Opinião

Mudanças de comportamento afetam padrões da geração “Z”

Menos baladas, mais propósito: a geração Z desafia os modelos tradicionais e transforma o mercado. Confira!

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Escrito por Pe. José Inácio Medeiros, C.Ss.R.

11 JUN 2026 - 14H53

Nimas/Adobe Stock

Quem poderia imaginar que um dia boates voltadas para o público jovem pudessem entrar em decadência, não por falta de dinheiro, mas por falta de público; que espaços de lazer como danceterias e casas noturnas, badalados points de moda e de “curtição”, sofressem um processo de esvaziamento porque aqueles que os frequentavam já não veem sentido em buscar esses espaços.

Durante décadas, a “noite” foi vendida como sinônimo de liberdade, status e conexão. Hoje, para uma parte crescente da juventude, ela representa excessos, repetição e anestesia emocional, motivação para ser evitada.

A mudança, entretanto, não é somente econômica, mas cultural. A Geração Z não rejeita o prazer, e sim o vazio. Não odeia a festa, odeia o ritual automático, o ego inflado, o exagerado consumo do álcool como fuga, a conversa ensaiada que não leva a lugar algum, os relacionamentos vazios e o prazer pelo simples prazer. No lugar disso, surgem novos símbolos de luxo como hábitos rotineiros que proporcionam mais saúde física e mental, presença e construção.

A festa não acabou, que acabou foi a necessidade de se perder para poder se sentir vivo!

CarlosBarquero/Adobe Stock CarlosBarquero/Adobe Stock

Mudanças de hábitos geram impactos sociais

A nova tendência tem chamado a atenção dos estudiosos do comportamento humano em diversas ocasiões.

Pelo que se pode perceber até agora, os que fazem parte da chamada Geração Z estão bebendo menos álcool, são menos propensos a festas que duram a noite toda, preferindo espaços mais calmos. Hábitos até então recusados como a procura por lugares mais intimistas, com músicas que não impedem a conversa e o “sentir-se bem” ganham valor. Até mesmo a indústria de bebidas em alguns países já sentiu essa tendência refletida em seus números e planilhas. Empresas já optam em oferecer produtos em uma versão sem álcool.

Empresas dedicadas ao entretenimento, por sua vez, já buscam oferecer opções alternativas de festas e curtição.

Por esses mesmos motivos quantos atores e pessoas do cinema e TV que estão optando por uma vida de menos exposição aos holofotes da moda, sem necessidade de viver de escândalo em escândalo para chamar atenção da mídia. Antes contava-se em grande número aqueles que “trocavam de parceiros como trocam de roupa”. Hoje chama atenção o crescente número dos que fogem da badalação para construírem relacionamentos familiares mais estáveis e duradouros.

Geração digital

Os membros da chamada Geração Z, grupo demográfico formado por pessoas nascidas entre o final dos anos 1990 e início dos anos 2010 (aproximadamente 1997 a 2010), conhecidos como "nativos digitais", são a primeira geração que nasceu e cresceu com a internet e os smartphones já totalmente integrados ao seu dia a dia.

As principais características dessa geração até agora incluíam a interação com múltiplas telas e tecnologias de forma natural, aprendendo rapidamente a usar novas plataformas e ferramentas online, diferentemente das gerações anteriores. Agora, no mercado de trabalho e de consumo priorizam empresas e marcas que demonstrem maior responsabilidade social, aceitação da diversidade e atitudes favoráveis à sustentabilidade.

iago/Adobe Stock iago/Adobe Stock

Os integrantes dessa geração já buscam um maior equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, priorizando a saúde mental e a qualidade de vida acima de carreiras corporativas tradicionais.

A Geração Z ganhou a reputação de ser ávida por fama e completamente obcecada por imagem, afinal, foi o primeiro público a atingir a maioridade inteiramente na era das redes sociais.

Entretanto, a busca pelo sucesso e estabilidade financeira continua forte, mas a “loucura” da fama perdeu força e já não chama atenção. Personagens identificados com as “Virginias” da vida já não encanta essa geração. Os jovens adultos demonstraram uma forte inclinação por trajetórias profissionais menos visíveis aos olhos do público.

“Eu quero uma casa de campo”

Na verdade, os adultos com menos de 30 anos estão exaustos da pressão para ter um bom desempenho e documentar cada detalhe da vida online, preferindo uma vida mais privada. É por isso que, a cada dia que passa, aumenta o número daqueles que buscam uma vida “mais pacata” na zona rural ou cidadezinhas do interior.

As ambições da Geração Z estão migrando para profissões que combinam respeito, estabilidade e um certo grau de anonimato.

Com uma visão mais aberta e inclusiva sobre diversidade de gênero, raça e orientação sexual, rejeitam rótulos rígidos e já começam a perceber que estar ligado à “tela” 24 horas por dia não é tudo, voltando-se também para valores que muitos julgavam perdidos como a leitura de textos e livros no bom e velho papel.

Aspecto a ser considerado é o retorno à espiritualidade e à busca de Deus, ainda que de formas variadas. A busca de Deus nem sempre acontece através de uma igreja, mas a Geração Z que até agora era considerada a menos religiosa da história, contrariando essa tendência, está voltando para Deus e para a prática religiosa. E muitos estão se voltando para a Igreja Católica. Essa tendência já é notada nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, atingindo, sobretudo, aqueles que são considerados mais conservadores.

Claro que essa mudança de comportamento ainda é incipiente, precisando de melhores estudos, mas já é uma indicativa do que pode vir pela frente quando essas pessoas deixarem de ser da Geração Z, galgando outros patamares e classificações sociais.

Vejamos onde essa caminhada vai nos levar!

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