Por João Antônio Johas Leão Em Crescendo na Fé Atualizada em 19 DEZ 2019 - 12H21

Somos todos iguais na batalha de Deus?

Podemos entender a vida cristã como uma batalha. É uma boa analogia porque, no campo de batalha, assim como na vida cristã, existe um objetivo pelo qual lutamos, existem aliados, inimigos, dificuldades externas (como um terreno difícil) e internas (como uma traição). Comandantes e generais atuam ao seu modo, juntamente com os cabos e soldados da primeira linha de combate para chegar onde se deseja. No calor do momento, o que importa é conquistar o objetivo - e muitos dão a vida por isso. Existem diferentes papéis, mas que estão unidos por uma mesma missão.

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Em um cenário assim, idealizado, podemos entender que cada um tem seu lugar e que é importante para que se conquiste a desejada vitória. Mas, seguindo a analogia, o que acontece muitas vezes é que o soldado se questiona porque não é general, porque gostaria de estar na linha de frente. O da linha de frente, por sua vez, pensa que o general está bem confortável longe da batalha e que ele é o verdadeiro herói dessa guerra.

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Indo agora para a vida cristãNão era mais ou menos isso que os discípulos de Jesus discutiam quando se perguntavam quem entre eles seria o maior?

Que existem diferentes papéis a desempenhar é evidente. Podemos nos lembrar da famosa passagem em que Paulo descreve os diferentes dons: “Na Igreja, Deus constituiu primeiramente os apóstolos, em segundo lugar os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que têm o dom dos milagres, o dom de curar, de socorrer, de governar, de falar diversas línguas. São todos apóstolos? São todos profetas? São todos doutores? Fazem todos milagres? Têm todos a graça de curar? Falam todos em diversas línguas? Interpretam todos”? (1Cor 12, 27-30). Porque ficamos às vezes insatisfeitos com o nosso lugar?

Uma resposta fácil seria: É que não entendemos que todos os papéis são igualmente importantes e, como somos vaidosos e queremos ser vistos como os melhores, buscamos os primeiros lugares, onde possamos certamente fazer o bem, desde que esse bem seja algo importante aos olhos de todos. É uma resposta que, ao meu ver, mistura elementos verdadeiros com outros que não são tão cristãos assim. Como assim? A resposta está em ser mais servidor de todos e não em buscar os primeiros postos. 

É que nem todos os papéis são igualmente importantes. Essa é uma afirmação que pode parecer dura, mas me resulta evidente quando, por exemplo, comparo a minha missão com a da Virgem Maria, por exemplo. Não resta dúvidas de que a dela é muito superior à minha. Tanto que eu entendo meu papel nessa batalha como uma cooperação com o papel dela. No campo de batalha, seria insensato que o soldado da linha de frente pensasse que seu papel fosse mais importante do que o do general.

Shutterstock/ View Apart
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Isso não significa, no entanto, dizer que o soldado seja menos digno, como pessoa, que seu superior. A minha dignidade é que Cristo derramou seu sangue na Cruz por mim, assim como o derramou para Maria e para toda a humanidade. Mas a missão dela é maior do que a minha; seu sim, maior do que o meu e modelo para a minha própria resposta ao Plano de Deus.

Aqui poderíamos questionar por que Deus coloca esse aqui e aquele outro lá. Quais são os critérios? Porque distribui tantos talentos a uns e tão poucos a outros? Como saber se estamos no lugar certo ou não? Isso tudo é um mistério realmente e, talvez, a nossa insatisfação venha justamente porque não gostamos de não saber tudo. Podemos entender alguns aspectos, ver que tal pessoa é boa para isso ou aquilo, mas sempre teremos uma visão parcial com o nosso pequeno entendimento humano. Uma visão que comumente se mostra equivocada. Somente quando estivermos todos cara a cara com o Senhor, é que entenderemos melhor os seus desígnios. Mas precisamos confiar que Ele governa tudo com sua infinita sabedoria e misericórdia.

Independentemente da batalha que lutamos, estamos todos unidos em uma mesma missão. A missão de fazer com que Cristo reine nos corações dos homens. E quanto mais fiéis formos àquilo que o Senhor nos encomenda, mais frutos ele poderá tirar das nossas ações, sejam elas grandes ou pequenas. É bom lembrar que o Senhor não condena os discípulos por quererem o primeiro lugar; simplesmente lhes diz que quem quiser ser o primeiro, que seja o último.

Existe em você um desejo por fazer mais? A resposta está em ser mais servidor de todos e não em buscar os primeiros postos. Essa é a grande aventura da vida cristã, que nos exige pensar de maneira completamente oposta ao que se pensa no mundo.

Escrito por
João Antonio Johas Leão (Arquivo pessoal)
João Antônio Johas Leão

Licenciado em filosofia, mestre em direito e pedagogo em formação. Pós-graduado em antropologia cristã e entusiasta de pensar em que significa ser cristão hoje.

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