Por Redação A12 Em Igreja Atualizada em 29 MAR 2018 - 09H24

Lideranças e organismos manifestam apoio a padre preso em Anapu (PA)

Arquivo CPT.
Arquivo CPT.

Diversas lideranças e organismos da Igreja no Brasil manifestaram em nota solidariedade ao padre José Amaro Lopes de Sousa, preso na última terça-feira (27), na Prelazia do Xingu, onde atuava como pároco da Paróquia Santa Luzia, em Anapu (PA).

O sacerdote deu continuidade ao trabalho de irmã Dorothy Stang, depois que ela foi assassinada, em 2005, em Anapu. Como irmã Dorothy, padre Amaro mantém uma atuação em defesa dos direitos, especialmente dos camponeses e pequenos agricultores da região.

A Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), organismo presidido pelo Cardeal Dom Cláudio Hummes emitiu nota indicando que a prisão do padre foi um ato injusto.

“Nesta semana em que celebramos as dores de Cristo a caminho do calvário, padre Amaro Lopes está sendo injustamente acusado e conduzido pelos mesmos caminhos do Calvário de Jesus Cristo. Os sumos sacerdotes, que outrora condenaram Jesus, são os poderosos, exploradores da Amazônia e de seu povo, que agora condenam padre Amaro Lopes”, assinala a nota. A Rede repudia ainda as “acusações impetradas sobre ele de forma caluniosa”.

O bispo da Prelazia do Xingu (PA), Dom João Muniz Alves, e o bispo emérito do Xingu, Dom Erwin Kräutler, manifestaram sua “fraterna solidariedade” ao padre Amaro indicando que o sacerdote é um “incansável defensor dos direitos humanos, defensor da regularização fundiária, da reforma agrária e dos assentamentos de sem-terra” e que “há anos é alvo de ameaças e agora vítima de difamação para deslegitimar todo o seu empenho em favor dos menos favorecidos”.

Os bispos também repudiam as as acusações de ele “promover invasões de terras que são reconhecidas pela Justiça como terras públicas, destinadas à reforma agrária, mas se concentram ainda nas mãos de pessoas economicamente poderosas”.

Leia MaisPapa Francisco alerta sobre fingimento na fé e explica como viver a PáscoaConhecendo os Evangelhos: Ser profeta como JesusAs Irmãs de Notre Dame de Namur, da Prelazia do Marajó, congregação na qual irmã Dorothy era consagrada, divulgaram carta onde mencionam a amizade do sacerdote com a religiosa e como ele continuou sua obra.

“Grande amigo de irmã Dorothy, deu continuidade à luta pela terra – contra o latifúndio e em favor dos camponeses na posse da terra, depois do assassinato dela em 2005. Conhecemos padre Amaro há anos, e sabemos que está sendo acusado injustamente. Há muito tempo que ele vem sendo ameaçado de morte pelos latifundiários, por aqueles que querem se apropriar criminosamente de terras públicas para explorá-las, às custas da expulsão do povo que precisa das terras para sobreviver. Padre Amaro é um incansável defensor dos direitos humanos e, por isso, é odiado pelos exploradores da região e por aqueles que acobertam seus crimes”, assinalam.


As religiosas manifestam ainda preocupação pela prisão do padre no mesmo presídio onde está cumprindo pena de 30 anos, o mandante do assassinato de Dorothy Stang, o fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão. “Isso coloca a vida do padre Amaro em sério risco. Não podemos nos calar diante de mais esta tentativa de criminalizar lideranças que atuam em favor dos direitos do povo”, frisam.

Padre Amaro atua desde 1998 na Paróquia Santa Luzia. É líder comunitário e coordenador da Pastoral da Terra (CPT).

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