Entre os aspectos da família abordados na Exortação Apostólica 'Amoris Laetitia' ('A Alegria do Amor'), o Papa Francisco destacava o acompanhamento nos primeiros anos da vida matrimonial. O documento reflete os resultados das discussões ocorridas nos dois Sínodos dos Bispos sobre a família, realizados em 2014 e 2015.
A exortação descreve a conclusão dos Padres sinodais de que “os primeiros anos de matrimônio são um período vital e delicado, durante o qual os cônjuges crescem na consciência dos desafios e do significado do matrimônio. Daí a necessidade de um acompanhamento pastoral que continue depois da celebração do sacramento” (cf. Familiaris Consortio, parte III).
Segundo Dom João Carlos Petrini, então bispo de Camaçari (BA) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família, um dos maiores desafios da Pastoral Familiar é justamente efetivar esse acompanhamento pessoal:
“Esse acompanhamento é de fundamental importância. Nós estamos propondo, como Pastoral Familiar, as 'Comunidades de Família' ou 'Fraternidades de Família', para proporcionar momentos de reflexão e partilha, em que se reflita a Palavra de Deus e as preocupações cotidianas, criando laços de amizade e apoio mútuo”, afirmou o bispo.
O acompanhamento deve encorajar os esposos a serem generosos na abertura à vida. De acordo com o caráter pessoal e integral do amor conjugal, o caminho para o planejamento familiar pressupõe um diálogo consensual entre os esposos, respeitando o tempo de cada um e a dignidade de ambos (Amoris Laetitia, 222).
O texto aponta fatores que influenciam negativamente a vida dos recém-casados, como o “ritmo frenético da sociedade” e os horários impostos por compromissos profissionais.
Muitas vezes, o problema reside na falta de qualidade do tempo passado em conjunto: os casais limitam-se a partilhar o mesmo espaço físico, mas sem prestar atenção um ao outro. Como reforça o Papa Francisco, o amor exige tempo disponível e gratuito, colocando outras prioridades em segundo plano (Amoris Laetitia, 224).
A exortação traz orientações práticas para casais e agentes pastorais:
Apoio comunitário: Agentes pastorais e grupos de famílias devem ajudar os casais jovens a encontrar momentos de pausa e silêncio, que os obriguem a sentir a presença do cônjuge.
Hábitos cotidianos: A exortação sugere a criação de hábitos simples: dar um beijo pela manhã, benzer-se à noite, esperar pelo outro ao chegar, realizar saídas a dois e compartilhar as tarefas domésticas. É essencial vencer a rotina com a celebração e a alegria de compartilhar experiências belas.
Vida espiritual: Aos pastores, o texto lembra a importância de incentivar a confissão frequente, a direção espiritual e a participação em retiros, além de promover espaços de oração familiar, pois “a família que reza unida, permanece unida”.
As paróquias, movimentos e instituições eclesiais podem desenvolver diversas estratégias para apoiar as famílias, como reuniões de casais, retiros breves, conferências temáticas, centros de aconselhamento e assembleias familiares (Amoris Laetitia, 229).
Por fim, o documento ressalta que, diante do ritmo da vida atual, a pastoral familiar não deve se limitar a uma "fábrica de cursos" para pequenas elites. Pelo contrário, ela deve ser fundamentalmente missionária: uma pastoral "em saída", feita por aproximação e acolhimento direto às necessidades das famílias (Amoris Laetitia, 230).
Fonte: Vatican News
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