Diante do surgimento das ferramentas digitais nos dias de hoje, muitas delas passam a oferecer sugestões de orações, reflexões bíblicas e até mesmo conversas sobre espiritualidade. Dessa forma, a pergunta tem se tornado cada vez mais comum entre os cristãos: posso utilizar a Inteligência Artificial para rezar?
O que diz a Igreja sobre o uso da I.A. nas orações?
Neste caso, a Igreja também tem refletido sobre essa situação. Na Encíclica Magnifica Humanitas, publicada em maio de 2026, o Papa Leão XIV reconhece os benefícios das novas tecnologias, mas recorda que nenhuma inteligência artificial é capaz de substituir a experiência humana da fé, da oração e do relacionamento com Deus.
O documento também destaca que essas ferramentas podem ajudar durante as atividades do dia a dia, mas não possuem consciência, experiência espiritual ou capacidade de amar e se relacionar como uma pessoa humana.
Um homem mexendo no celular com uma Bílbia ao lado
Segundo o pontífice, a tecnologia deve permanecer a serviço da pessoa humana e jamais ocupar o lugar daquilo que é essencialmente humano. Nesse contexto, surge mais uma dúvida: afinal, a inteligência artificial pode ajudar na vida de oração dos cristãos?
De acordo com a Magnifica Humanitas, para que a Inteligência Artificial respeite a dignidade humana e sirva verdadeiramente o bem comum, a Igreja defende que todos os envolvidos no desenvolvimento e no uso da inteligência artificial devem assumir responsabilidades pelos resultados gerados por ela.
“Em muitos casos, contudo, os processos internos que conduzem a um resultado podem ser pouco transparentes, o que torna mais difícil atribuir responsabilidades e corrigir erros. É aqui que se torna decisivo o que chamamos de “responsabilização”: a possibilidade de identificar quem deve “prestar contas” das decisões, motivá-las, controlá-las e, quando necessário, contestá-las, reparando os danos daí decorrentes.” (Magnifica Humanitas, p. 105).
O Papa fala da Inteligência Artificial
Embora a Encíclica reconheça o potencial das novas tecnologias, ela recorda que nenhuma ferramenta digital substitui a responsabilidade humana e o relacionamento verdadeiro com Deus.
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Papa Leão XIV em sua apresentação com promulgação da Carta Encíclica Magnifica Humanitas
Rezar com a inteligência do coração
A partir dessa reflexão sobre o uso de Inteligências Artificiais, o missionário redentorista padre Lucas Emanuel, C.Ss.R. destacou o uso desses recursos durante as orações que fazemos.
“Não há problema em usar a Inteligência Artificial como criatividade para a oração. Isso pode ajudar trazendo algum tema, e acaba sendo um bom recurso”, disse.
Um ponto importante para se utilizar esses tipos de sistemas tecnológicos é entender o verdadeiro significado da oração, que é o contato com Deus. O sacerdote alertou que, além da I.A., é necessário que utilizemos a inteligência do nosso coração.
“É necessário rezar com os nossos sentimentos, os momentos que vivemos. Quando rezamos com a inteligência do coração, tudo fica mais vivo e sincero, pois falamos diretamente para Deus das coisas que vivemos e do que nos preocupa”, completou.
Dessa forma, o sacerdote recordou que o uso dessas tecnologias digitais como apoio durante a oração não representa um problema. No entanto, ressaltou que elas não devem ocupar o lugar da experiência pessoal de cada fiel com Deus.
"Se está ajudando a rezar, não tem problema. Agora, não percamos essa habilidade de rezar com os nossos sentimentos, com aquilo que temos sentido e vivido. Rezar com o sentimento é uma oração muito agradável a Deus. São Geraldo nos diz que tudo que se faz com amor se transforma em oração. Então pode ter tanta coisa sendo oração na vida da gente que não percebemos", refletiu.
Segundo o padre Lucas, a oração se torna mais autêntica quando parte da realidade, dos sentimentos e das situações concretas vividas por cada pessoa.
“A principal oração é nos colocarmos diante de Deus, assim como estamos nos sentindo. Se não estamos muito bem naquele dia, a nossa oração será um silêncio, ou, quando estamos alegres, será nosso sorriso. Quando rezamos com a inteligência do coração, estamos sendo sinceros, e isso com certeza preencherá mais”, concluiu.
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Fonte: Carta Encíclica Magnifica Humanitas
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