Por Redação A12 Em Espiritualidade

Transfigurar a vida

No monte Tabor Jesus se transfigurou diante de três discípulos. Mostrou sua pessoa divina na natureza humana, confirmada pelas palavras do Pai: “Este é o meu Filho amado, escutai o que ele diz” (Marcos 9,7). Os Apóstolos ficaram extasiados e mais tarde puderam dar testemunho a todos sobre a natureza humano-divina do Mestre. Por isso, deram a própria vida para selar sua fé nele.

Foto de: reprodução. 

nova vida.jp

"Na Quaresma temos grande oportunidade de rever
nossa caminhada para melhor nos atermos
ao sentido da existência".

É próprio de nossa natureza humana olhar a vida com os sentidos perceptíveis, em contato com a realidade visível aos olhos naturais. Muitas vezes não percebemos o quanto Deus está presente e age em nós e ao nosso redor. Precisamos abrir os olhos da fé para enxergarmos o invisível da ação natural e sobrenatural do divino em nosso meio. Por causa de nossa crença, baseada no dom de Deus e na cooperação de nossa parte, somos capazes de perceber valores indispensáveis, para não ficarmos limitados ao que é transitório e material. Tudo o que é matéria é bom, mas seu uso poderá trazer tesouro invisível e de plena realização humana quando focalizamos nossa caminhada tendo em vista o sentido da mesma apresentada pelo Criador. Precisamos transfigurar nossa vida para encontrarmos base de sustentação para a mesma na natureza criada por Deus e em seus valores sobrenaturais. Estes nos fazem viver com ética, altruísmo, grandeza de caráter e dignidade humana.

Não ficamos caídos no chão de nossos limites materiais. Deus nos criou para a imortalidade e nos apresenta valores que transcendem a matéria. Não à toa Jesus, antes de ir para o holocausto, mostrou que vale a pena segui-lo, mesmo com as cruzes, dificuldades e sacrifícios na vida. Vale muito mais passar pelo caminho estreito da escolha de valores maiores do que ficarmos nos limites e buscas de objetivo de vida no que é limitado ao transitório. Os ídolos são muito chamativos. Fazem-nos buscar desenfreadamente o que nos traz gratificação momentânea, a despeito de valores que vão além dos bens materiais, prazeres e posição social. Tudo é bom, mas usado comedidamente, conforme os ditames do Criador. A consciência bem formada, em obediência à lei natural e à revelação divina através do Filho de Deus, nos dá base para vivermos respeitando essas mesmas coordenadas.

Na Campanha da Fraternidade vemos um grande estímulo para vivermos como cidadãos comprometidos com o serviço à humanidade. A Igreja é servidora, enquanto apresenta os valores de Jesus e seu Evangelho, para nortear a todos no caminho da própria transfiguração e realização.

Na Quaresma temos grande oportunidade de rever nossa caminhada para melhor nos atermos ao sentido da existência, que nos move em vista de conseguirmos mais dignidade e vida fraterna. Usamos os meios que Deus nos concede para tornarmos esta terra um ambiente de solidariedade, justiça e verdadeira comunhão de irmãos. Só assim realizamos a Páscoa, como Jesus, para vivermos uma vida diferenciada e realizadora, até atingirmos a Páscoa definitiva feliz, conquistada por quem se deixa transfigurar como Cristo.

Dom José Alberto Moura
Arcebispo de Montes Claros (MG)

 

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