Por Redação A12 Em Espiritualidade Atualizada em 26 MAR 2019 - 14H01

Preciso de ajuda

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Leia MaisQuaresma: Entenda o significado e a importância da penitência Como saber orar?Vivenciar a realidade da filiação: uma proposta quaresmalCerta vez vivenciei um episódio interessante enquanto estava visitando uma família amiga. Na época, a caçula da família tinha apenas três anos.

Aconteceu que essa criança estava muito irritada e eu achei que talvez não gostasse de visitas, ou que eu tivesse feito alguma coisa que a incomodara. Fiquei surpreso quando a mãe comentou que não era nada disso: a filhinha simplesmente estava com sono. Imagino que se alguma mãe ler estas linhas, vai achar a situação muito evidente. Em todo caso, queria chamar a atenção para um fato: a criança –provavelmente pela sua curta idade – tem dificuldade para interpretar suas próprias necessidades.

Um adulto com sono simplesmente iria dormir (ou tomaria uma xícara de café), mas a criança precisa dos pais para interpretar suas próprias necessidades. Isso fica ainda mais evidente com a criança de colo, que ainda está muito limitada para se comunicar. Com ela, os pais começam dando palpites para saber o que fazer para acalmá-la. Com o tempo, desenvolvem a capacidade de interpretar o tom do pranto para saber se está com fome, se precisa trocar de fralda, ou se simplesmente quer um pouco de atenção.

Voltando ao nosso assunto aqui. Essa condição da criança, de alguma forma, a temos todos. O exemplo explicita o que poderíamos chamar de "pontos cegos". Às vezes, os temos por falta de experiência; às vezes, simplesmente porque temos apenas dois olhos e muitas coisas que não enxergamos. E não apenas no nível físico, pois várias experiências do nosso interior são para nós ainda desconhecidas.

Isso tudo expressa nossa condição de criaturas, nossa limitação. Poderia parecer uma afirmação negativa, mas realmente não é tanto assim. Esta nossa condição vai nos colocar em relação com as demais criaturas, tanto com as pessoas como com todos os demais seres da criação. Já imaginou como seria ser totalmente independente ou autônomo? A última consequência seria ficar extremamente sozinho e abandonado aos próprios desejos (e só àqueles que puderem ser atendidos quando se está sozinho).

É uma ilusão do homem moderno acreditar (e esperar) ser autônomo. Claro, num nível, é importante desenvolver certa autonomia, caso contrário a pessoa nunca amadureceria. Mas é importante perceber que precisamos de ajuda, e que isso é bom porque expressa meu chamado à comunhão e, muitas vezes, me permite realizá-lo.

Falando agora sobre humildade, lembremos a forma como Santa Teresa a explicava: "humildade é andar em verdade". Nossa verdade fundamental é sermos pessoas chamadas à comunhão. A partir desta verdade, o 'precisar de ajuda' nos permite percebê-la e abraçá-la, com tudo o que traz de bom. Por outra parte, nos lembra que somos criaturas, e não apenas isso; também que, de modo misterioso, o pecado entrou nas nossas existências: precisamos dos outros, não apenas porque o coração almeja a comunhão, mas também porque somos limitados e contingentes, e porque somos fracos e pecadores.

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