O avanço da obesidade infantil estabeleceu um alerta global sobre o assunto. Um levantamento da UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) apontou que, pela primeira vez na história, o número de crianças e adolescentes com obesidade superou o de desnutridos em idade escolar. O TJ Aparecida trouxe detalhes e informações sobre o tema.
O relatório da UNICEF, que analisou dados de 190 países, evidenciou uma mudança no perfil nutricional mundial e reforça a necessidade de ações preventivas no ambiente familiar e social. No estudo, enquanto a desnutrição caiu de 13% para 9,2% desde os anos 2000, a obesidade infantil saltou de 3% para 9,4%. Esse crescimento está diretamente associado ao aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e ao sedentarismo, impulsionado principalmente pelo uso excessivo de telas.
Laise Ferraz, nutricionista pediátrica, reforçou o cuidado que os pais devem ter, tanto na alimentação quanto em atividades físicas, assim como o uso de telas.
“O tratamento da obesidade e a prevenção dela, é focada na família. Então, não adianta eu, como pai ou mãe, falar para o meu filho comer uma fruta. Eu tenho que ser o exemplo, eu tenho que comer com ele, é uma mudança que envolve todo mundo. O hábito da vida saudável não é só para a criança, é para a família também. Acredito que temos que mostrar o nosso prato do dia a dia, a atividade física, controlar a relação com o tempo de uso de celular, de televisão, para ser o exemplo para a criança”, explicou a especialista.
Na prática, a atividade física tem se mostrado estratégica no enfrentamento desse cenário. Em aulas e projetos esportivos, as crianças encontram não apenas uma forma de gasto energético, mas também desenvolvimento físico, emocional e social. A profissional também recomenda que o acompanhamento comece ainda no pré-natal, considerando que fatores como o ganho de peso na gestação já podem influenciar no risco de obesidade infantil.
“O mais indicado, quando a gente fala de obesidade, é pensar na prevenção. Então, um acompanhamento pediátrico desde o pré-natal é necessário. O ganho de peso excessivo na gestação já traz um risco de obesidade na criança. Pensamos na prevenção primeiro e, depois disso, o adequado seria a nossa mudança de estilo de vida”, completa a nutricionista.
Assim, o desafio contemporâneo deixa de ser apenas combater a fome e passa a envolver a promoção de hábitos saudáveis de forma integrada. A consolidação de uma cultura de saúde preventiva, com engajamento familiar e incentivo à atividade física, torna-se um ativo essencial para reverter essa tendência global.
“TJ Aparecida”, de segunda a sexta-feira, às 16h45
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