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Adão e Eva, pecado original, maçã, verdade ou lenda?

Padre Evaldo César Souza, C.Ss.R, diretoria da Fundação Nossa Senhora Aparecida (FNSA) (TV Aparecida)

Escrito por Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. - Jornal Santuário

25 JAN 2021 - 11H00 (Atualizada em 25 JAN 2021 - 14H16)

Shutterstock adao-eva (Shutterstock)

Quando falamos das primeiras páginas da Bíblia, não podemos dizer que são nem verdade literal, nem lenda ou folclore. A narrativa sobre os começos do mundo são textos embebidos de profundas lições teológicas e, obviamente, não são histórias factuais, mas um modo de explicar o de agir de Deus em relação aos homens e à natureza.

Ainda que existam correntes muito tradicionalistas, que insistem em entender a narrativa do Gênesis de modo literal, essa visão teológica há muito foi superada, e a teologia da Igreja Católica hoje retém dessas primeiras páginas aquilo que elas nos transmitem sobre a verdade de Deus, e não as registram como fatos verídicos, históricos ou acontecidos exatamente como estão ali colocados.

Leia MaisA Espiritualidade da AlegriaUm fato histórico precisa ter sido registrado, ter testemunhas, dele podemos recuperar sinais e detalhes. Obviamente, a criação do mundo, e do homem e da mulher, não se encaixam nesse tipo de documento. Mas também não podemos dizer que é simplesmente uma lenda, já que envolve situações possíveis, emaranhados psicológicos e naturais.

Uma lenda é feita de elementos fantásticos, de imaginação que extravasa o possível. Eu diria que os relatos dos primeiros momentos do homem e da mulher no mundo estão na linha da história teologizada. O que se pretende, em cada frase do Gênesis, é mostrar os pilares que regem o relacionamento da humanidade com Deus.

Quais seriam estas verdades escondidas no texto?

Primeiro: Deus é o Criador de tudo o que existe.

Segundo: Deus criou com especial carinho os seres humanos, racionais e afetivos, e por eles nutre especial cuidados e preocupação.

Terceiro: somos criados na liberdade, temos autonomia diante de Deus, e essa autonomia, mal-usada, fez com que a humanidade, representada nas origens em Adão e Eva (o que veio da terra e a mãe de todos os viventes) quebrasse a aliança original de amor, o que fez com que nascesse a raiz do pecado.

Quarto: mesmo pecadores, desde as origens (por isso dizemos pecado original, ou seja, o primeiro de todos) Deus não desiste de nos redimir. Perdemos o Paraíso, mas mesmo desterrados, Deus nos seguiu para auxiliar no laborioso exercício de viver e sustentar nossa existência.

Adão e Eva, ou seja, homens e mulheres, romperam o vínculo do amor incondicional, introduziram o desejo orgulhoso e desobediente de querer ser igual a Deus. Esse foi o pecado original, que nada tem a ver como a realização de atos sexuais. O fruto proibido, que não é - e nunca foi dito de que espécie era (maçã, pera, uva, abacate, laranja, jaca?) nada tem a ver com sexualidade, mas com desobediência ao projeto de integração radical entre Deus-humanidade-natureza. E para dizer dessa ruptura, percebida em cada dia de nossas vidas em que ansiamos Deus e, mesmo assim, pecamos, o autor bíblico ilustra essa verdade como as cores da Criação de todas as coisas, inclusive do homem e da mulher.

É isso!

Escrito por
Padre Evaldo César Souza, C.Ss.R, diretoria da Fundação Nossa Senhora Aparecida (FNSA) (TV Aparecida)
Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. - Jornal Santuário

Jornalista e missionário redentorista

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