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História da Igreja

Viterbo, a cidade onde nasceu o conclave

Pe Jose Inacio de Medeiros

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

07 JAN 2026 - 11H03 (Atualizada em 07 JAN 2026 - 11H36)

Reprodução/Adobe Stock: Guillaume

Cidade medieval é famosa pela história, pela cultura e pelos santos que doou à Igreja

No coração da região do Lazio, na borda do Vale do Rio Tibre que antes corta a cidade de Roma, localiza-se a cidade de Viterbo. A explicação mais plausível é a de que seu nome deriva do latim Vetus Urbs, ou seja, Cidade Velha, embora a etimologia ainda permaneça muito duvidosa.

Além de ser uma das cidades medievais italianas mais bem conservadas, é também chamada de “Cidade dos Papas”, como lembrança do período em que a cidade se transformou na sede do pontificado durante o século XIII, a partir do ano 1257, quando o Papa Alexandre IV se transferiu com toda a corte para a cidade.

Até hoje, quem caminha por suas antigas vielas, ruas e muralhas, pode respirar uma atmosfera como se a cidade estivesse suspensa no tempo.

Viterbo é a capital de uma área bem maior e mais rica chamado originalmente como Tuscia, palavra de origem latina que denominava o território habitado por aqueles que os romanos chamavam de Tusci (singular Tuscus), ou etruscos. Tuscia é sinônimo de Etrúria e dela deriva o nome da região e do município da Toscana.

Esse antigo nome indica a área que correspondia ao domínio etrusco e que hoje se estende até a parte norte do Lazio, abrangendo a Úmbria e a Toscana, com todas as suas tradições ligadas à história, cultura, culinária e religião.

A “Cidade dos Papas”

No século XIII, entre 1257 e 1281, vários papas ali estabeleceram sua residência de verão para fugir do calor e das “intrigas” de Roma, mas acabaram passando mais tempo na cidade do que em Roma. Foi nela que se elegeu e onde morreu, por exemplo, João XXI, o único Papa português da história da Igreja.

A história da cidade é bem antiga, originando-se ainda do tempo dos etruscos, um dos povos formadores de Roma, até ser conquistada pelos romanos em 310 a.C. vivendo a partir daí um período de grande prosperidade.

Com a queda do Império Romano veio um período de crise e a cidade foi sucessivamente dominada por povos invasores que praticavam saques e depredações, até ser protegida e passar a fazer parte dos Estados Pontifícios. Depois ganhou ressonância a partir da Idade Média com a constante presença de papas na cidade.

Sua escolha como residência dos papas atesta o prestígio que a cidade adquiriu. Cerca de 40 papas optaram pela cidade passando temporadas por lá e depois de Alexandre IV, o primeiro a viver permanentemente em Viterbo, os papas Urbano IV, Gregório X, João XXI, Nicolau III e, finalmente, Martinho IV, que desejava sair dali se mudando para Orvieto em 1281, optaram por permanecer em Viterbo.

A cidade também já deu santos à Igreja, pois foi em Viterbo que entre 1233 e 1251 viveu Santa Rosa de Viterbo, virgem da Terceira Ordem Franciscana, hoje declarada como padroeira da Juventude Franciscana

Viterbo serviu como alternativa ao Vaticano numa época em que o poder político e a Igreja Católica viviam grandes atritos

Localizada a menos de 100 quilômetros de Roma, hoje com cerca de 67 mil habitantes, a cidade é uma das mais importantes da região do Lazio.

O primeiro conclave

Viterbo entrou para a história porque foi nela que se realizou o primeiro conclave, com a eleição do Papa Gregório X (1271-1276). Foi ali também que pela primeira vez se usou a expressão “cum clavis” para falar da reunião fechada dos cardeais, com o novo papa estabelecendo suas regras de funcionamento através da constituição apostólica Ubi prericulum. Desde então, as normas para a eleição papal, no essencial, com algumas atualizações necessárias, se mantêm até hoje.

Naquele tempo era costume realizar a eleição do sucessor no lugar onde o papa reinante havia falecido. Isso explica a escolha de Viterbo, pois ali morreu Clemente IV, antecessor de Gregório X.

Depois da morte de Clemente IV em 1268, os cardeais se reuniram em Viterbo para a eleição de seu sucessor. A assembleia eletiva ainda não tinha esse nome, mas o conclave de Viterbo (1268-1271) acabou se consolidando como um dos mais longos da história. Somando o antes e o depois do confinamento foram 33 meses, quase três anos de espera até que saísse o “habemus papam” mais demorado da história.

Apenas 19 cardeais se reuniram para a eleição, mas o desacordo era grande por questões nacionalistas e políticas.

A eleição e Gregório X, 184º Papa da Igreja, que na ocasião estava peregrinando à Terra Santa, levando uns 03 meses até que pudesse chegar, somente ocorreu após revolta popular que levou a municipalidade a trancar os cardeais no Palácio Papal, racionando sua comida e bebida, forçando uma decisão. Mas como ela não ocorria, foi preciso arrancar o telhado, forçando o consenso.

A partir daí foram instituídas regras mais rígidas para o funcionamento dos futuros conclaves, como o isolamento (“cum clave”) para acelerar as eleições e evitar as interferências externas de forças políticas do imperador, reis e príncipes que podiam manipular as decisões através dos cardeais.

Gregório X morreu em Arezzo, no dia 10 de janeiro de 1276, e seus restos mortais se encontram na catedral Santos Pedro e Donato, tendo sido beatificado em 1713, pelo Papa Clemente XI. Ele foi sucedido por Inocêncio V que governou a Igreja por apenas 153 dias, de 21 de janeiro a 22 de junho de 1276.

Por essas e outras razões a cidade de Viterbo entrou para a história e mantém a sua característica mesmo depois da extinção dos Estados Pontifícios.

 Leia mais sobre a história de Santa Rosa em Santo do Dia

Escrito por:
Pe Jose Inacio de Medeiros
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Missionário redentorista que atua no Instituto Histórico Redentorista, em Roma. Graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da antiga Província Redentorista de São Paulo, tendo sido também diretor da Rádio Aparecida.

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