A Bíblia reúne livros com diferentes características, contextos e finalidades. Na tradição católica, ela é dividida em Antigo e Novo Testamento, e seus escritos são reconhecidos pela Igreja como inspirados por Deus.
Embora tenham características próprias, os livros bíblicos fazem parte da mesma história da relação de Deus com a humanidade. Entre eles, os Evangelhos, as cartas e os livros históricos ajudam a compreender diferentes aspectos da fé e da caminhada do povo de Deus.
Mateus, Marcos, Lucas e João são os quatro Evangelhos que apresentam a vida, os ensinamentos, as ações, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.
De acordo com a Dei Verbum, Constituição Dogmática sobre a Revelação Divina, do Concílio Vaticano II, os Evangelhos ocupam um lugar especial entre os escritos bíblicos por serem “o principal testemunho da vida e doutrina do Verbo encarnado, nosso salvador” (n. 18).
O documento também afirma que os evangelistas selecionaram e organizaram os relatos, transmitindo fielmente o que Jesus realizou e ensinou (n. 19). Assim, os Evangelhos nos ajudam a conhecer Jesus, sua missão e o centro da fé cristã.
As cartas do Novo Testamento apresentam ensinamentos, orientações, correções e conselhos para a vivência da fé. Foram dirigidas a comunidades cristãs e a pessoas específicas, abordando questões como a vida comunitária, a unidade da Igreja e os desafios enfrentados pelos primeiros cristãos.
Muitas são atribuídas a São Paulo, como Romanos, 1 Coríntios e Gálatas. Também fazem parte do Novo Testamento cartas associadas a outros apóstolos, como Pedro, Tiago e João.
A Dei Verbum, no número 20, explica que esses escritos confirmam a doutrina de Cristo, aprofundam seus ensinamentos e ajudam a compreender a missão da Igreja. As cartas mostram, portanto, como os primeiros cristãos procuravam viver e compreender o Evangelho em situações concretas.
Os livros históricos narram acontecimentos relacionados à trajetória do povo de Israel, suas lideranças, alianças, conflitos e experiências de fé. Entre eles estão Josué, Juízes, Rute, os livros de Samuel e dos Reis, Esdras, Neemias e os Macabeus.
Esses escritos ajudam a compreender como o povo de Israel viveu sua relação com Deus ao longo do tempo. A Dei Verbum, nos números 14 a 16, destaca que os livros do Antigo Testamento registram a história da salvação e conservam seu valor para os cristãos.
Também é importante lembrar que há relatos históricos no Novo Testamento. O livro dos Atos dos Apóstolos, por exemplo, narra acontecimentos dos primeiros tempos da Igreja e a expansão da mensagem cristã.
Mesmo com características diferentes, os escritos bíblicos estão unidos pela história da salvação. Enquanto os Evangelhos apresentam Jesus Cristo e sua mensagem, as cartas ajudam a compreender como viver seus ensinamentos, e os livros históricos revelam a caminhada do povo de Deus.
A Igreja também orienta que a Bíblia seja interpretada considerando o contexto e o gênero literário de cada texto. A Dei Verbum, no número 12, destaca a importância de compreender o que os autores sagrados quiseram expressar, levando em conta as formas de escrita de sua época.
Conhecer essas diferenças é um passo importante para aprofundar a leitura da Palavra de Deus e reconhecer como ela continua iluminando a vida dos cristãos.
Leia também: Como começar a ler a Bíblia?
Fonte: Concílio Vaticano II, Catecismo da Igreja Católica, Vaticano
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