Por Eligio W. Junior Em Dica de Cinema

Dica de Cinema: Lincoln, uma luta ainda longe de seu final

A escravidão foi, é, e sempre será umas das práticas sociais mais atrozes e desumanas que um homem pode infligir a seus semelhantes! 

Esta afirmação pode soar estranha em pleno século XXI, mas basta acompanharmos os noticiários para descobrir que ela nunca deixou de existir, seja da forma mais violenta possível, ou da mais velada, com operários trabalhando interruptamente, sob condições precárias, abusivas e ilegais. E apesar de abordar uma história ocorrida há alguns séculos, Lincoln debate este tema, até agora, muito relevante e importante.

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Abraham Lincoln, décimo sexto presidente eleito dos Estados Unidos - e o primeiro presidente pelo Partido Republicano -, entrou para a história como o líder que venceu, do lado da União, a Guerra Civil – ou Guerra de Secessão. E, não só deu fim a uma batalha que ceifou a vida de mais de 500 mil soldados, como também conseguiu, após a guerra, fazer ser aprovada a 13ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos e com ela, a proibição oficial e contínua da escravatura e da servidão involuntária. 

O belo roteiro de Tony Kushner (Munique) e a suave direção de Spielberg (Cavalo de Guerra) constroem a ambientação perfeita para compreendermos – obviamente, que apenas sob um prisma – a importância das ações tomadas por Lincoln e o custo que elas tiveram em sua própria vida. A partir de ótimas sequências e atuações de gala, Spielberg entrega sua visão acerca de um homem nobre e inspirador, que conseguiu o inimaginável em seu tempo. Como em uma tela de Caravaggio, Lincoln é “pintado” em planos escuros que transpiram uma realidade triste, tensa e pesada. Uma assertiva fotografia de Janusz Kaminski (Ponte dos Espiões), que ressalta a impecável direção de arte e figurino. 

A obra é, também, um clássico exemplo do poder que um casting possui sobre o sucesso da narrativa! Daniel Day-Lewis (Sangue Negro) se entrega de corpo e alma ao papel que lhe rendeu um Oscar e exigiu uma das – se não a – melhores atuações de toda a sua carreira. E para deleite dos que apreciam a sétima arte, o longa não depende apenas de Lewis. Todas as personagens de maior relevância crescem aos poucos e organicamente, como Thaddeus Stevens (Tommy Lee Jones, MIB) no apaixonado discurso durante a votação da emenda, e Mary Todd Lincoln (Sally Field, O Espetacular Homem Aranha) explodindo em lágrimas e raiva da forma correta e no timming ideal. 

Ao som das belas notas de piano de John Williams (Star Wars: O Despertar da Força), viajamos no tempo e mesmo vivendo a milhares de quilômetros daquele Tio Sam, acompanhamos a dor dos que sofreram de forma tão bruta e refletimos sobre a grande mazela deixada pela escravidão tanto lá, quanto aqui: o racismo

Sim, o racismo ainda existe explicitamente e também em subcamadas tão arraigadas em nossa cultura, que sequer conseguimos percebê-lo. Para isso, faça a si mesmo a seguinte pergunta lógica: por que a maioria dos líderes do setor público e privado não são negros, em um Brasil onde estes, segundo dados divulgados pelo IBGE em 2014, representam 53% da população total?

Assista ao trailer oficial de Lincoln: 

eligio JM

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