Crescendo na Fé

São Padre Pio e nós

José Duarte de Barros Filho

Escrito por José Duarte de Barros Filho

23 SET 2021 - 08H14 (Atualizada em 23 SET 2021 - 08H50)

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Francisco Forgione nasceu em 25 de maio de 1887, em Pietrelcina, Itália. Recebeu dons incomuns de Deus e levou uma vida santa. Faleceu em 23 de setembro de 1968, aos 81 anos, no Convento de San Giovanni Rotondo, Itália. Foi canonizado em 1999. Necessário este resumo, pois sua vida é tarefa para livros, filmes e documentários. Só é possível citar aqui alguns aspectos da sua vida, e destacar daí ideias para meditações mais profundas…

Padre Pio foi batizado um dia após o seu nascimento. Aos 12 anos, recebeu a Eucaristia e a Crisma. Desde criança, via constantemente Nossa Senhora, o Menino Jesus e o seu Anjo da Guarda. Em 1916, foi para o convento, onde ficou até a morte. Apesar de nunca sair dali, vários foram os milagres da sua bilocação.

Curou doentes milagrosamente; passava 14 horas por dia atendendo às confissões – e tinha o dom de perceber se havia arrependimento verdadeiro ou não, bem como o de “ver” a condição espiritual das almas das pessoas. Foi várias vezes agredido fisicamente (não apenas espiritualmente, nas tentações) pelo diabo. Por inspiração divina, construiu um hospital, a Casa Alívio do Sofrimento, referência de excelência na Itália. Tinha o dom da levitação e dos perfumes que exalava, entre outros. Deixou num lenço de um de seus fiéis a impressão do seu rosto, de um lado, e do rosto de Jesus, do outro, de um modo que a Ciência considera, irrefutavelmente, impossível de terem sido feitas por ação humana. Seu corpo está incorrupto.

AM113/ Shutterstock
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Jesus e Maria, que apareceram a ele quando ele recebeu pela primeira vez as chagas de Cristo, em 1910, aos 23 anos, durante um período de convalescença em casa. Desejando não chamar atenção para si, suplicou a Deus para lhe tirar tais sinais externos – que então sumiram. Por 50 anos, de 1918 a 1968, os estigmas o fizeram sofrer muito: não só agonia física (incluindo os que queriam tocar neles), mas também psicológica e espiritual.

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- Infográfico: São Pio de Pietrelcina, um santo extraordinário do século XX

Por causa deles, sofreu insultos, calúnias, foi investigado sob acusação de fraude (até mesmo por um bispo), de que comprara ácido carbólico para fazer as feridas nas próprias mãos. Mas este ácido cauteriza, e não permitiria que sangrassem abundantemente, como acontecia (médicos concluíram que tal hemorragia mataria qualquer um por anemia aguda). Assim, entre os anos de 1922 e 1933, o Vaticano publicou cinco decretos alertando o público sobre o Padre Pio.

A Santa Sé o restringiu de ouvir confissões e de celebrar a Missa em público (quando inúmeras vezes caía em êxtase durante a Consagração). Pe. Pio não entendia por que as autoridades da Igreja o estavam punindo, mas permaneceu obediente e nunca protestou, rezando e oferecendo seu sofrimento em favor dos outros. Médicos que realizaram exames em suas chagas disseram que se tratava de algo sobrenatural.

Renata Sedmakova/ Shutterstock
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Pe. Pio foi o primeiro sacerdote da História a receber os estigmas de Cristo. Isto nos leva a pensar na crise de parte do clero atual… Talvez um aviso de Deus sobre qual o caminho verdadeiro: qual o motivo de tantos dons e merecimentos deste santo?

Algumas indicações seriam, e não só para consagrados:

1) Tudo suportava pela salvação das almas. Ele entendeu que seus sacrifícios pessoais, oferecidos por amor em união com os de Cristo crucificado, poderiam ajudar a aliviar os sofrimentos dos outros, e desejou ardentemente oferecer-se como vítima pelos pecadores e almas do Purgatório.

2) Mesmo com o seu ministério sacerdotal atacado por calúnias, soube distinguir que vinham da parte de alguns da Igreja, e não da Igreja como tal, à qual continuou a amar e servir exemplarmente;

3) Era devotíssimo de Nossa Senhora, entregava-Lhe todas as suas ações. Incitava todos os católicos a "amar a Senhora e a rezar o Rosário, porque o Rosário é a arma contra os males do mundo."

Ou seja: amar os irmãos a ponto de, com Cristo, oferecer-se por eles, em total abandono a Nossa Senhora, sem jamais se afastar da Igreja, mesmo diante das iniquidades humanas – simplesmente o básico da nossa fé, mas vivido de forma radical, sim, e coerente… O mesmo que devemos fazer em cada vocação particular (por isso os santos são exemplos de vida). A arma contra os males do mundo, atual e para o futuro.


Oração:

Ó Deus, que em São Pio de Pietrelcina, sacerdote capuchinho, tens doado insigne privilégio de participar, de modo admirável, da Paixão de teu Filho, concede-me por sua intercessão a graça (dizer a graça) que ardentemente desejo e, sobretudo, dá-me mergulhar na morte de Jesus para alcançar também a glória da ressurreição. (Rezar três Glórias ao Pai)

Escrito por
José Duarte de Barros Filho
José Duarte de Barros Filho

Biólogo, PhD em Zoologia pela UERJ, Pós-Graduado em Ensino Religioso (UCP), e integrante do Movimento de Vida Cristã, onde atua principalmente nas atividades do Centro de Estudos Culturais.

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