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Jovens expressam desejo de ser missionários

jovens missionários

Por Alexandre Santos – Jornal Santuário

Adepta dos livros, amante da música, designer gráfico, guitarrista, cantora e líder de uma banda de rock. Esse é o perfil da diretora de arte Lize Borba, uma das mais de 2.000 pessoas inscritas para a Missão Jovem na Amazônia, lançada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

A motivação para participar dessa iniciativa veio de uma experiência anterior. “Este ano estive em Icoroaci (PA), fomos de barco ao encontro das comunidades ribeirinhas e pude conhecer um pouquinho de algumas realidades muito diferentes da minha. Sempre tive interesse em saber de verdade como é a vida de pessoas que moram distantes dos centros urbanos, como é a forma de convivência, se são felizes com aquilo que lhes é proporcionado. Fiquei apaixonada pela missão. Quando soube que teríamos missões na Amazônia, fui correndo me inscrever”, relata.

Lize conta que até mesmo o fato de estar gravando um novo CD da sua banda foi outro motivo. “O novo disco tem tudo a ver com isso, é sobre coletividade, e temos os indígenas como nosso elemento motivador. Mas o principal motivo é que quero ter um contato real com essas pessoas”, afirma.

Na opinião dela, nesse tipo de missão, o missionário recebe mais do que dá. “Nós não temos nada para oferecer, se levarmos em conta o que recebemos. Quando você vai para uma ‘aventura’ dessas, a primeira coisa que pensa, é que vai ajudar. Na verdade, nós que estamos sendo ajudados”, conclui.

Segundo a designer, o que cada missionário tem a oferecer é a própria voz. “A maioria dessas pessoas sofre necessidades básicas de sobrevivência. Praticamente todos com quem conversamos disseram que, perto da eleição, candidatos passeiam de barco, fazendo campanha. Só que, no final das contas, como já estamos exaustos de saber, eles alcançam o poder e ficam somente nas promessas”, denuncia.

Lize relata ainda que, para chegar num posto de saúde, é necessário viajar 40 minutos de barco. Não tem água potável, não tem esgoto, e energia elétrica só com gerador a diesel. O litro do combustível chega a custar R$ 4,00. “É um absurdo o descaso com aquelas comunidades. Imagino que com os índios a coisa deve ser bem parecida. Além do fato de terem suas terras tomadas. Eles estavam aqui bem antes. Então vejo essa importância de dar voz e oferecer esse amparo”, argumenta.

Para ela, a experiência missionária que fez gerou uma nova consciência e a fez exercitar o seu olhar sobre o outro. “Entendi que a nossa vida é muito cheia de privilégios, cheia de coisas das quais não precisamos para sermos realmente felizes. Olhar o outro é enxergar-se na condição de humano, entender que somos todos iguais, principalmente diante de Deus. Como é importante lutar para que todos tenham oportunidades e as mesmas chances. A partir do momento em que a gente deixa a ignorância de lado, o preconceito vai embora e a vontade de mudança aumenta”, conclui.

Desejo de ser missionário

Já o estudante Rafael Viana, de 19 anos, ainda não esteve numa missão como essa, mas anseia por esse momento. “Embora não fale muito sobre isso com as pessoas, tenho muito desejo de ser missionário. Primeiro por ser uma ordem de Jesus, depois por ver a necessidade que tantas pessoas passam por não conhecerem as palavras de Cristo, que nos dão forças para viver uma vida alegre e plena”, afirma.

Participante de um grupo de oração para jovens, Rafael afirma que a missão de evangelizar produz muitos frutos, entre eles, uma maior intimidade com Cristo. “Não se pode falar de Jesus sem conhecê-lo, sem falar com ele. Uma frase de que gosto muito diz o seguinte: ‘Antes de falar de Deus, fale com Deus’, isso expressa, o maior benefício que posso ter, tornar-me íntimo de Deus”, ressalta.

Para Rafael, com a iniciativa de promover a Missão Jovem na Amazônia, a Igreja do Brasil está colocando em prática um pedido do Papa Francisco aos jovens na missa de envio da JMJ Rio 2013: “Ide até as periferias existenciais”. Segundo o estudante, anunciar Jesus é levar a paz, a esperança e o amor. “Jesus veio para que todos tenham vida. Mas, para que todos possam conhecer esse convite de salvação e optar por ele, cabe a nós, cristãos, anunciá-lo e mostrar com as obras que só a fé dá verdadeiro sentido as nossas vidas”, explica.

Surpresa alegre

Segundo o secretário nacional da Obra da Propagação da Fé, órgão ligado às Pontifícias Obras Missionárias, Guilherme Carvalho, a grande adesão dos jovens brasileiros ao chamado dos bispos à missão surpreendeu os organizadores. “Foi uma surpresa alegre. Não esperávamos tanto. Por conta disso, estamos estudando formas de propor mais experiências missionárias para os jovens. Talvez, quem sabe, ligando os conselhos regionais e o setor juventude, promovendo missões nos estados”, planeja.

Para Guilherme, hoje em dia a juventude é muito fechada em si mesmo, e a experiência missionária leva os jovens a olhar além. “O principal fruto é essa saída de si mesmo, esse olhar universal, que pensa o mundo como irmandade. É o que vem nos pedindo o Papa Francisco. É o que nos pediu Jesus”, afirma.

Ele explica que a ideia da missão na Amazônia surgiu de um seminário realizado em preparação para a Jornada Mundial da Juventude, ano passado. “Acredito que a Missão Jovem na Amazônia é uma resposta concreta, levando os jovens para lá e refletindo sobre a necessidade de missionários nessa região, que nos clama por maior atenção”, aponta

Sobre o autor - Alexandre Santos é paraibano, formado pela Universidade Federal da Paraíba. Foi assessor de imprensa da gravadora Codimuc durante cinco anos e meio, no interior de São Paulo. Antes, atuou por dois anos como Coordenador de Jornalismo do Portal Católico, na Capital Paulista. Também trabalhou por 4 anos na assessoria de comunicação da Arquidiocese da Paraíba, em João Pessoa (PB). Foi produtor de telejornalismo da TV Correio (afiliada da Record na Paraíba).

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