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Os primeiros passos de uma Voz de Fé no Brasil

Da autorização às transmissões que alcançaram todo o Brasil, a Rádio Aparecida transformou um sonho missionário em uma das maiores emissoras católicas do país.

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Escrito por Thalita Miranda

26 MAI 2026 - 11H00 (Atualizada em 02 JUN 2026 - 16H21)

Centro de Documentação e Memória - Santuário Nacional

Pe. Daniel Marti, Pe. Vítor Coelho e Pe. Humberto Pieroni na inauguração da Rádio Aparecida.

A história da Rádio Aparecida começa antes mesmo de sua inauguração oficial. Em 1937, o então vigário de Aparecida, Pe. Oscar das Chagas Azeredo, C.Ss.R., cogitou a criação de uma emissora para a cidade, mas a ideia não foi aprovada pelo arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, permanecendo adormecida. Anos depois, em 1945, o projeto voltou a ser considerado por Pe. Antonio Pinto de Andrade, C.Ss.R., administrador do Santuário Nacional, mas novamente não avançou.

A concretização do sonho só aconteceu em 1950, quando Pe. Antonio Ferreira de Macedo, C.Ss.R., Superior Provincial dos Redentoristas, com autorização do cardeal-arcebispo Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, encaminhou ao presidente Eurico Gaspar Dutra o pedido para instalação de uma emissora em Aparecida. A autorização foi concedida e publicada no Diário Oficial da União em 13 de dezembro de 1950, marcando oficialmente o nascimento da Rádio Aparecida Ltda.

Rádio Aparecida entra no AR

Centro de Documentação e Memória - Santuário Nacional Centro de Documentação e Memória - Santuário Nacional Inauguração em 08/09/1951. Na foto, Pe. Daniel Marti, Dom Antonio Ferreira de Macedo, Dom Antonio de Siqueira, Pe. Antão Jorge e Pe. Humberto Pieroni.

Após meses de estudos e instalação dos equipamentos, a emissora entrou no ar em 8 de setembro de 1951, operando com 100 watts de potência. No dia seguinte, 9 de setembro, foi transmitida pela primeira vez a missa das 9 horas, diretamente do Santuário Nacional, além da reza do Terço da Noite, que se tornariam tradições da programação. Sob a direção do Pe. Humberto Pieroni, C.Ss.R., surgiram programas que atravessariam décadas, como "Os Ponteiros Apontam para o Infinito", criado em 1951 e consagrado com o Pe. Vítor Coelho de Almeida, e a "Catequese dos Adultos", apresentada pelo Pe. Daniel Marti, C.Ss.R.

“O bispo auxiliar de São Paulo. D. Antonio Alves de Siqueira, representando o Arcebispo, D. Carlos Motta benzeu a nova emissora. Após a bênção, o Padre Daniel Marti proferiu as primeiras palavras irradiadas: "VIVA CRISTO REI! SALVE MARIA!”. Em seguida foram executados o Hino Nacional e o Hino Pontifício pelo Coral e Orquestra da Basílica Nacional. Estava no ar a Rádio Aparecida - ZYR 44 - 1600 KC.” (Livro Paiva, Gilberto. Rádio Aparecida, 50 anos de história. Aparecida, Santuário, 2001. Página 27).

Crescimento da Rádio Aparecida

O crescimento da Rádio Aparecida foi impulsionado tanto pela ampliação técnica quanto pela diversidade da programação. Em 1952, a emissora passou a operar em ondas tropicais e, em maio de 1953, obteve a concessão para ondas curtas, o que possibilitou alcançar todo o território nacional. Em 7 de outubro de 1954, durante a Festa de Nossa Senhora do Rosário, a rádio entrou definitivamente no ar em ondas curtas, consolidando-se como a mais potente emissora católica do país.

Em 1956, o Pe. Rubem Leme Galvão passou a apresentar o programa "Marreta na Bigorna", líder do horário das 13 horas e que permaneceu por muitos anos no ar. Entre 1956 e 1960, as radionovelas deram grande impulso ao departamento artístico, ao lado de programas musicais, de auditório, esportivos e educativos. A criação do Clube dos Sócios da Rádio Aparecida, em 1955, fortaleceu ainda mais o vínculo com os ouvintes, garantindo sustentação e crescimento contínuo.

A união entre fé, comunicação e inovação transformou a Rádio Aparecida em uma das maiores e mais importantes emissoras católicas do Brasil, levando a mensagem da Padroeira a milhões de lares. O crescimento da correspondência, o aumento do número de funcionários e os constantes investimentos técnicos revelavam que o sonho inicial dos missionários redentoristas havia se consolidado em uma obra sólida, preparada para crescer e alcançar, cada vez mais, todo o território nacional.



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