Por Elígio Junior Em Dica de Cinema Atualizada em 26 SET 2017 - 15H37

Dica de Cinema: Divertida Mente

Imagine como seria se pudéssemos ver, dentro de nossas próprias mentes, o processo de formação de nossos sentimentos! E se pudéssemos ser espectadores e assistir ao complexo trabalho de conexões e sinapses realizado a cada instante por nossos cérebros?

Se essas indagações aguçaram sua curiosidade, então corra e assista a Divertida Mente, longa metragem dos estúdios Pixar (Disney) que já eram famosos pela maneira inovadora de contar histórias metamorfoseadas, mas, que desta vez, conseguiram alcançar seu ápice em técnica narrativa.

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Após um período de poucas ideias criativas e fracos lançamentos, apostou-se na competente direção de Perte Docter (Monstros S.A.e UP – Altas Aventuras) que conseguiu recolocar a Pixar no Panteão das casas de inspiração, com um roteiro inédito, poderosíssimo e diferente de tudo que a própria empresa havia feito até então.

No longa, acompanharemos a jornada da menina Riley, desde seu nascimento até o primeiro evento realmente traumático de sua vida: a mudança de cidade, escola e amigos. Aparentemente uma história comum e pouco interessante, porém é na maneira como ela é contada que se encontra o charme e inovação.

Seguindo um caminho oposto aos padrões conhecidos, entenderemos e viveremos a aventura (ou desventura) da protagonista sob o ponto de vista das personagens que controlam seus sentimentos dentro de sua mente. Aqui vale um adendo parabenizando a Disney pela feliz tradução do título para o português, uma vez que o nome original poderia ter sido facilmente traduzido como "De Dentro para Fora".

divertidamente_2Alegria, Tristeza, Nojinho, Raiva e Medo são as figuras que, por intermédio de um painel repleto de botões, controlam os sentimentos da garotinha desde seu primeiro sorriso, em seus primeiros minutos de vida. Alegria é a líder da equipe e a primeira personagem a ser criada, enquanto que a Tristeza, sua “antagonista”, aquela que só atrapalha aos demais. Durante um bom tempo de projeção somos levados a ter raiva da Tristeza, para só adiante compreendermos que sua existência faz parte de algo muito maior e importante.

Riley terá de enfrentar sua primeira batalha humana em busca de afirmação e autoconhecimento, em meio a uma montanha russa de sentimentos e recordações. O modo como as memórias são apresentadas de forma lógica e palpável é um dos grandes acertos do texto. O mundo fantástico dentro da mente da protagonista é formado por uma infinidade de lembranças organizadas por ordem de importância: as mais significantes formam ilhas, que por sua vez, formam o caráter da personagem, enquanto as menos significantes são diariamente substituídas e esquecidas.

Ao contrário do que se espera de uma animação, Divertida Mente, apesar de proporcionar alguns momentos engraçados, explora mais o lado melancólico e triste que qualquer ser humano vive quando diante de escolhas difíceis. Como pessoas ainda imperfeitas, necessitamos deste lado mais “pra baixo” para conseguirmos valorizar os felizes. A tristeza, inevitavelmente, se fará presente e o que nos cabe fazer é decidir até quando ela influenciará nossos pensamentos e memórias – principalmente as de base, como abordado no filme. Talvez essa seja uma das reflexões mais poéticas e importantes proporcionadas pela história recente do cinema e por intermédio de um produto inesperado: uma simples animação colorida.

Escrito por
eligio JM
Elígio Junior

Pós-graduado em gestão executiva da televisão

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