Por João Antônio Johas Leão Em Crescendo na Fé Atualizada em 24 JUL 2020 - 17H38

Como saber se algo é vontade de Deus?

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Imaginemos que, em certo momento da vida, olhamos para nós mesmos, para o mundo e nos perguntemos: “O que eu devo fazer? Para onde devo caminhar para ser feliz e viver uma vida plena?”. Se você passa por essa experiência, é porque algo diferente aí dentro te inquieta, te exige algo a mais que uma vida ordinária, comum. Parabéns! Poucos são os que seriamente se fazem essas perguntas hoje em dia.

Mas não adianta fazer as perguntas, é preciso respondê-las. Uma aparente dificuldade de conseguir essas respostas que preenchem a nossa vida de sentido pode ser um dos motivos pelos quais já nem se fazem as perguntas. Mas será tão difícil assim?

Os católicos possuem, de antemão, a resposta perfeita. Precisamos fazer a vontade de Deus. E é verdade. Mas como descobrir qual é essa vontade? Aqui, talvez, é quando começam as dificuldades, mas não tenhamos medo e avencemos um pouco mais. De fato, não somos os primeiros a ter essa experiência. Já no Evangelho está narrada a história de um jovem que busca o Senhor e lhe pergunta: “Senhor o que devo fazer para entrar na vida eterna?” O Senhor Jesus responde, com simplicidade, que cumpra os mandamentos, coisa que o jovem já fazia desde muito pequeno (Lc 18, 18-23).

A vontade de Deus não é algo mágico, esotérico ou que está trancafiada debaixo de sete chaves, onde somente os mais sagazes conseguem chegar. É totalmente o contrário disso. É certo que, por nós mesmos, nunca conseguiríamos descobrir essa vontade, mas Deus a vem revelando a nós desde muito tempo.

Um momento importante dessa revelação se dá quando Ele entrega os 10 mandamentos para Moisés. O decálogo é expressão da vontade de Deus e, se tomado em sério, já é um programa para toda uma vida. Em outras palavras, se levamos ao nosso dia a dia o que está ali, cumpriríamos a vontade de Deus.

 
Shutterstock/Por talitha_it
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Deus nos chama a coisas grandes, a uma vida plena, e nós, acostumados ao dia a dia, podemos nos assustar.

Tomemos o primeiro mandamento como um exemplo. Amar a Deus sobre todas as coisas. Se pensamos que em todas as situações cotidianas, podemos nos perguntar por nossa intenção para saber se estamos agindo por amor a Deus ou por amor a qualquer outra coisa que não Ele, perceberemos que só nesse primeiro mandamento temos muito para praticar a vontade de Deus. Todos os outros 9 mandamentos também podem (e devem) permear toda a nossa vida e nossas decisões diárias. Certamente, tê-los em consideração ao tomar qualquer decisão já é um avanço enorme no desejo de cumprir a vontade de Deus.

Mas a história do jovem não para aí, porque ele já pratica esses mandamentos desde pequeno (o que para mim já é muito de se admirar) e, mesmo assim, experimenta uma necessidade de algo a mais. Nessa ocasião, Jesus pede que o jovem venda tudo o que possui, dê o dinheiro aos pobres e depois o siga. Essa vontade de Deus, assim tal qual, não está escrita no decálogo. Não existe um mandamento que diga: “Venda tudo e siga Jesus”. Mas era essa a vontade de Deus nesse caso específico.

Na nossa vida também podem se dar ocasiões semelhantes à desse jovem, e precisamos ser bem reverentes com elas. Experimentamos em nosso interior muitos desejos, possuímos sonhos, percebemos que somos bons para algumas coisas específicas e tudo isso está aí por uma razão, que talvez ainda seja desconhecida. Essa razão é que Deus pensou em cada um de nós para uma missão específica nesse mundo, uma missão que tem duas faces: nos realizará como pessoas e ajudará a que o mundo conheça melhor o amor de Deus. 




E realmente não podemos olhar os 10 mandamentos à procura da nossa vocação específica. 
Quero dizer, lá não está escrito que João (Ana, Matheus ou quem seja) está chamado ao matrimônio ou à vida consagrada ou ao sacerdócio. Se voltarmos à passagem do Jovem, podemos entender que isso se descobre conversando com Jesus, como ele fez. Por isso é tão importante uma vida intensa de oração, porque é por aí que vamos crescendo em intimidade com Deus e vamos escutando cada vez melhor a sua voz. Vamos afinando a nossa capacidade de perceber sua mão nos conduzindo e mostrando-nos o caminho. E vamos entendendo como todas essas inquietudes interiores, tão próprias, têm uma razão de ser e um caminho por onde serão respondidas.

Também aqui não existe nada de mágico e muito escondido. Deus quer que descubramos nossa vocação, talvez mais do que nós mesmos a queremos encontrar. É só pensar no caso do jovem que, ao descobrir o chamado do Senhor, acaba voltando triste porque não quis dar o passo que Ele pediu. Deus nos chama a coisas grandes, a uma vida plena, e nós, acostumados ao dia a dia, podemos nos assustar. Mas em responder esse chamado está a nossa felicidade, seja ele qual for.


Escrito por
João Antonio Johas Leão (Arquivo pessoal)
João Antônio Johas Leão

Licenciado em filosofia, mestre em direito e pedagogo em formação. Pós-graduado em antropologia cristã e entusiasta de pensar em que significa ser cristão hoje.

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