Por Rafael Camargo Em Clube dos Sócios

Servir na Igreja e no mundo

      A Igreja nos ensina sobre a necessidade da descoberta da Vocação como caminho de discernimento pessoal voltado para o serviço na Igreja e no mundo.

         Diante da Vocação – entendida, primeiramente, como um chamado de Deus – cabe à pessoa humana uma resposta. A busca em viver de maneira consciente o matrimônio, o sacerdócio, a consagração a Deus por meio da vida religiosa são respostas afirmativas do entendimento sobre a Vocação.             

       Dentre tantas congregações religiosas femininas, existem as Carmelitas que têm o principal propósito da Vida Contemplativa.  

        Na edição de setembro/16 da revista APÓSTOLO, destinada aos associados e representantes do Clube dos Sócios, foi publicada parte de uma entrevista com a Irmã Mariana Aparecida do Sagrado Coração de Jesus e São José.

         Com 27 anos de idade e há três vivendo no Carmelo de Santa Teresinha, um mosteiro de Carmelitas Descalças, situado em Aparecida – SP, a religiosa falou sobre a sua vocação religiosa, a vida em comunidade e o documento publicado pela Papa Francisco sobre a Vida Contemplativa feminina. Confira a entrevista na íntegra: 

Quando foi que você sentiu o despertar da Vocação?

         Eu tinha um desejo muito grande de fazer algo pela salvação das almas e pela conversão do mundo. Isto foi o mais forte no começo. Eu participava da Igreja, ia à missa, fazia trabalho pastoral. Mas quando participei das oficinas de oração e vida do Frei Inácio, algo mudou. Quando saí dessa oficina fui me aproximando da oração, rezando mais em casa. E na oração fui percebendo, fui sentindo o chamado de Nosso Senhor para ajudar o mundo e as almas. Senti que pela oração eu poderia alcançar o mundo. Em outros trabalhos até conseguimos, mas é limitado.

Por que você decidiu pela Ordem das Carmelitas?

         Quando senti esse chamado, já pensei no Carmelo porque eu conhecia a missão das Carmelitas, e sabia que aqui se vivia uma vida de oração. Então, entrei em contato, escrevi uma carta, vim conhecer o convento. Fiz acompanhamento por um curto período de tempo e entrei.

Como você entende o papel das Carmelitas na evangelização?

        O papel das Carmelitas é viver em Deus, somente para Deus. Porque com Ele conseguimos estar presentes no mundo. Não saímos daqui, mas através da união com Deus podemos rezar pelo mundo inteiro. E o nosso papel é esse: vivermos unidas a Deus e assim chegar aos corações das pessoas.

Como você se sente vivendo em contemplação? O que mudou na sua vida quando começou a viver assim?

          O que eu sinto é difícil de expressar com palavras. Sinto uma paz muito grande, separada das preocupações do mundo. Tudo o que eu vivo aqui dentro é oração. O trabalho mesmo é uma oração. Então, é diferente, porque não é algo pesado, não tem um objetivo terreno, mas é algo com objetivo divino.

          E por ter este foco divino, é algo que traz uma paz muito grande, porque é o amor de Deus. O que mudou muito em mim foi esta tranquilidade interior. Consegui me esvaziar do que é passageiro, das coisas materiais, das preocupações, da rotina, que são próprios do mundo. E esvaziando-me disso, meu coração se encheu só de Deus porque não sobra espaço para outras coisas.

Você considera possível que um leigo consiga viver em contemplação?

         Eu acredito que sim, mas é um pouco mais difícil, porque tem muita interferência, muita preocupação. Mas eu vejo que a contemplação é a união com Deus. Se um leigo fizer tudo na vida, no dia a dia, buscando o amor a Deus, olhando para Ele e buscando fazer a vontade Dele, isto é contemplação.

Você teve acesso ao documento publicado pelo Papa Francisco sobre a Vida Contemplativa Feminina? Gostaria de dizer algo a respeito?

         O Papa foi bem claro no documento e eu gostei muito. Ele fala com palavras simples sobre como é a nossa missão. Ele fala dos elementos necessários para a nossa vida e detalha bem um por um. Ele explica o que é a vida contemplativa em geral, não somente nos momentos de oração, mas na vida comunitária. Vejo que isso é muito importante. 

Quando você realizará os votos na congregação?

        Eu faço os votos, se Deus quiser e for da vontade dele, em março de 2018. Cada Carmelo tem um tempo diferente de formação. Para mim foi um ano de apostolando. Depois serão dois anos de noviciado e, então, farei os votos.

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Por Rafael Camargo, em Clube dos Sócios

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