Por Redação A12 Em Artigos Atualizada em 12 FEV 2020 - 15H35

É preciso ter esperança


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Acredito que todos já questionamos o porquê de a vida ser tão complicada, algo como se se tratasse simplesmente de uma característica inerente ao “viver”.

Viver é complicado! É? Se pararmos para pensar, talvez acabemos dando conta de que essas complicações não brotam do nada. Elas costumam vir de escolhas que fizemos e atitudes que tomamos. Mas, mesmo assim, designamos a responsabilidade dos resultados ao aleatório da vida. Provavelmente por ser de fácil compreensão, ou pior, de aceitação. Afinal, ninguém quer se responsabilizar pelas confusões vividas.

Leia MaisO individualismo Para começar... nada demaisAnálises e blá-blá-blá?Deixar crescer e florescer Acontece que se torna difícil descomplicar, quando não admitimos o real motivo da complicação. E não somos peões do destino. Somos a mão que movimenta as peças do tabuleiro onde cada jogada é pensada, porém nem sempre bem pensada...

Diante disso, precisamos aprender a descomplicar. Muitas vezes só precisamos deixar acontecer, esperar pela ação do tempo, observar à distância, respirar fundo, pensar. A ânsia pelo “logo”, pelo “agora” nos faz tomar atitudes com consequências não previstas. Prazeres de momento podem refletir negativamente por muito tempo.

E eu sei que pode não fazer muito sentido falar que precisamos deixar acontecer ao mesmo tempo em que devemos ser a mão que move as peças. Mas veja bem: no jogo de xadrez você não move peças para tentar acabar o jogo o mais rápido possível. Você respeita o tempo do oponente, observa suas jogadas, analisa possibilidades, respeita seu próprio tempo de estar pronto para a jogada seguinte e então faz o movimento. Há um objetivo nesse jogo, que está longe de ser o de pronto término. Assumir nosso papel no milagre da existência também é saber a hora certa de tomar decisões. É se auto-conscientizar de que uma decisão pode não ter o desfecho esperado. E justificar a casualidade – hora contingente, hora necessária – não vai tornar nada mais fácil.

Podemos não perceber, mas propiciamos nosso próprio sofrimento. Ignoramos sinais e verdades absolutas. Arriscamos acreditando que somos invencíveis, mas não o somos. Somos de carne e osso, e nosso coração não é de pedra, como por vezes narrado na literatura. Analisando o cenário, a melhor observação que você fará é: “me meti em uma baita de uma encrenca!” E essa é a melhor observação, simplesmente pelo fato de ser você assumindo a responsabilidade por isso. Logo, terá de procurar formas de sair dela. Não precisa ter pressa, a calma é o segredo. A pressa é inimiga da perfeição, lembra?

Se neste momento você enfrenta uma dessas situações complicadas, saiba que elas não duram para sempre. Talvez pareça ser o fim do mundo, algo de solução não provisionada no mais profundo daquela maquininha de criar soluções, chamada consciência... e quiçá até lhe falte esperança. Sei bem como é. Mas sobrevivemos, superamos e encontramos uma saída, que nem sempre é a que esperávamos, o que não é necessariamente ruim. A vida não é complicada; viver sim! E é isso que torna o ato do dia a dia sempre surpreendente. E a isso temos de nos acostumar. Pesquise e leia a oração da serenidade (eu a conheço por esse nome), pois ela sintetiza em poucas palavras tudo o que verbalizei. É preciso ter esperança.

Caiene Cassoli
Autora do livro “O poder de mudar hábitos”
Editora Ideias & Letras

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