Por Elígio Junior Em Dica de Cinema Atualizada em 26 SET 2017 - 15H35

Dica de Cinema: Little Boy

Filmes sobre guerra existem às centenas. Muitos apenas preocupados em grandes sequências de explosões e mortes, enquanto que uma minoria focada em causar comoção e propor reflexão aos espectadores. 

Little Boy - Além do Impossível, é, desde sua essência, um filme diferente! Apesar de ambientado na minúscula cidade norte americana O’Hare, Califórnia, totalmente falado em inglês e interpretado por uma grande maioria de atores nascidos nas terras do Tio Sam, o longa foi dirigido pelo mexicano Alejandro Monteverde (Bella), filmado em Los Cabos, México e produzido por um estúdio da terra da tequila, o Baja Film Studios.

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Na história, Pepper Flynt Busbee (Jakob Salvati) é um menino criativo e sonhador, que sofre de constante bullying por não crescer no mesmo ritmo que as demais crianças de sua idade – daí nasce apelido “little boy”. Além de perseguido nas ruas, o pequeno protagonista sofre ainda de deboches domésticos de London (David Henrie), o irmão mais velho, metido a valentão. Desta forma, Pepper encontra refúgio e segurança somente com seu pai e parceiro James (Michael Rapaport). Com ele vive as aventuras mais perigosas e honradas possíveis, mesmo que em um mundo de faz de contas e tons saturados. Andrew Cadelago, animador digital de Procurando Dory, imprime uma linda fotografia amarelada à obra, ressaltando a característica temporal e fantasiosa da mesma.

A vida do carismático protagonista segue de forma tranquila e feliz, até que os japoneses bombardeiam Pearl Harbor levando os americanos, e o pai herói, à II Guerra Mundial. Para honrar sua família e país, James se alista no lugar do primogênito impedido de ir à guerra e nela, se torna um prisioneiro lutando por sobrevivência.

 

Não temos o direito de julgar e perseguir alguém, pelo fato deste ter a mesma face de um inimigo.

Little Boy brinca com coincidências e metalinguagem, pautado em um ótimo texto, um elenco afinado e uma direção de arte impecável. A premissa do longa é simples, porém empoderada de assuntos delicados como a fé, intolerância, amizade e a esperança.

Apesar de não se tratar de um grande épico, o filme é muito bem executado. Cada um dos personagens principais possui seu devido tempo de desenvolvimento e o crescimento de todos ao longo da narrativa ocorre na dose perfeita. E como crescem! Pepper aprende grandes lições de humildade e caridade por intermédio da lista fornecida pelo Padre Oliver (Tom Wilkinson). A matriarca Emma (Emily Watson) descobre forças que desconhecia ao ser obrigada a cuidar de sua família sozinha, em uma época onde o homem era o centro do lar. London compreende, a duras penas, que a vida não é binária e não clama por vingança descabida. E por fim, aprendemos todos com as sábias palavras de Hashimoto (Cary-Hiroyuki Tagawa): não temos o direito de julgar e perseguir alguém, pelo fato deste ter a mesma face (ou religião, em tempos atuais) de um inimigo. 

- Assista ao trailer oficial (se preferir, pode ativar a legenda com tradução em português):


Escrito por
eligio JM
Elígio Junior

Pós-graduado em gestão executiva da televisão

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