São João Batista é considerado o primeiro Mártir da Igreja, com sua festa celebrada no dia 24 de junho. De acordo com o Evangelho de João 1,21-23, João Batista é descrito como a voz que clama no deserto, anunciando a chegada do Salvador, Jesus Cristo.
São João Batista
“Pois, então, quem és?, perguntaram-lhe eles. És tu Elias? Disse ele: não o sou. És tu o profeta?, ele respondeu: não. Perguntaram-lhe de novo: dize-nos, afinal, quem és, para que possamos dar uma resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?, ele respondeu: eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como o disse o profeta Isaías.”
João Batista se tornou conhecido como profeta e anunciava a vinda do Messias, batizando todos que se arrependiam. Assim como relata o Evangelho de Mateus 3,5-6, suas pregações se tornaram conhecidas e atraíam multidões ao Rio Jordão.
“A ele vinha gente de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região ao redor do Jordão. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão.”
Assim, João é uma inspiração como profeta, santo, mártir, precursor do Messias e defensor da verdade.
Mais do que sua importância espiritual e histórica no cristianismo, São João Batista também deixou uma marca na história da música ocidental. Em sua homenagem, foi composto o hino litúrgico “Ut queant laxis”, no qual cada verso começava com uma sílaba diferente.
Qual a relação de São João Batista com as notas musicais?
Além de ser conhecido como o precursor de Jesus Cristo e a "voz que clama no deserto", São João Batista ocupa também um lugar fundamental na linguagem musical: as notas da escala.
Fotografia de Guido Arezzo
Nas vésperas da festa da Natividade de São João Batista, um Monge Beneditino e estudioso da música ocidental, Guido d’Arezzo, utilizou o hino de Paulo Diácono "Ut queant laxis" como base para o ensino das notas musicais.
Foi a partir deste antigo hino litúrgico, dedicado a São João Batista, que surgiram as sílabas que deram origem ao sistema de nomenclatura musical utilizado até hoje como: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Sí.
As iniciais de cada verso deste hino foram utilizadas para nomear as notas musicais. Assim, surgiram as primeiras:
Ut, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá e Si.
Durante seu trabalho no mosteiro da cidade de Pomposa, Guido percebeu a dificuldade dos cantores gregorianos para memorizar e aprender as melodias complexas das músicas sacras. Então, resolveu desenvolver um sistema de notação musical, que buscava simplificar o aprendizado e reduzir os erros de interpretação.
Foi aí que o nome “Si” foi criado das iniciais de “Sancte Iohannes”, basicamente o nome de São João Batista em latim, que homenagearam o Santo padroeiro. Posteriormente, o “Ut” foi substituído por “Dó”, para simplificar a leitura e entoação das notas.
Este hino era dividido em estrofes, e cada linha melódica começava em um grau ascendente da escala:
Hino de Ut queant laxis
Ut queant laxis
Re-sonare fibris
Mi-ra gestorum
Fa-muli tuorum
Sol-ve polluti
La-bii reatum
Sancte Ioannes
Placa comemorativa do monge Guido Monaco, inventor da notação musical
As contribuições de Guido d’Arezzo também contribuíram para o ensino musical no Ocidente, fazendo o ser reconhecido como um precursor da teoria tonal e da pedagogia musical moderna, permitindo que as suas composições musicais fossem preservadas por todos.
Dessa forma, além de anunciar a vinda de Cristo, São João Batista também deixou sua contribuição que passou por todos os séculos e influenciou diretamente o desenvolvimento da música ocidental.
.:: Conheça mais sobre São João Batista
Fonte: Diocese de Novo Hamburgo
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