Comunicação

Encíclica Magnifica Humanitas inspira projeto “Humaniza, IA!”

Projeto do Instituto Estadual de Educação (IEE) foi inspirado na visão da Igreja sobre a IA e as novas tecnologias

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Escrito por Gustavo Santos

02 OUT 2026 - 10H23 (Atualizada em 02 OUT 2026 - 11H11)

O “Humaniza, IA!” é um projeto educacional que surgiu em 2026, desenvolvido e coordenado pelo professor Dr. Gil Ferri, no componente curricular de História, junto aos alunos do 3° ano do ensino médio do IEE em Santa Catarina (SC), reconhecido como a maior escola pública da América Latina.

O professor e Doutor em História, Ferri, conta que a motivação para idealizar o projeto veio após a publicação da Encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, publicada em maio de 2026.

“Obviamente, houve toda uma adaptação para o contexto escolar laico, porém os alertas e reflexões sobre os impactos das novas tecnologias que a Igreja Católica tem desenvolvido nos últimos tempos serviram de inspiração para trabalhar esse debate com estudantes, pois os adolescentes são extremamente afetados com a falta de sensibilidade humana das grandes corporações tecnológicas, redes sociais e IA.” Gil Ferri, Professor e Doutor em História

Ele explica ainda que, assim como a publicação, o principal objetivo da iniciativa é refletir e olhar para a Inteligência Artificial (IA) não apenas como uma ferramenta tecnológica, mas como um fenômeno que faz parte das transformações históricas e que produz consequências sociais, éticas, ambientais e humanas.

Alunos atentos em momento do projeto Humaniza, IA!

A proposta do projeto encontra pontos de diálogo com a reflexão apresentada pelo Papa Leão XIV sobre a IA, especialmente na preocupação de que a tecnologia permaneça a serviço da pessoa, e não substitua a autonomia, o discernimento e as relações humanas.

IA e a dignidade humana

Como o nome “Humaniza, IA!” já sugere, a ideia é conhecer, entender e desenvolver o senso crítico dos alunos para que a tecnologia seja colocada a serviço do homem, de forma que não afete o comportamento social negativamente.

Ferri ressalta que "mais do que aprender a utilizar ferramentas de IA, os estudantes precisam compreender seus impactos e refletir sobre os limites e as finalidades da tecnologia, colocando-a a serviço da dignidade humana, da justiça social, da sustentabilidade e do bem comum".

O Pontífice, por meio da Carta Encíclica Magnifica Humanitas, também estabelece uma reflexão sobre a ponte entre tecnologia, ética e dignidade humana.

“Para que a IA respeite a dignidade humana e sirva verdadeiramente o bem comum, é essencial que as responsabilidades sejam claras em todas as etapas: desde quem concebe e treina os sistemas a quem os utiliza e decide confiar-lhes escolhas concretas.” Magnifica Humanitas, n. 105.

Na nota doutrinária “Antiqua et Nova”, publicada pelo Dicastério para a Doutrina da Fé e pelo Dicastério para a Cultura e a Educação, fica clara a visão da Igreja de que a inteligência humana é um dom criado à imagem de Deus. E a IA, por sua vez, foi criada pelo homem e não deve ser vista como pessoa ou algo divino.

Humanizar não significar ser contra as tecnologias

Recentemente, em agosto, o projeto realizou uma visita em parceria com a Rede de Inovação de Florianópolis e Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), a fim de aproximar os estudantes do que estava sendo ensinado em sala de aula com a prática no ambiente dos profissionais, empreendedores e instituições que trabalham diretamente com tecnologia e inovação.

Alunos do projeto Humaniza, IA!

Assim como a iniciativa educacional, a Igreja não se contrapõe às novas tecnologias e a IA, pelo contrário, se preocupa em entender a melhor forma de encarar e utilizá-las dentro da realidade e do contexto atual.

“O humanismo cristão não rejeita a ciência e a técnica: acolhe-as com gratidão e realismo, inserindo-as, ‘com os pés bem assentes na terra’, numa vocação mais elevada.” Magnifica Humanitas, n. 129.

Conclui-se, então, que o projeto “Humaniza, IA!” dialoga com a visão da Igreja e contribui para tornar a relação com a inteligência artificial e as novas tecnologias mais consciente, crítica e humana.

Leia também: Como a Igreja enxerga a IA e as novas tecnologias?

Fonte: doni | De Olho na Ilha, Professor Dr. Gil Ferri

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