Na Roma antiga, os pórticos eram um dos elementos arquitetônicos mais característicos do planejamento urbano, sendo encontrados por todas as partes da cidade: ao redor das praças dos fóruns, ao longo das fachadas das basílicas, nos andares térreos dos teatros, no Circo Máximo, no estádio e de anfiteatros e de muitos edifícios privados, como as villas dos nobres.
Alguns pórticos foram especialmente construídos como edifícios por si só e como lugares monumentais e agradáveis para caminhadas, reuniões ou encontros, protegidos do clima, frescos à sombra no verão, adornados com obras de arte, fontes e equipados com salas de exposições e vendas, auditórios para declamações e conferências.
O pórtico em geral era uma seção do edifício construída na entrada, muitas vezes com piso e teto decorados. Os pórticos de Roma eram uma tradição herdada dos etruscos, mas a ideia propriamente dita se originou na Grécia antiga, sendo incorporada por diversas culturas, incluindo a maioria das culturas ocidentais.
No sentido religioso, eles são como extensão do espaço principal de um templo, com duas ou três fileiras de colunas que levam até as colunas engajadas que continuam ao redor de todo edifício. Essa sistemática de construção cria uma forte frontalidade em comparação com os pórticos gregos, que podiam envolver todo o edifício, como, por exemplo, as colunas que envolvem todo o Partenon.
As grandes basílicas de Roma incluíram essa prática na construção de suas fachadas, dotadas de colunatas e pórticos que a embelezam e dão um sentido de monumentalidade.
Junto ao pórtico existia também o peristilo, que é a colunata propriamente dita, que rodeava uma praça, um pátio, jardim ou espaço aberto. Um dos melhores exemplos de peristilo é a Casa do Fauno em Pompéia, que continha dois grandes conjuntos de colunas que foram bem preservadas pelas cinzas do Vesúvio.
A função de um pórtico variava conforme sua área de atuação, mas em Roma servia, sobretudo, para marcar as entradas, dando-lhes um caráter de majestade e imponência.
Um pórtico normalmente era menor que um portal. Na Roma Antiga, os pórticos eram grandes galerias cobertas, sustentadas por colunas que serviam como áreas de circulação protegidas do sol e da chuva, ligando edifícios, cercando praças ou servindo de fachada monumental para templos e locais públicos de convivência, comércio e lazer.
Eles serviam também para encontros políticos, passeios, conversas filosóficas e negociações de várias espécies, inclusive quando membros de famílias patrícias acertavam futuros casamentos. Como monumentos urbanos enfeitavam fóruns, teatros e áreas sagradas, muitas vezes exibindo obras de arte, fontes e jardins internos.
Do tempo da Roma Imperial foram preservadas as ruínas de alguns pórticos famosos, como o de Otávia, que foi reconstruído pelo imperador Augusto no século I a.C. em homenagem à sua irmã, e por isso mesmo recebeu o seu nome, englobando templos e áreas de encontro. O pórtico de Otávia tinha sido construído próximo ao Circo Flamínio por Augusto no final do primeiro século a.C, por ser lugar de grande circulação de pessoas (entre 33 e 23 a.C.), substituindo o antigo pórtico de Metelo, datado do século II a.C.
Ele era formado por uma dupla colunata que cercava um santuário com os templos de Juno Rainha e Júpiter Stator. Os vestígios que ainda hoje são visíveis datam de uma reconstrução radical da época do imperador Septímio Severo (início do século III).
Outro importante complexo de pórtico está localizado no Campo de Marte, onde ocorria a distribuição gratuita de trigo para os cidadãos romanos dentro da política conhecida como “pão e circo”. Citamos ainda o Pórtico dos Argonautas, localizado perto do Pantheon, decorado com obras de arte que retratavam a história dos Argonautas da mitologia grega.
Assim como aconteceu com outras grandes construções da Roma antiga, citando o destino do próprio Coliseu e do Fórum Romano, muitos pórticos tiveram a mesma sorte, enquanto outros foram soterrados e só recentemente escavados, reavaliados ou restaurados por projetos arqueológicos modernos.
Algumas estruturas, como o Pórtico de Otávia, viraram mercados de peixe na Idade Média. Igrejas cristãs foram construídas sobre ou junto aos seus antigos acessos.
Os pórticos serviram também como fonte de materiais com suas pedras, mármores e colunas de granito ou mármore, sendo retirados ao longo dos séculos para erguer novos edifícios, como palácios ou igrejas, na Roma papal e medieval.
Ruínas como as do Pórtico de Minúcio ficaram ocultas sob construções posteriores, sendo identificadas e restauradas em fundações de edifícios modernos no centro da capital italiana.
A arte da construção de pórticos da Roma Imperial passou para outras culturas em todos os tempos. Na arquitetura moderna, os pórticos se transformaram em estruturas formadas por elementos verticais e horizontais que emolduram entradas, delimitam espaços ou destacam fachadas. Exemplos notáveis incluem o pórtico de entrada do The Vessel em Nova York, os imponentes pórticos geométricos do MAXXI em Roma, projetados por Zaha Hadid, e os pórticos estruturais minimalistas da Fábrica de Fagus, na Alemanha.
Os pórticos modernos mantêm como características suas linhas retas, com formas geométricas limpas e minimalistas. Em sua construção são usados materiais mistos, com o uso frequente de concreto aparente, aço, madeira ripada e vidro. O destaque visual se dá por meio de pinturas ou revestimentos diferentes do restante da fachada, servindo tanto para proteger a entrada quanto para valorizar o volume arquitetônico, delimitando os espaços. Nessa categoria, ainda que não sejam elementos puros, podemos incluir as colunatas e as fachadas do Santuário Nacional.
Existem ainda algumas aplicações comuns, como fachadas residenciais que emolduram a porta principal ou a garagem. Disso, a cidade moderna de Roma está repleta de bonitos exemplos.
Os pórticos se transformaram em marcos urbanos, como os pórticos de acesso a cidades ou grandes condomínios, servindo ainda para fazer a transição entre ambientes integrados sem o uso de paredes.
Se Roma já havia legado arcos, abóbodas e cúpulas para a posteridade, citamos aqui mais um exemplo arquitetônico que recebeu de outras culturas, sabendo adaptá-lo e legá-lo para a posteridade.
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