20 anos Bibblia de aparecida 

A Palavra de Deus próxima aos devotos
Celebre conosco duas décadas desta obra sagrada que ilumina muitos lares brasileiros com sua tradução acessível. 

O Tradutor

Pe. José Raimundo Vidigal, C.Ss.R., missionário redentorista, foi o único tradutor da Bíblia Sagrada de Aparecida. Trabalhou como exegeta, ou seja, responsável por analisar e interpretar as Sagradas Escrituras, também em outras duas traduções: a Bíblia de Jerusalém e a Bíblia do Peregrino.

A tradução da Bíblia Aparecida durou três anos e foi realizada enquanto o sacerdote morava em Roma. Hoje, com 88 anos de idade e 65 de sacerdócio, padre Vidigal celebra duas décadas deste trabalho com gratidão.

Um traço característico do seu serviço foi a linguagem simples, pensada especialmente para a compreensão do povo brasileiro e devotos da Mãe Aparecida. Segundo o missionário redentorista, estes mantiveram-se presentes em seus pensamentos durante todo o processo.  


Procurei imaginar-me naquele meio, rodeado de pessoas de fé, com sede de conhecer e amar a Deus e a Nossa Senhora.

Entrevista exclusiva

Pe. José Raimundo Vidigal, C.Ss.R, missionário redentorista.

Em que momento surgiu o convite da Editora Santuário para realizar a tradução da Bíblia de Aparecida e como esse convite chegou ao senhor?

Era o ano de 2002 e quem dirigia a Editora Santuário era o Pe. João Batista de Almeida, que em 2015, aos 55 anos, seria nomeado Reitor da Basílica Nacional de Aparecida. O convite dele para traduzir a Bíblia chegou a mim por e-mail. Minha reação não foi de espanto, como se poderia pensar, mas de profundo interesse, porque algumas partes da Bíblia, por mim traduzidas, já estavam publicadas. 

O que o levou a aceitar o desafio de fazer sozinho uma nova tradução da Bíblia?

A primeira proposta seria participar de um trio de “corajosos”: estava prevista uma equipe de Redentoristas. Mas depois fiquei sabendo que ficaria sozinho na execução do projeto. Mesmo assim, criei ânimo, sabendo que seria uma obra de cunho mais pastoral do que científico. Em geral, as Bíblias são traduzidas em equipe. Eu mesmo trabalhei assim na Bíblia de Jerusalém. Quando o tradutor é um só, o texto ganha em unidade e estilo e é salva a semelhança entre as passagens paralelas.

Qual foi a primeira etapa do trabalho? Por onde o senhor começou: Antigo ou Novo Testamento?

Eu me lembro de que o primeiro livro traduzido foi o do profeta Isaías. E justamente a tradução que fiz dessa obra foi a mais bem avaliada pelos recenseadores. Depois terminei os Profetas e fiz a tradução do Pentateuco em diante.

Quais ferramentas, livros, manuscritos, traduções anteriores e recursos de exegese foram fundamentais durante o processo?

Naquela tarefa, eu me servia de toda a experiência dos anos de estudo em Juiz de Fora-MG, em Roma no Pontifício Instituto Bíblico, em Jerusalém na Escola Bíblica dos Dominicanos e dos meus anos de professor em Belo Horizonte, em Ilhéus-BA e no Pará. Tinha em mãos os textos originais da Bíblia, que estão em hebraico (56%), grego (41%) e aramaico (3%). Usava uma rica ferramenta de software bíblico chamada “Bible Works”, que contém várias traduções da Bíblia e analisa todo o texto, palavra por palavra.

O senhor estava em Roma durante a tradução. Como o ambiente em que vivia e a biblioteca que tinha à disposição contribuíram para o trabalho?

O trunfo mais valioso que tinha em mãos era o tempo livre. O ambiente internacional da Cidade Eterna e da nossa Casa Geral contribuía muito. No calor do verão romano, a biblioteca climatizada era um paraíso.

Como a figura do romeiro de Aparecida esteve presente em sua mente durante os três anos de tradução?

Conheço pessoas que sentem em Aparecida um ambiente paradisíaco de paz e fraternidade. Procurei imaginar-me naquele meio, rodeado de pessoas de fé, com sede de conhecer e amar a Deus e a Nossa Senhora. Como Redentorista, aprendi com Santo Afonso que devia usar linguagem simples, porque comunicação não é o que eu falo, é o que o outro entende.

O senhor se recorda de alguma passagem bíblica cuja tradução tenha sido especialmente marcada pela preocupação de ser compreendida pelo povo simples?

Realmente, foram muitos os lugares, por exemplo, Mateus 5,3: “Felizes os pobres em espírito”. O modo de falar é diferente do nosso, por isso é preciso explicar em nota o sentido. Também Mateus 11,25: “Eu vos bendigo, ó Pai ..., porque estas coisas que escondeste aos sábios..., as revelaste à gente simples”. Jesus agradece, não porque o Pai escondeu... mas porque revelou. A tradução deve separar as duas atitudes.

Como foram feitas as revisões do texto depois que o senhor concluiu a tradução? Quem participou dessa etapa?

À medida que iam ficando prontos, os livros bíblicos eram enviados por e-mail e havia uma equipe de revisores que examinava os textos com todo cuidado, não deixando escapar nenhum errinho. Como consta na contracapa da Bíblia, os revisores eram Otto Edgar Orth, Elizabeth dos Santos Reis e Clodoaldo Montoro, pessoas competentes e versadas nas ciências bíblicas. Recordo que essa comissão apreciou e elogiou, sobretudo, a tradução de Isaías e a dos Salmos.

Quando o texto completo da Bíblia foi finalmente concluído e entregue à Editora Santuário?

Em 2005, vindo ao Brasil em férias, participei em Aparecida de uma reunião muito proveitosa com a equipe responsável e acertamos os últimos detalhes.

O vocabulário bíblico, com cerca de 400 termos, tornou-se uma das características da edição. Quando surgiu a ideia de incluí-lo e como foi elaborado?

Esse tipo de vocabulário existe no final de algumas Bíblias, por exemplo, na Bíblia do Peregrino, e é de grande valia para aprofundar as noções fundamentais da Bíblia, conseguindo reduzir a extensão das notas de rodapé. Os verbetes são ilustrados com citações bíblicas, de modo a formar uma verdadeira catequese.

Qual foi o momento mais difícil e qual foi o momento mais emocionante de todo o projeto de tradução?

Graças a Deus e à Mãe Aparecida, que eu sempre invocava no meu trabalho, não tive dificuldades especiais, nem mesmo no cumprimento dos prazos estabelecidos. Um momento de grande emoção foi a missa de apresentação da Bíblia na Basílica Nacional em setembro de 2006. Chorei lágrimas de gratidão e alegria ao ver chegar ao termo daquela caminhada. Outra hora que me comoveu foi quando fiquei sabendo que Elizabeth dos Santos Reis, da equipe de revisão, que tinha lido três vezes todo o texto da Bíblia, estando muito doente no hospital, ainda teve a alegria de receber em mãos o Livro Sagrado que ela tanto ajudou a nascer.

Nossa história no Tempo

1980
1982
1989
2002
2002–2005
2002–2005
2005
2006
1º de setembro de 2026
Novo Testamento

A Editora Santuário publica uma versão do Novo Testamento, em parceria com os Missionários Capuchinhos portugueses.

Bíblia Sagrada

É lançada a Bíblia Sagrada, em coprodução com a Editora Vozes.

Pe. José Raimundo Vidigal

O Pe. José Raimundo Vidigal, CSsR, traduz e publica o Novo Testamento, dando início à produção de uma Bíblia própria dos Redentoristas.

Pe. João Batista de Almeida

A Editora Santuário, então dirigida pelo Pe. João Batista de Almeida convida o Pe. Vidigal para traduzir toda a Bíblia. O convite chega por e-mail.

Mais de três anos à tradução

O Pe. Vidigal dedica-se por mais de três anos à tradução, trabalhando em Roma a partir dos textos originais em hebraico, grego e aramaico. O primeiro livro traduzido foi Isaías, seguido pelos demais Profetas e, depois, pelo Pentateuco em diante.

Revisão

À medida que os livros ficam prontos, são enviados para uma equipe de revisores: Otto Edgar Orth, Elizabeth dos Santos Reis e Clodoaldo Montoro. Isaías e os Salmos recebem destaque na avaliação dos revisores.

Últimos detalhes da obra

Durante uma viagem ao Brasil, o Pe. Vidigal participa, em Aparecida, de uma reunião com a equipe responsável e define os últimos detalhes da obra.

Lançamento Oficial

A tradução completa é finalizada e preparada para publicação. A Bíblia de Aparecida é lançada oficialmente durante a missa das 9h, no Santuário Nacional de Aparecida.


20 Anos de publicação

Aniversário de 20 anos de publicação da Bíblia de Aparecida.

Edições

Acervo da Editora Santuário

Após o lançamento, a obra passa a ocupar lugar de destaque no catálogo da Editora Santuário. Vinte anos depois, a Bíblia de Aparecida já conta com diversas versões e formatos e se consolida como um dos produtos mais importantes da Editora Santuário.

Boleto

Reportar erro!

Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Redação, em Redação A12

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.

Enviar por e-mail