Por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R Em História da Igreja Atualizada em 13 JUL 2020 - 10H02

A Basílica de Santa Sofia

Lugar onde se reverencia a Santa Sabedoria de Deus

No último dia 10 de julho, o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, declarou a Hagia Sophia (Santa Sofia) de Istambul uma mesquita, anunciando que as primeiras orações muçulmanas começariam em duas semanas. Isso aconteceu depois que um tribunal decidiu que a conversão do edifício antigo em museu pelo estadista fundador da Turquia moderna era ilegal.

A decisão judicial ignorou as advertências internacionais para não mudar o status do monumento de quase 1.500 anos, que é reverenciado, ao mesmo tempo, por cristãos e muçulmanos. A Basílica Santa Sofia, hoje museu, é declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, um ponto fundamental dos impérios bizantino cristão e otomano muçulmano e, atualmente, um dos monumentos mais visitados na Turquia.

Aproveitemos desta polêmica para conhecer a trajetória deste imponente edifício, com as mudanças acontecidas em sua longa história.

A Basílica de Hagia Sophia

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Basílica de "Hagia Sophia", que literalmente significa "Santa Sabedoria de Deus", é um imponente edifício construído entre 532 e 537 pelo Império Bizantino para ser a catedral de Constantinopla, atualmente Istambul, na Turquia.

O nome da basílica é uma transliteração fonética da palavra grega sabedoria. Assim, o nome completo da basílica é Igreja da Santa Sabedoria de Deus.

A construção é mundialmente famosa não só por sua herança histórica, como também por sua arquitetura onde estão representados os elementos mais característicos da arte e da cultura bizantina. O projeto é do médico Isidoro de Mileto e do matemático Antêmio de Trales, ambos gregos.

Durante quase mil anos Santa Sofia foi a maior catedral do mundo, perdendo o reinado apenas para a Catedral de Sevilha, Espanha, construída em 1520 e depois para a Basílica de São Pedro, em Roma.

Depois da construção finalizada, entre 537 e 1453, ela foi a principal igreja do Império Bizantino. Apenas no período entre 1204 e 1261 que se seguiu ao saque e conquista da capital imperial pela Quarta Cruzada, ela foi convertida em uma catedral católica romana. Posteriormente, a partir de 29 de maio de 1453, até 1931, foi transformada em uma mesquita. Em 1931 com a queda do império otomano o edifício foi secularizado, sendo reaberto como um museu em 1 de fevereiro de 1935.

O edifício atual foi construído por ordem do imperador bizantino Justiniano I, sendo a terceira igreja de Hagia Sophia a ser construída no mesmo local. Cada uma delas foi sendo ampliada e embelezada.

A Basílica de Santa Sofia foi a sede do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla e o ponto central da Igreja Ortodoxa por quase mil anos. Foi ali que em 1054 o Cardeal Humberto e patriarca Miguel I Cerulário se excomungaram reciprocamente, iniciando o Grande Cisma do Oriente, que perdurou até 1967.

Patrimônio cultural e religioso

A Basílica de Santa Sofia possui um acervo cultural riquíssimo, testemunho das várias fases de sua história. Muita coisa se perdeu numa revolta civil que destruiu parte da primeira versão da basílica e num incêndio que forçou a construção da forma definitiva, mas ainda assim ela conservou um destacado esplendor.

Como sede da Igreja Ortodoxa ela passou por um processo de enriquecimento com sua ornamentação litúrgica com motivos religiosos onde se destacavam, sobretudo, os seus riquíssimos mosaicos, sua cúpula imensa com 31 metros de diâmetro e 56 de altura, suas colunas de mármore e seu piso ricamente decorado, além de todo o conjunto de vasos sagrados e objetos de ornamentação.

Leia MaisSão Bento: O pai da vida monástica no ocidente Transformação em Mesquita

Em 1453, Constantinopla foi conquistada pelo Império Otomano sob o comando do sultão Mehmed II, significando o fim do Império Romano do Oriente e também o fim da idade Média. O sultão ordenou que o edifício fosse convertido numa mesquita. Os sinos, o altar e os vasos sagrados foram removidos e quase todos os seus mosaicos foram cobertos por emplastro, sendo limpos e restaurados apenas em 1931, na conversão da igreja em um museu secular.

Durante o domínio otomano, diversas características islâmicas, como os quatro minaretes foram adicionados ao edifício. A basílica assim permaneceu como mesquita até 1931, quando Kemal Atatürk ordenou que ela fosse secularizada.

Museu da República Turca

Depois da instauração do novo governo, Santa Sofia permaneceu fechada ao público por quatro anos, reabrindo em 1935, como um museu da moderna e recém-criada República da Turquia. Não obstante, os mosaicos coloridos permaneceram emplastrados em sua maior parte. Como propriedade pública e como quase sempre acontece, o edifício deteriorou-se, perdendo boa parte do seu esplendor, mas sem perder o seu brilho.

Como penúltimo capítulo de sua história, pois esperamos que a decisão do presidente turco seja ainda revertida, Hagia Sophia torna-se agora novamente uma mesquita, depois de 86 anos. Por pressão da força do presidente do país, que age como ditador, os juízes da 10ª Câmara do Conselho de Estado da Turquia anularam o decreto de 24 de novembro de 1934, do então presidente Mustafa Kemal Ataturk, que transformava o local em museu.

E, como se podia esperar de um ato arbitrário como esse, as reações internacionais tem sido bastante significativas.

Escrito por
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R. (Arquivo redentorista)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atua na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo.

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