A Igreja ensina que nem todos os homens possuem vocação para a paternidade biológica; contudo, segundo a Carta Encíclica Patris Corde, todo homem é chamado “ao amor fecundo e ao dom de si” na vocação que Deus lhe confiou. Isso significa que, para exercer a paternidade, não necessariamente é preciso constituir uma família.
Embora muitas pessoas não tenham refletido sobre este assunto, não é muito difícil perceber na realidade que a presença masculina, quando exerce um serviço de cuidado na vida de outras pessoas, orientando para a liberdade e a santidade do outro — mesmo que este não seja um filho biológico — pode realizar uma fecunda paternidade.
Então podemos dizer que todo homem é chamado a exercer alguma forma de paternidade, porém esta vocação não será idêntica para todos.
Ao afirmar na Carta Apostólica Patris Corde que a vocação é o “dom de si”, o Papa Francisco destaca que todo homem ou mulher é chamado a viver para Deus e para os outros. Nesse sentido, a paternidade será uma das formas privilegiadas do homem viver esse dom, mas não a única.
Um homem pode ser chamado à paternidade matrimonial e biológica; à adoção e educação dos filhos; ao sacerdócio, como um pai espiritual; à vida consagrada ou celibatária, por meio do serviço à Igreja; ao cuidado com familiares ou outras pessoas ou, por exemplo, a exercer influência formadora e protetora no meio social, especialmente com os mais jovens.
A Carta Apostólica citada, cujo nome traduzido do latim é “Coração de Pai”, ressalta a figura de São José. A partir do pai adotivo de Jesus, o papa destaca o valor da missão paterna quando exercida com uma autoridade protetora, sacrificada, responsável, discreta e orientada para ajudar o outro a crescer. Ele ainda reforçou sobre a importância da paternidade vivida no amor:
“O mundo precisa de pais, rejeita os dominadores, isto é, rejeita quem quer usar a posse do outro para preencher o seu próprio vazio; rejeita aqueles que confundem autoridade com autoritarismo, serviço com servilismo, confronto com opressão, caridade com assistencialismo, força com destruição.” (Parágrafo 7, Patris Corde)
Ser pai não é ter o outro como sua propriedade, mas como alguém confiado aos seus cuidados. E, especialmente na vida matrimonial, esse chamado se realiza em sentidos ainda mais concretos, pois, como ensina o Catecismo da Igreja (CIC 1653), “a missão fundamental do matrimônio e da família é estar a serviço da vida”.
Os homens casados que não receberam de Deus o dom da paternidade biológica também podem viver uma vida conjugal plenamente fecunda, irradiando fecundidade por meio da caridade e acolhimento.
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