No coração do planalto da Anatólia, na Turquia, está a Capadócia, esculpida no tufo, uma espécie de pedra vulcânica. Essa região tornou-se o refúgio do monaquismo cristão em tempos de perseguições. Entre as cidades subterrãneas de Derinkuyu e Kaymakli, além de Göreme, a vida dos monges passou para o subsolo e ali porde florescer.
A rocha foi transformada como que num organismo vivo formado por um labirinto de túneis, capelas, depósitos e refeitórios, invisíveis à luz do dia. Esse complexo nasceu não apenas da necessidade de engenharia, mas como resposta à instabilidade e perseguições. Se a profundidade oferecia proteção, a penumbra das galerias oferecia o silêncio necessário para a oração e contemplação.
As cidades subterrãneas e densidade populacional
Derinkuyu ea a maior cidade subterrânea da Anatólia, possuindo milhares de metros escavados no subterrâneo, divididos em pelo menos oito níveis conectados por um único e grande duto de ventilação. Com capacidade estimada de até 20 mil pessoas, a cidade posuia também espaços adaptados para animais e para despensas e reservas, demonstrando uma boa integração entre espaços monásticos e civis, oferecendo um refúgio para comunidades cristãs inteiras em fuga.
Hoje a cidade se revela como que um microcosmo completo com estábulos, armazéns, adegas, salas para produção de vinho e óleo, salas comuns e capelas, incluindo um vasto salão abobadado, que possivelmente era usado como uma escola religiosa, cercado por pequenas salas de estudo esculpidas no tufo vulcânico.
Alguns quilômetros a separam de Kaymakli, e nela a arquitetura subterrânea se desenvolve horizontalmente. Níveis sobrepostos são conectados por estreitos corredores projetados para desacelerar os invasores e ajudar na defesa, possibilitando a passagem de apenas uma pessoa por vez. A cidade também abrigava toda a vida cotidiana com armazéns, locais de culto e um sistema de ventilação que ainda hoje é eficiente, prova do domínio da construção. Enormes blocos circulares como rodas isolavam as passagens principais, transformando a cidade em uma fortaleza invisível onde cristãos, incluindo monges e eremitas, encontravam refúgio contra os perigos externos.
Oração, silêncio e recolhimento
Estudos das comunidades cristãs na Capadócia entre os tempos romano e bizantino, revelam um cenário espiritual bastante complexo. As moradias subterrâneas não eram apenas simples abrigos, mas parte de um sistema que incluía igrejas escavadas na pedra, as lauras que eram destinadas às mulheres monjas e cenobios escavados no tufo, espalhados ao longo de antigas rotas de caravanas.
A evolução atestada por fontes patrísticas e arqueológicas mostram como que o eremitismo das cavernas evoluiu, e na profundidade da terra o monge buscava solidão e a vida de recolhimento, penitência e silêncio vivendo primeiro em cavidades ou grutas naturais e depois em células que aos poucos foram sendo escavadas, para formar comunidade mais estruturadas.
Nas primitivas comunidades monásticas a vida litúrgica, o estudo e o trabalho marcavam o tempo de inúmeros grupos, inclusive com os monges já prestando obediência a um superior. Nesse contexto, as cidades subterrâneas representavam uma escolha extrema de distanciamento do mundo, não apenas propiciando a defesa física nos tempos de perseguições, mas como que nnum
gesto simbólico, descendo às entranhas da terra para buscar uma nova relação com Deus e com a história.
Vida monástica na Judéia
Algo semelhante, embora em terras diferentes, também pode ser encontrada nas paisagens do deserto da Judeia. Lá, os monges também organizavam seus mosteiros com vastas cisternas e reservas subterrâneas de água, elemento essencial para a sobrevivência.
Frequentemente nascidos como conjuntos de cavernas eremíticas que só eram abertas em feriados, esses complexos foram depois transformados em mosteiros com uma igreja central e edifícios comuns. Os grandes reservatórios subterrâneos, que coletavam as escassas águas do deserto, ajudavam a prolongar a vida comunitária subterrânea.
O uso desse espaço oculto combinava razões práticas por ter água, elemento vital, aliado à defesa e a busca de um clima de recolhimento e silêncio, pois o ocultamento na verdade representava os valores que se buscava, mantendo-se longe dos olhos do poder, entre a rocha e o silêncio.
O lado oculto das cidades subterrâneas, seja na Capadócia como no Oriente Próximo, é visto como uma segunda geografia do cristianismo antigo, gravada na terra. Onde a superfície era incerta, a fé encontrava refúgio nas profundezas, formando um lar protegido para a liturgia, para o estudo e para a vivência do quwe seria depois os Conselhos Evangélicos.
Hoje, corredores enegrecidos e capelas escondidas revelam uma resiliência extraordinária. Monges e fiéis transformaram a escuridão em uma arquitetura de esperança, transformando o subterrâneo em um vasto mosteiro, um "deserto vertical" onde o “silêncio podia ser ouvido”.
+Como teve início as relações diplomáticas do Brasil e Santa Sé?
Papa manifesta preocupação com a Ucrânia em meio à guerra
O Papa manifesta preocupação com o inverno rigoroso na Ucrânia, denuncia o agravamento da guerra com a Rússia e reforça o apelo por paz e solidariedade.
Papa: unidade na Igreja é essencial para a missão cristã
Papa Leão XIV afirma que a missão é responsabilidade de todo batizado e destaca a unidade da Igreja como base para o anúncio do Evangelho.
Leão XIV orienta catequistas: sentir-se Igreja é o essencial
Ao responder à carta de uma catequista, o Papa a acolhe ao pedir que supere a lógica dos números e forme fiéis conscientes de que pertencem à Igreja.
Boleto
Carregando ...
Reportar erro!
Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:
Carregando ...
Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.