Dúvidas Religiosas

Posso usar a Inteligência Artificial para entender a Bíblia?

Entenda como a tecnologia pode auxiliar na leitura bíblica sem substituir o discernimento e a orientação da Igreja!

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Escrito por Vitória Victal

15 OUT 2026 - 11H34

Isara/Adobe Stock

A Inteligência Artificial já faz parte da rotina de muitas pessoas e também chegou ao contexto da fé. Utilizando a ferramenta, é possível pedir explicações sobre passagens bíblicas, conhecer o contexto de uma narrativa ou esclarecer dúvidas sobre personagens e ensinamentos das Sagradas Escrituras. Mas será que podemos confiar nessas respostas?

A Igreja Católica tem refletido sobre as oportunidades e os desafios da Inteligência Artificial, destacando a importância de seu uso responsável. Documentos como a Antiqua et Nova, publicada em 2025, e a encíclica Magnifica Humanitas, de 2026, oferecem princípios para pensar o papel da tecnologia sem perder de vista a dignidade humana, a consciência e o discernimento.

Na mensagem do 58º Dia Mundial das Comunicações Sociais, o saudoso Papa Francisco recordou que a capacidade de processar informações não é o mesmo que possuir sabedoria.

“Não podemos esperar esta sabedoria das máquinas”, afirmou.

Para o Pontífice, cabe ao ser humano interpretar os dados e discernir como utilizá-los.

surachat/ Adobe Stock surachat/ Adobe Stock Um jovem menino fazendo seu estudo pelo celular com a Bíblia ao lado

Por outro lado, a Igreja também reconhece por meio da nota Antiqua et Nova, publicada em 2025, que a inteligência artificial pode contribuir para o acesso ao conhecimento, desde que utilizada com discernimento.

O documento afirma que a tecnologia pode auxiliar na compreensão de conceitos complexos e direcionar o usuário a fontes confiáveis, alertando sempre para o risco de respostas falsas ou manipuladas que parecem verdadeiras.

Já na encíclica Magnifica Humanitas, publicada pelo Papa Leão XIV em 15 de maio de 2026, o Pontífice apresenta um princípio que pode orientar toda a discussão sobre o uso da Inteligência Artificial.

O Papa menciona que a tecnologia deve permanecer a serviço da pessoa humana, e não ocupar o lugar de sua responsabilidade.

“A inteligência criativa da humanidade é um dom que pode aliviar o sofrimento e abrir novas possibilidades, mas deve permanecer ordenada para o bem comum, justiça, cuidado dos vulneráveis e criação.”, (cap. 3, p. 129).

O uso da Inteligência Artificial com as Sagradas Escrituras

Diante dessas reflexões, como podemos utilizar a inteligência artificial sem perder de vista o sentido da fé?

Uma pesquisa do Pew Research Center, publicada em 2014, investigou os hábitos religiosos na América Latina e apontou que 17% dos católicos brasileiros entrevistados liam ou ouviam as Escrituras pelo menos uma vez por semana fora das celebrações religiosas.

Para aprofundar essa questão, o Portal A12 conversou com o Irmão Diego Joaquim, Missionário Redentorista da Província de Brasília, para entender de que maneira essa tecnologia pode contribuir para o estudo de quem lê a Bíblia.

Para o Irmão Diego, a tecnologia oferece recursos que facilitam a pesquisa bíblica, mas não substitui o conhecimento necessário para interpretar a Palavra de Deus à luz da fé da Igreja.

“A inteligência artificial pode, sim, ser uma ajuda muito importante para a leitura bíblica, por ser uma ferramenta que permite localizar mais rapidamente passagens específicas, trechos que se referem a outras passagens e até indicar fontes para reflexões seguras, que ajudem na compreensão dos textos”, explicou.

Outro cuidado importante está na confiabilidade das informações apresentadas pela inteligência artificial. Segundo o Irmão Diego, a ferramenta pode recorrer a fontes que não são seguras ou elaborar resumos interpretativos que não correspondem aos ensinamentos da Igreja.

Shutterstock Shutterstock No meio acadêmico, entende-se que a expressão "Inteligência Artificial" é equivocada

“Nem sempre a IA busca fontes confiáveis para construir um resumo interpretativo. Nesse sentido, não basta apenas encontrar a referência ao nome de um padre, bispo ou santo. É preciso estar atento ao conteúdo”, alertou.

Ao recordar a Exortação Apostólica Verbum Domini, do Papa Bento XVI, o Irmão Diego destacou a importância de relacionar a leitura da Palavra de Deus à vida concreta das pessoas e das comunidades cristãs.

“A Palavra de Deus precisa ser atualizada e confrontada com a realidade, e não apenas lida e interpretada de forma literal. É preciso reconhecer a conjuntura, a eclesialidade e a antropologia da humanidade hoje”, afirmou. 

Dessa maneira, a tecnologia pode auxiliar nesse caminho, mas a leitura orante, o discernimento e a caminhada em comunidade continuam sendo fundamentais para viver a mensagem do Evangelho. 

add_box  Posso usar a Inteligência Artificial para rezar?

Fonte: Santa Sé, ANTIQUA ET NOVA, Magnificat Humanitas, Pew Research Center

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