Comunicação

Como a Igreja enxerga a IA e as novas tecnologias?

Documentos, Conselhos e representantes da igreja refletem sobre a utilização de novas tecnologias e uso excessivos de IA pela sociedade

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Escrito por Redação A12

24 SET 2026 - 08H14 (Atualizada em 24 SET 2026 - 10H02)

Reprodução / CNBB

A humanidade já viveu inúmeras transformações ao longo dos anos, e a história mostra como, nos últimos tempos, a tecnologia e a globalização aceleraram e intensificaram a maneira como as pessoas vivem, se comportam e interagem.

Mais recentemente, as IAs têm ganhado destaque por conta do seu rápido avanço, controle concentrado nas mãos de poucos decisores e impacto social em diversos âmbitos: profissional, econômico, político, entre outros que ainda estão sendo identificados.

Bispos do Conselho Episcopal Pastoral (Consep), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reuniram-se na última terça-feira, 22, para refletirem sobre o tema.

“As tecnologias passaram a intermediar atividades econômicas, relações sociais, processos educativos, produção de conhecimento e disputas políticas. Trata-se de uma mudança de grande alcance que precisa ser compreendida sem ingenuidade, mas com discernimento” dom Francisco Lima, bispo de Carolina e coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura

Ele ainda pondera sobre a importância de refletir sobre dois pontos: “o entusiasmo tecnológico sem crítica, que vê cada inovação uma espécie de salvação; e a tentação de atribuir à tecnologia, isoladamente, conflitos que possuem raízes históricas, econômicas, culturais e políticas”.

A IA e a inteligência humana

Em maio, a primeira encíclica do Papa Leão XIV, intitulada Magnifica Humanitas, discutiu o impacto da IA no mundo. O Papa disse que “o mundo não deve temê-la, mas ter cuidado”. O Vaticano também reafirma que jamais devemos delegar às máquinas questões de decisão sobre a vida, morte e valores morais.

Na nota “Antiqua et Nova”, publicada pelo Dicastério para a Doutrina da Fé e pelo Dicastério para a Cultura e a Educação, fica clara a visão da Igreja de que a inteligência humana é um dom criado à imagem de Deus. E a IA, por sua vez, foi criada pelo homem e não deve ser vista como pessoa ou algo divino.

Por meio do documento, a Igreja reconhece os benefícios e contribuições que as novas tecnologias podem trazer para setores como saúde, educação, economia e comunicação. Por outro lado, entende a necessidade de estar atento aos perigos do uso desmedido ou mal-intencionado, incluindo questões de armamentos, disseminação de fake news, manipulação de dados, perda de privacidade e impactos negativos nas relações interpessoais

Leia também: IA: nem inteligente, nem artificial

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