Por Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. - Jornal Santuário Em Artigos

Adão e Eva, pecado original, maçã, verdade ou lenda?

Olá Rodrigo (Andradas – MG), quando falamos das primeiras páginas da Bíblia não podemos dizer que são nem verdade literal, nem lenda ou folclore. A narrativa sobre os começos do mundo são textos embebidos de profundas lições teológicas e, obviamente, não são histórias factuais, mas um modo de explicar o modo de agir de Deus em relação aos homens e à natureza. Ainda que existam correntes muito tradicionalistas que insistem em entender a narrativa do Gênesis de modo literal, essa visão teológica há muito foi superada, e a teologia da Igreja Católica hoje retém dessas primeiras páginas aquilo que elas nos transmitem sobre a verdade de Deus, e não as registram como fatos verídicos, históricos ou acontecidos exatamente como estão ali colocados.

Um fato histórico precisa ter sido registrado, ter testemunhas, dele podemos recuperar sinais e detalhes. Obviamente a criação do mundo, e do homem e da mulher, não se encaixam nesse tipo de documento. Mas também não podemos dizer que é simplesmente uma lenda, já que envolve situações possíveis, emaranhados psicológicos e naturais. Uma lenda é feita de elementos fantásticos, de imaginação que extravasa o possível. Eu diria que os relatos dos primeiros momentos do homem e da mulher no mundo estão na linha da história teologizada. O que se pretende, em cada frase do Gênesis, é mostrar os pilares que regem o relacionamento da humanidade com Deus.

Quais seriam estas verdades escondidas no texto? Primeira, Deus é o Criador de tudo o que existe. Segundo: Deus criou com especial carinho os seres humanos, racionais e afetivos, e por eles nutre especial cuidados e preocupação. Terceiro: somos criados na liberdade, temos autonomia diante de Deus, e essa autonomia, mal-usada, fez com que a humanidade, representada nas origens em Adão e Eva (o que veio da terra e a mãe de todos os viventes) quebrasse a aliança original de amor, o que fez com que nascesse a raiz do pecado. Quarto: mesmo pecadores, desde as origens (por isso dizemos pecado original, ou seja, o primeiro de todos) Deus não desiste de nos redimir. Perdemos o Paraíso, mas mesmo desterrados Deus nos seguiu para auxiliar no laborioso exercício de viver e sustentar nossa existência.

Adão e Eva, ou seja, homens e mulheres, romperam o vínculo do amor incondicional, introduziram o desejo orgulhoso e desobediente de querer ser igual a Deus. Esse foi o pecado original, que nada tem a ver como a realização de atos sexuais. O fruto proibido, que não é e nunca foi dito de que espécie era (maçã, pera, uva, abacate, laranja, jaca?) nada tem a ver com sexualidade, mas com desobediência ao projeto de integração radical entre Deus-humanidade-natureza. E para dizer dessa ruptura, percebida em cada dia de nossas vidas, que ansiamos Deus e mesmo assim pecamos, o autor bíblico ilustra essa verdade como as cores da Criação de todas as coisas, inclusive do homem e da mulher. É isso!

Padre Evaldo César de Souza é diretor de produção/operação da TV Aparecida

Escrito por
Padre Evaldo César Souza, C.Ss.R, diretoria da Fundação Nossa Senhora Aparecida (FNSA) (TV Aparecida)
Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. - Jornal Santuário

Redentorista, membro da Província de São Paulo, graduado em Filosofia, Teologia e Jornalismo e pós-graduado em Gestão Executiva de Televisão (FAAP). Escreve para a Editora Santuário e para a editoria 'Santuários'.

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