Por Redação A12 Em Espiritualidade

Os avós Joaquim e Santana

Segundo a tradição da Igreja, no dia 26 de julho comemoramos a festa de São Joaquim e Santa Ana, pais de Maria, mãe de Jesus. Por isso, comemoramos também nesse dia o “dia dos avós”. O casal Joaquim e Ana já estava com idade avançada e ainda não tinha filhos e a esterilidade causava sofrimento e vergonha, pois para o judeu não ter filhos era sinal da maldição divina. Os motivos são óbvios, pois os judeus esperavam a chegada do Messias, como previam as sagradas profecias, e, para isso, precisavam gerar. 

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Assim, toda esposa judia esperava que dela nascesse o Salvador e, para tanto, ela tinha de dispor das condições para servir de veículo aos desígnios de Deus, se assim Ele o desejasse. Por isso, a esterilidade causava sofrimento e vergonha, e é nessa situação constrangedora que vamos encontrar o casal.

Mas Ana e Joaquim não desistiram. Rezaram por muito e muito tempo até que, quando já estavam quase perdendo a esperança, Ana engravidou. Não se sabe muito sobre a vida deles, pois passaram a ser citados a partir do século II, mas pelos escritos apócrifos, que não são citados na Bíblia, porque se entende que não foram inspirados. E eles apenas revelam o nome dos pais da Virgem Maria, que é a Mãe do Messias.

 

"São Joaquim e Santa Ana, pais de Maria, foram, no seu tempo e nas circunstâncias históricas concretas, um elo precioso do projeto da salvação da humanidade".

No Evangelho, Jesus disse: "Dos frutos conhecereis a árvore, a planta". Assim, não foram precisos outros elementos para descrever-lhes a santidade, senão pelo exemplo de santidade da filha Maria. A santidade de Maria atesta para nós a santidade de seus pais. Maria, ao nascer, não só tirou dos ombros dos pais o peso de uma vida estéril, mas ainda recompensou-os pela fé, ao ser escolhida no futuro para ser a Mãe do Filho de Deus.

Santa Maria recebeu no lar formado por seus pais todo o tesouro das tradições da Casa de Davi que passavam de uma geração para outra; foi nele que aprendeu a dirigir-se a Deus com imensa piedade; foi nele que conheceu as profecias relativas à chegada do Messias. São Joaquim e Santa Ana, pais de Maria, foram, no seu tempo e nas circunstâncias históricas concretas, um elo precioso do projeto da salvação da humanidade.

A princípio, apenas Sant’Ana era comemorada e, mesmo assim, em dias diferentes no Ocidente e no Oriente. Em 25 de julho pelos gregos e no dia seguinte pelos latinos. A partir de 1584, também São Joaquim passou a ser cultuado no dia 20 de março. Só em 1913 a Igreja determinou que os avós de Jesus Cristo deviam ser celebrados juntos, no dia 26 de julho.

Ao celebrar o dia de Sant’Ana e São Joaquim, nós queremos recordar todos os avós, pois, afinal são eles importantes na nossa vida familiar e também na nossa fé. O Papa Francisco estava aqui no Rio de Janeiro nesse dia, há dois anos, quando pronunciou o Ângelus no balcão do Palácio São Joaquim. Em seu trajeto pela região, ele privilegiou o encontro com as pessoas idosas para cumprimentá-las.

Os avós são importantes na vida da família para comunicar o patrimônio de humanidade e de fé que é essencial para qualquer sociedade! E como é importante o encontro e o diálogo entre as gerações, principalmente dentro da família! Aliás, ultimamente tem sido os avós os que têm passado a fé aos netos e os conduzido ao encontro com Deus. Diante de uma família fragilizada e cheia de rupturas, o papel dos avós tem sido considerável.

Para o Papa Francisco, os jovens têm obrigação de escutar e aprender com os seus avós: “Esta relação, este diálogo entre as gerações é um tesouro que deve ser conservado e alimentado”! Ele referiu-se à carta aos Hebreus (13, 7), na qual se lê: “Lembrai-vos dos vossos guias que vos pregaram a palavra de Deus. Considerai como eles souberam encerrar a carreira. E imitai a sua fé”. A memória dos nossos antepassados leva-nos à imitação da fé. É verdade, às vezes a velhice é um pouco desagradável devido às doenças que comporta. Mas a sabedoria dos nossos avós é a herança que nós devemos receber. Um povo que não preserva os avós, que não respeita os avós não tem futuro porque perdeu a memória. Diante do martírio, Eleazar está consciente da responsabilidade que tem em relação aos jovens. Pensa em Deus, mas também nos jovens: “Devo dar o exemplo de coerência aos jovens até ao fim”. (Discurso do Papa Francisco, 21 de novembro de 2013).

“Far-nos-á bem pensar nos numerosos idosos e idosas nas casas de repouso e também naqueles que — esta palavra é feia, mas digamo-la — são abandonados pelos seus entes queridos, acrescentou o Santo Padre, recordando que “eles são o tesouro da nossa sociedade. Oremos por eles para que sejam coerentes até o fim. Este é o papel dos idosos, este é o tesouro. Oremos pelos nossos avós que muitas vezes desempenharam um papel heroico na transmissão da fé em tempos de perseguição”. Sobretudo no passado, quando os pais e as mães muitas vezes não ficavam em casa ou tinham ideias estranhas, confundidas por ideologias em voga naquela época, “eram precisamente as avós que transmitiam a fé”. (Discurso do Papa Francisco 21 de novembro de 2013).

“Um povo que não protege os avós, um povo que não respeita os avós não tem futuro porque não tem memória, perdeu a memória” (Papa Francisco). Que estas palavras do Papa Francisco nos façam refletir a respeito do valor que damos aos nossos avós. Que possamos valorizá-los porque eles são privilegiados transmissores da nossa fé católica. Que Deus nos ilumine e fortaleça as nossas famílias pela intercessão de Sant’Ana e São Joaquim. Amém!

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)

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