A Inteligência Artificial já faz parte da rotina de muitas pessoas e também chegou ao contexto da fé. Utilizando a ferramenta, é possível pedir explicações sobre passagens bíblicas, conhecer o contexto de uma narrativa ou esclarecer dúvidas sobre personagens e ensinamentos das Sagradas Escrituras. Mas será que podemos confiar nessas respostas?
A Igreja Católica tem refletido sobre as oportunidades e os desafios da Inteligência Artificial, destacando a importância de seu uso responsável. Documentos como a Antiqua et Nova, publicada em 2025, e a encíclica Magnifica Humanitas, de 2026, oferecem princípios para pensar o papel da tecnologia sem perder de vista a dignidade humana, a consciência e o discernimento.
Na mensagem do 58º Dia Mundial das Comunicações Sociais, o saudoso Papa Francisco recordou que a capacidade de processar informações não é o mesmo que possuir sabedoria.
“Não podemos esperar esta sabedoria das máquinas”, afirmou.
Para o Pontífice, cabe ao ser humano interpretar os dados e discernir como utilizá-los.
Um jovem menino fazendo seu estudo pelo celular com a Bíblia ao lado
Por outro lado, a Igreja também reconhece por meio da nota Antiqua et Nova, publicada em 2025, que a inteligência artificial pode contribuir para o acesso ao conhecimento, desde que utilizada com discernimento.
O documento afirma que a tecnologia pode auxiliar na compreensão de conceitos complexos e direcionar o usuário a fontes confiáveis, alertando sempre para o risco de respostas falsas ou manipuladas que parecem verdadeiras.
Já na encíclica Magnifica Humanitas, publicada pelo Papa Leão XIV em 15 de maio de 2026, o Pontífice apresenta um princípio que pode orientar toda a discussão sobre o uso da Inteligência Artificial.
O Papa menciona que a tecnologia deve permanecer a serviço da pessoa humana, e não ocupar o lugar de sua responsabilidade.
“A inteligência criativa da humanidade é um dom que pode aliviar o sofrimento e abrir novas possibilidades, mas deve permanecer ordenada para o bem comum, justiça, cuidado dos vulneráveis e criação.”, (cap. 3, p. 129).
O uso da Inteligência Artificial com as Sagradas Escrituras
Diante dessas reflexões, como podemos utilizar a inteligência artificial sem perder de vista o sentido da fé?
Uma pesquisa do Pew Research Center, publicada em 2014, investigou os hábitos religiosos na América Latina e apontou que 17% dos católicos brasileiros entrevistados liam ou ouviam as Escrituras pelo menos uma vez por semana fora das celebrações religiosas.
Para aprofundar essa questão, o Portal A12 conversou com o Irmão Diego Joaquim, Missionário Redentorista da Província de Brasília, para entender de que maneira essa tecnologia pode contribuir para o estudo de quem lê a Bíblia.
Para o Irmão Diego, a tecnologia oferece recursos que facilitam a pesquisa bíblica, mas não substitui o conhecimento necessário para interpretar a Palavra de Deus à luz da fé da Igreja.
“A inteligência artificial pode, sim, ser uma ajuda muito importante para a leitura bíblica, por ser uma ferramenta que permite localizar mais rapidamente passagens específicas, trechos que se referem a outras passagens e até indicar fontes para reflexões seguras, que ajudem na compreensão dos textos”, explicou.
Outro cuidado importante está na confiabilidade das informações apresentadas pela inteligência artificial. Segundo o Irmão Diego, a ferramenta pode recorrer a fontes que não são seguras ou elaborar resumos interpretativos que não correspondem aos ensinamentos da Igreja.
No meio acadêmico, entende-se que a expressão "Inteligência Artificial" é equivocada
“Nem sempre a IA busca fontes confiáveis para construir um resumo interpretativo. Nesse sentido, não basta apenas encontrar a referência ao nome de um padre, bispo ou santo. É preciso estar atento ao conteúdo”, alertou.
Ao recordar a Exortação Apostólica Verbum Domini, do Papa Bento XVI, o Irmão Diego destacou a importância de relacionar a leitura da Palavra de Deus à vida concreta das pessoas e das comunidades cristãs.
“A Palavra de Deus precisa ser atualizada e confrontada com a realidade, e não apenas lida e interpretada de forma literal. É preciso reconhecer a conjuntura, a eclesialidade e a antropologia da humanidade hoje”, afirmou.
Dessa maneira, a tecnologia pode auxiliar nesse caminho, mas a leitura orante, o discernimento e a caminhada em comunidade continuam sendo fundamentais para viver a mensagem do Evangelho.
add_box Posso usar a Inteligência Artificial para rezar?
Fonte: Santa Sé, ANTIQUA ET NOVA, Magnificat Humanitas, Pew Research Center
Por que rezamos uma novena em nove dias? Aprenda com um padre
Você sabe por que rezamos uma novena em nove dias e não em sete ou dez? O Pe. Pablo Moreira, C.Ss.R., te explica a origem da novena e o motivo dos nove dias.
Papa Leão XIV apresenta boa recuperação após cirurgia
O Vaticano divulgou novas informações sobre a saúde do Papa Leão XIV após a cirurgia no pulmão. Saiba como está a recuperação do Pontífice.
Teresa D’Ávila, a primeira mulher proclamada Doutora da Igreja
Em 15 de outubro, celebramos a memória de Santa Teresa de Jesus, virgem, mística e Doutora da Igreja. Conheça esta "atraente figura", segundo o Papa Paulo VI.
Boleto
Carregando ...
Reportar erro!
Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:
Carregando ...
Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.