seja difícil, não quer dizer que não seja o melhor caminho.

O salmo primeiro fala de dois caminhos, o da vida e o da morte. O salmista nos convida a escolher a vida. Ou seja, ele nos convida, a escolher Jesus, que disse de si mesmo ser a própria Vida. Tudo isso sabemos em abstrato. Aprendemos no catecismo e até repetimos se alguém quiser conhecer a nossa fé. E é muito bom que assim seja.

Mas quando isso que sabemos se faz vida concreta (e é aí que importa mesmo), as coisas não aparecem mais tão claras. Então é preciso discernir, confiar, rezar. Tudo para estar na sintonia com o Senhor, para poder servi-lo como Ele nos quer.

Os apóstolos seguiram Jesus porque enxergaram nele algo mais.

Algo que percebiam de valioso para suas vidas. Experimentavam, mesmo sem saber a princípio, a presença de Deus naquele homem. E é exatamente esse mesmo motivo que também nos faz a nós, no século XXI, seguir Jesus.

Se o seguimos porque nascemos em uma cultura cristã, ótimo, se o seguimos porque é uma pessoa que fez o bem, ótimo também. Mas somente se em algum momento das nossas vidas passamos a segui-lo porque ele é Deus, somente então poderemos dizer que não fizemos uma opção precipitada. Somente aí é que apostaremos todas as nossas fichas, arriscaremos tudo. Porque Ele é, de verdade, o único que pode cumprir com as promessas de vida eterna que tanto desejava o coração dos apóstolos e tanto deseja os nossos corações.

Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas - Jovens de Maria

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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