Por Redação A12 Em Artigos Atualizada em 22 MAR 2019 - 09H44

Mais liberdade, por favor

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Às vezes, pergunto-me por que ser diferente, em muitos momentos, é ser estranho. Claro, há as ditas exceções. Sempre tem alguém que se destaca por alguma performance fora do comum, alguma característica ou algo que sabe fazer; enfim, por qualquer motivo. Mas a maioria, não.

E parando para pensar, isso acontece desde a infância. Como naquela atividade da escola em que você deve desenhar uma casa e todos desenham aquela versão com formas geométricas, a árvore ao lado e aqueles pássaros acima da casa que, na verdade, não passam de alguns riscos.

Penso que se eu tivesse tido outros tipos de incentivos na infância, hoje seria capaz de tanta coisa! Pergunto-me qual o nível de criatividade que eu teria desenvolvido, quantas coisas eu teria tido coragem de fazer, quantos medos eu não teria deixado me bloquear.

Leia MaisNão espere a sexta para sextarSe você também parar para pensar, vai encontrar tantos deles, tantos bloqueios: de criação materna ou paterna, de ensino infantil, de mídias. Tantas coisas que fizeram você ter medo de quem realmente é.

Já se perguntou o quanto de você é seu e o quanto é dos outros? Se tivesse a oportunidade de fazer algo diferente, o que faria? Se pudesse tirar de você, como se estivesse tirando uma roupa, tudo aquilo que incorporou, mas que não o representa, quanto sobraria?

É engraçado pensar que somos moldados desde o nascimento; são tantas influências! E é comum explicarmos o motivo de algo que fazemos, usando outros como resposta. Cansa só de pensar que carregamos tanta bagagem alheia nas costas, em nossa personalidade, em nossas escolhas. Dá preguiça de seguir em frente, uma vontade de gritar bem alto e mandar todo mundo “catar coquinho na ladeira”: “Deixe-me viver em paz!”

Não sei se tem jeito, depois de “velho”; espero que sim, pois ainda não sou a pessoa que eu gostaria de ser. Trabalho nisso todos os dias e faço o possível para 'ser mais eu' do que os outros. Mas, depois de tantos anos, é difícil. Torço para que você possa tentar fazer o mesmo, um pouco de cada vez. Enquanto isso, vou tentando não ser um bloqueio para meu filho. Que ele possa ser criativo, saber que ser diferente não é ruim, que ele é maravilhoso do jeito que é.

Quiçá sejamos todos assim como nossas crianças; não hipoteticamente, mas de fato. Afinal, elas ainda têm futuro e não merecem crescer dentro de caixinhas apertadas e abarrotadas de preconceitos, julgamentos e padrões.

Nada de entraves. Mais liberdade, por favor.

Caiene Cassoli
Autora do livro “O poder de mudar hábitos”
Editora Ideias e Letras

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