Mesmo diante dos avanços tecnológicos, com o hábito de digitar em computadores e celulares, a escrita à mão continua presente na vida de muitos estudantes e profissionais. A prática ainda é considerada importante para o aprendizado, a memória e o desenvolvimento cognitivo. O TJ Aparecida trouxe informações sobre a importância dessa prática para o dia a dia.
Daniel Oliveira, estudante, acostumado às ferramentas tecnológicas no dia a dia, contou que ainda recorre à escrita manual em momentos importantes da rotina acadêmica: “Para eu memorizar o que eu vou falar e o que vou explicar, eu utilizo muito da escrita, porque quando eu escrevo o tema que vou explicar, acabo que, querendo ou não, memorizando ele.”
Outra estudante, Danielle Miranda, disse que aprende melhor quando escreve no papel: “Eu sou o tipo de pessoa que só aprende se estiver escrevendo. Os meus resumos são sempre feitos à mão, porque eu compreendo melhor quando eu mesma estou escrevendo”, destacou.
Nas salas de aula, professores têm incentivado a prática da escrita manual. Paola Goussain, professora de língua portuguesa, explicou que o retorno das anotações no papel ajudou os alunos até mesmo na percepção de erros gramaticais:
“O digital corrigia os acentos, por exemplo, às vezes aparecia grifada a palavra, então faltava uma vírgula ou uma concordância, e isso estava tirando deles a percepção dos desvios gramaticais. Hoje, nós já não temos isso, eles estão lendo mais, aprendendo na leitura e na escrita, reforçando aquilo que eles aprenderam”, explicou.
Segundo ela, a Lei Federal nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos em sala de aula, contribuiu para o aumento das anotações e dos resumos feitos pelos estudantes: “Os alunos estão anotando, fazendo mapas mentais e resumos, e tudo isso só vem agregar ao aprendizado”, completou.
Fernanda da Silva, psicóloga especialista em neuropsicologia, explicou que escrever à mão ativa áreas importantes do cérebro ligadas à memória, à atenção e ao raciocínio:
“A parte da escrita, faz com que eu reforce a informação melhor, porque o meu cérebro está muito mais hiperestimulado. Já o digital, o cérebro também armazena informação, porém, às vezes, não é tão consolidada quanto à escrita, porque na escrita eu estou com uma atenção concentrada mais forte, com raciocínio abstrato mais forte, e já no digital é uma coisa muito automatizada. A escrita manual, faz com que o meu cérebro trabalhe mais, então ele cria mais conexões, e ele reforça ainda mais essas conexões, porque eu exponho ele a um estímulo”, destacou a especialista.
Veja a reportagem a completa do TJ Aparecida:
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