Na tarde de 13 de maio de 1981, na Praça São Pedro, no Vaticano, enquanto cumprimentava os fiéis presentes, o Papa João Paulo II sofreu um atentado.
Naquele dia, o santo pontífice fora atingido por três tiros. As imagens do Santo Padre, que caíra para trás ferido, foram transmitidas por emissoras de televisão do mundo inteiro.
O Papa fora, então, levado para o hospital, onde submeteu-se a uma operação de emergência e ficara internado por 22 dias.
Os disparos do atentado foram feitos pelo turco Mehmet Ali Agca. O autor do ataque já havia anunciado a intenção de matar João Paulo II durante a visita do pontífice à Turquia, em novembro de 1979.
Ali Agca foi detido imediatamente pela polícia italiana e condenado à prisão perpétua.

O perdão
João Paulo II perdoou Ali Agca logo após o atentado na Praça de São Pedro, dentro da ambulância que o transportava a alta velocidade até o Hospital Gemelli, pouco antes de perder os sentidos e quando julgava que ia morrer.
O papa, em seu livro “Memória e Identidade”, dedicou um capítulo, o epílogo, ao atentado e contou que, na ambulância, falou ao cardeal Dom Stanislaw que tinha perdoado o autor do atentado.
“Disse ao meu secretário, D. Stanislaw, ainda no carro, que tinha perdoado o autor do atentado. Sabia e sentia como era gravíssima a minha situação, sabia que tinha sido ferido na barriga, doía muito... Praticamente já estava do outro lado... mas senti que me iria salvar...”
PAPA JOÃO PAULO II
"Agca disparou para matar, um tiro que devia ser mortal. Ele era um assassino profissional; não foi uma iniciativa sua. Alguém o encarregou de me matar. Não tenho a menor dúvida. Disse ao meu secretário, D. Stanislaw, ainda no carro, que tinha perdoado o autor do atentado. Sabia e sentia como era gravíssima a minha situação, sabia que tinha sido ferido na barriga, doía muito... Praticamente já estava do outro lado... mas senti que me iria salvar...", escreve o Papa.
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Após 19 anos do atentado, em 2000, João Paulo II se encontrou com Ali Agca na prisão.
"Na visita à prisão, no Natal de 1983, encontrei-me a sós com Ali Agca. Queria saber por que tinha falhado o tiro. E esta inquietude levou ao problema religioso. O que era esse segredo de Fátima? Foi a única coisa que lhe interessou saber e perguntar", escreve João Paulo II.
No mesmo ano em que o Papa João Paulo II se encontrara com o autor do atentado, a Igreja revelou o terceiro segredo de Fátima. Segundo a análise do Vaticano, o segredo estaria, justamente, relacionado ao atentado contra o Papa.
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Curiosamente, os disparos contra o Santo Padre foram feitos em 13 de maio. Nossa Senhora teria feito uma de suas aparições às crianças portuguesas neste dia, anos antes. Pouco tempo depois de sua recuperação, João Paulo II foi até Fátima agradecer à Virgem Maria por ter-lhe salvado a vida.
Conforme divulgou o então secretário de Estado do Vaticano, Angelo Sodano, o terceiro mistério anunciado pela Virgem aos pastores era a imagem de um bispo vestido de branco, que caminhava entre os corpos de mártires caídos ao chão, aparentemente mortos, sob uma chuva de disparos.
A Praça de São Pedro é rodeada de imagens de santos e mártires. A revelação do mistério encerrou décadas de suposições, muitas delas relacionando o segredo a profecias apocalípticas, como o fim do mundo.
A misericórdia
O Papa João Paulo II seria canonizado no dia da Festa da Divina Misericórdia. A celebração tem grande significado na vida do pontífice.
A festa, que acontece todo Segundo Domingo da Páscoa, foi criada pelo Papa João Paulo II, de acordo com um pedido de Jesus à Santa Faustina Kowalska em uma revelação, conforme ensina a devoção à Divina Misericórdia.
O Papa João Paulo II instituiu a festa no ano 2000, por ocasião do Jubileu da Encarnação de Jesus, em que afirmou que o homem pós-moderno seria evangelizado pela misericórdia. No ano de 2005, a morte do Papa coincidiu com essa festividade.
Em 2011, João Paulo II foi beatificado pelo papa emérito Bento XVI, justamente no Domingo da Misericórdia. Sua canonização ocorreu em 27 de abril de 2014, na Praça São Pedro, Vaticano. A cerimônia histórica também ocorreu no Domingo da Divina Misericórdia, em que ele foi canonizado junto com o Papa João XXIII.
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