Por João Antônio Johas - Jovens de Maria Em Crescendo na Fé Atualizada em 03 ABR 2019 - 14H53

A boca fala do que o coração está cheio

Existe um ditado que diz: Ninguém dá o que não tem. É um bom ditado, que nos ajuda a ser conscientes de que para fazer algum bem no mundo, precisamos primeiro possuir esse bem em nosso interior. Assim, se queremos transformar o mundo, precisamos transformar primeiro o nosso próprio mundo interior. Por outro lado, um segundo ditado, derivado desse, também ilumina a nossa vida: Daremos ao mundo somente aquilo que possuímos. Parece meio óbvio a princípio, mas vale a pena pensar um pouco sobre isso.

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O ser humano é um ser que se relaciona e, em maior ou menor medida, todos entramos em contato com outras pessoas, com o mundo em geral. Mas quem é esse “eu” que está se encontrando com o mundo? O que estou aportando nas minhas relações? Se pararmos para pensar em nosso dia a dia, veremos que existe realmente uma relação direta entre o que está dentro de mim e o que se expressa aos demais.

Se meu interior está confuso, essa confusão passará para fora, mesmo que tentemos escondê-la. Se estamos em paz conosco mesmo, essa paz também se transmitirá. Jesus mesmo disse que de árvore boa saem frutos bons e de árvores más saem frutos maus, ou que a boca fala do que abunda no coração. Uma boa pergunta, então, de se responder é: O que abunda em meu coração?

 

A possibilidade de conversão é algo maravilhoso, porque nos dá a esperança de poder mudar aquilo que está em nossos corações. 

Os nossos assuntos, nossos interesses, a nossa maneira de ocupar o tempo, podem ser fontes valiosas de informações sobre nosso interior. Sobre o que eu me sinto à vontade falando? Quais são os assuntos que me deixam desconfortáveis? E porque me deixam desconfortáveis? Uma vez que passamos a nos questionar e a buscar responder com sinceridade esses questionamentos, começamos a ser mais donos de nós mesmos, começamos uma jornada que para nós, cristãos, precisa nos levar à conversão.

Como assim? É que ao entrar em nós mesmos, vamos nos dando conta de tudo aquilo que nos sobra em relação a Jesus e que, portanto, precisamos perder e percebemos também tudo aquilo que nos falta com relação a Ele, e que precisamos conseguir. É a dinâmica do despojar e revestir que nos diz São Paulo, é a dinâmica da conversão.

E a possibilidade de conversão é algo maravilhoso porque nos dá a esperança de poder mudar aquilo que está em nossos corações. Sabemos que lá, muitas vezes abunda o pecado, mas sabemos também que onde abunda o pecado, superabunda a Graça de Deus. Em outras palavras, se é verdade que olhando no nosso interior podemos ver várias arvorezinhas ruins (E talvez árvores que não sejam tão pequenas assim), também é verdade que, pouco a pouco, com a nossa cooperação e principalmente com a Graça de Deus, elas podem ir sendo substituídas por belas árvores, com ótimos frutos. E é exatamente isso que Deus espera de cada um de nós, é isso que somos chamados a ser.

Não podemos impedir o nosso interior. Ele vai se mostrar cada vez que dialogamos com alguém, cada vez que fazemos alguma coisa. O que podemos fazer é ir trabalhando esse interior para que ele seja cada vez mais parecido com o de Jesus, para que o que transborde de nossa vida seja o bem, a paz, a reconciliação de Deus e que muitos possam se beneficiar, e não o contrário, com aquilo que levamos dentro de nós.


Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas - Jovens de Maria

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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