Por André Somensari Em Notícias Atualizada em 06 AGO 2019 - 16H54

Livro reflete sobre a conversão pastoral na Igreja Católica

Desde a Conferência de Aparecida, realizada pelo Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM), em 2007, no Santuário Nacional, uma nova expressão entrou para o linguajar eclesial católico: “conversão pastoral”.

Mas o que ela significa?

Trocando em miúdos, é alterar os modos de organização e atuação da Igreja, visando a uma ação mais missionária e menos voltada para si própria, tendo em vista os novos contextos advindos com as mudanças sociais consolidadas.

Acompanhando essas mudanças sociais e apontando caminhos para a concreta conversão pastoral da Igreja, o escritor Ronaldo José de Sousa lança, pela Editora Santuário, o livro Remendo novo em pano velho: obstáculos e possibilidades de conversão pastoral na Igreja Católica.

A equipe do Jornal Santuário conversou com o autor, que deu mais detalhes de sua nova obra:

O senhor acaba de lançar o livro “Remendo novo em pano velho”. O que o motivou a escrevê-lo? O que ele aborda?


Reprodução/Editora Santuário
Reprodução/Editora Santuário

Ronaldo José de Sousa – Escrevi o livro “Remendo novo em pano velho” para apresentar algumas razões pelas quais a “conversão pastoral”, algo tão pleiteado, discutido e divulgado na Igreja Católica, na prática, pouco se concretiza. Todos os capítulos convergem para uma possível resposta, traduzida na expressão evangélica “remendo novo em pano velho” (Mt 9,16). Isso porque o que procuro demonstrar é que a conversão pastoral é uma novidade impossível de se efetivar, sem haver uma renovação da estrutura eclesial, uma espécie de mudança radical, visto que os tempos também mudaram radicalmente.

Usando a metáfora bíblica: remendo novo (conversão pastoral) não se põe em tecido velho (velha estrutura), pareceu-me bom esforçar-me para, ao menos, oferecer algumas pistas que ajudem a elucidar o que está obstruindo a conversão pastoral na Igreja Católica, mostrando algumas iniciativas de vanguarda, cujas consequências abririam maiores possibilidades de fazê-la acontecer. O que me motivou a escrever o livro, portanto, foi o bem da Igreja Católica – a quem pertenço com alegria –, o desejo de alertar para os perigos de um discurso sem prática e para a necessidade de uma nova postura, para que o rasgo não se torne maior.

Leia MaisLivro “Mãos de Maria” apresenta testemunhos de fé de nosso povoNo livro, em diversas vezes, é utilizada a expressão “conversão pastoral”. Fale mais sobre ela.

Ronaldo Sousa – O Conselho Episcopal Latino-Americano (2008, n. 366) advertiu que “os bispos, presbíteros, diáconos permanentes, consagrados e consagradas, leigos e leigas são chamados a assumir uma atitude de permanente conversão pastoral, que envolve escutar com atenção e discernir 'o que o Espírito está dizendo às Igrejas' (Ap 2,29), por meio dos sinais dos tempos, nos quais Deus se manifesta”.

Na prática, converter-se pastoralmente significaria alterar os modos de organização e a atuação da Igreja, visando a uma ação mais missionária e menos voltada para si própria, tendo em vista as mudanças sociais consolidadas no final do segundo milênio, notadamente aqueles promovidos pelo uso massificado das tecnologias da informação. A questão que se põe é como isso pode acontecer, enigma que procuro desvendar no livro.

O conteúdo do livro é dividido em cinco partes. A primeira leva o nome de “Quem quiser salvar sua paróquia vai perdê-la”. Explique-nos o uso dessa expressão e o que essa parte do livro aborda.

Ronaldo Sousa – Essa parte do livro trata da crise em que entrou a paróquia com o advento da sociedade urbana, uma vez que o sistema tradicional que a sustentava sofreu um completo desmantelamento. As mudanças sociais fizeram com que a paróquia – com sua estrutura territorial, vertical e centralista – sofresse um verdadeiro colapso, principalmente por causa da dificuldade de agregar novos membros e a facilidade de perder os antigos.

A meu ver, os esforços para suprir essa defasagem, assim como as numerosas adaptações feitas até aqui, ainda não conseguiram alterar a imagem de conjunto dessa instituição milenar, pelo fato de que a maioria dos agentes não mensura a profundidade de suas deficiências nem se emancipou dos conceitos e das categorias tradicionais, permanecendo apegada aos modelos do passado. Por isso, eu alerto para a necessidade de ter a coragem de mudar o que não funciona mais, revisando tudo em vista da nova evangelização. Quem quiser salvar sua paróquia, ou seja, manter sua estrutura arcaica, irá perdê-la.

Aqueles que permanecerem apegados às categorias mentais antigas, aos modelos pré-estabelecidos e ao arcaísmo estrutural da paróquia, muito provavelmente, continuarão vendo-a esvaecer-se. Porém, os que se abrirem para acolher as novas realidades, sem arvorar-se em dizer como elas devem ser antes que se estabeleçam legitimamente, têm maiores chances de contribuir para uma efetiva renovação paroquial. Em outras palavras: quem não se importar em “perder” a paróquia irá recobrá-la com novo dinamismo e fecundidade (Mt 16,25).

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