Por Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 15 JAN 2019 - 09H57

Um Cristão Político em 2019

No dia 1º de janeiro de 2019, entramos em um novo período político em nosso país. Quando nos desejamos um Feliz Ano Novo, nosso primeiro desejo deveria ser a superação da intolerância que marcou as eleições do ano passado. As divergências de projetos políticos jamais devem comprometer o respeito mútuo, a colaboração em tudo aquilo que for a favor do povo pobre e até a oposição inteligente. Seria demasiada pobreza de espírito manter inimizades políticas ou continuar demonizando quem pensa diferente.

Apesar de todas as suas imperfeições, ainda é a democracia a única forma legal de salvar um pequeno espaço onde o povo pode se manifestar. Qualquer outro tipo de governo, de esquerda ou de direita, será sempre um totalitarismo perigoso, e já cruelmente experimentado.

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Antes de sermos políticos, temos de ser cristãos, sempre solidários com os menos favorecidos.


A mobilização política que tomou conta do país, por meio, principalmente, das redes sociais, deveria continuar ao longo dos próximos anos em forma de vigilância contínua sobre as políticas públicas que serão implementadas. De fato, são essas políticas públicas que revelam as opções do governo, delimitam seus orçamentos e favorecem determinados setores da vida social. Um governo que promovesse apenas privatizações de serviços públicos, facilitasse benefícios fiscais para classes ricas e leiloasse as riquezas naturais do país iria favorecer apenas uma economia do lucro de pessoas e de empresas privilegiadas, sacrificando, inevitavelmente, as políticas públicas dos serviços básicos ao povo.

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Por isso, 2019 será um ano em que os membros das comunidades cristãs devem deixar em segundo plano suas opções partidárias e se unirem todos ao redor de uma opção preferencial pelos pobres, como empenho de sua fé em Jesus Cristo.

Antes de sermos políticos, temos de ser cristãos, sempre solidários com os menos favorecidos. Diferenças e divergências devem ceder o espaço à virtude da justiça, que antecede e prevalece sobre as leis civis. Ainda temos de lutar muito pela igualdade social e pela dignidade de todos, que são os fundamentos da vida em sociedade. Sem esse empenho, nosso amor ao próximo jamais será evangélico, ou seja, de acordo com o Evangelho.

Para que isso aconteça, é indispensável uma renúncia radical às propostas de solução que envolvam qualquer tipo de violência. O caminho para a segurança social passa, primeiramente, pela fome e sede de justiça, jamais pela eliminação do violento. Até porque a violência maior é, sistematicamente, praticada pelos poderosos, pelos gananciosos e corruptos, que sempre conseguem escapar de punições, fazendo-as recair sobre os pobres, os jovens e principalmente os negros. Portanto, nosso desafio cristão será promover políticas públicas justas, que correspondam às necessidades dos pobres e marginalizados.

E o caminho será sempre o do diálogo e da reivindicação insistente, mas pacífica. Vamos continuar a sonhar juntos e dar passos, ainda que diminutos, na construção de uma sociedade mais humana e solidária. Se todos aqueles que se denominam cristãos assumissem o empenho de fé em favor da honestidade e do direito, certamente o Reino de Deus, anunciado por Jesus, começaria desde agora a sinalizar a presença de um “novo céu e uma nova terra”.

Escrito por
Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R. (Aquivo redentorista)
Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R.

Missionário Redentorista e Reitor do Santuário Nossa Senhora da Conceição, em Recife (PE)

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