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Espiritualidade

Como fazer do meu lar um lar verdadeiramente cristão?

Escrito por Giovana Marques

26 FEV 2026 - 10H39 (Atualizada em 26 FEV 2026 - 12H10)

MOHAMED/Adobe Stock

Lar é uma palavra de origem latina que significa “casa de habitação” ou “domicílio familiar”. Este lugar, no sentido cristão, é onde cada ser humano deve encontrar segurança, acolhimento e reconhecimento. É no núcleo doméstico e familiar que se aprende a viver e amar de forma livre.

Sabemos que a família é obra criada por Deus, e como toda obra divina, revela o Criador naquilo que Ele é. Isso é o que explica o Catecismo da Igreja Católica, n. 236, a partir do conceito de “oikonomia” (do grego = casa e nomos = administração) ou simplesmente “economia”.

“Através da oikonomia, a teologia nos é revelada; mas, inversamente, a teologia ilumina toda a oikonomia. As obras de Deus revelam quem Ele é em si mesmo; o mistério do seu ser mais íntimo ilumina a nossa compreensão de todas as suas obras.” CIC 236

Nesse sentido, compreendemos que um lar verdadeiramente cristão é aquele que, iluminado pela luz de Deus, revela o Seu amor a depender da forma como é administrado. A seguir, vamos entender o que isso significa na prática.

Jesus como centro

Um lar cristão é aquele onde Cristo é o centro e o Evangelho norteia as conversas e decisões. Por isso, é essencial a participação nos Sacramentos, a oração em família e a vivência do perdão.

Além disso, desde as pequenas coisas do cotidiano, vive-se a caridade como no preparo de uma refeição, no cuidado de um doente, na escuta e na paciência uns com os outros.

O lar como “Santuário doméstico da Igreja”

O papa João Paulo II, em sua exortação apostólica "Familiaris Consortio", sobre a função da família cristã no mundo, afirmou que a família cristã pode e deve viver em profunda comunhão com toda a Igreja.

A família, segundo o documento pontifício, é chamada não apenas a buscar a própria santificação, mas também a colaborar na santificação da comunidade cristã e de todo o mundo. Assim, o lar católico não se fecha, mas se expande.

peopleimages/Adobe Stock peopleimages/Adobe Stock

Isso significa abrir-se aos outros, fazer comunhão. E, como propõe a Campanha da Fraternidade 2026 “Fraternidade e Moradia”, também devemos estar abertos, especialmente, àqueles que não possuem um lar.

De que forma? Expandimos nosso lar quando recebemos as pessoas, quando estamos atentos a quem está sozinho, quando fazemos da própria casa um lugar de hospitalidade.

“Em particular, é de realçar a importância sempre maior que na nossa sociedade assume a hospitalidade, em todas as suas formas, desde o abrir as portas da própria casa e ainda mais do próprio coração aos pedidos dos irmãos, ao empenho concreto de assegurar a cada família a sua casa, como ambiente natural que a conserva e a faz crescer.” (Familiaris Consortio. n. 44)

Além da hospitalidade, podemos partilhar o que possuímos; apoiar as famílias em situação de vulnerabilidade; participar de ações paroquiais; envolver os filhos em gestos concretos de caridade; integrar estas pessoas na vida da Igreja para que elas também conheçam Jesus.

Além disso, devemos também apoiar políticas públicas que transformem a realidade dos irmãos que vivem na miséria e, infelizmente, não possuem um lar onde possam sentir-se seguros e amados.

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