Por Polyana Gonzaga Em Igreja Atualizada em 22 OUT 2019 - 08H25

‘Abrir a mineração em terras indígenas significaria a morte da Amazônia’, diz padre sinodal

Padre Dario Bossi é missionário nas regiões de mineradoras há 10 anos e relata os riscos da expansão da atividade na região amazônica, em coletiva de imprensa no Vaticano.

Diego Rosa
Diego Rosa


“Abrir a mineração em terras indígenas significaria a morte da Amazônia e de seus povos
”. Essas são palavras de um italiano em terras brasileiras. Padre Dario Bossi é Superior Provincial dos Missionários Combonianos e tem uma experiência de 10 anos na região que sofre com a atuação predatória de grandes mineradoras. O missionário chegou ao Maranhão e se engajou na defesa de comunidades afetadas pela extração mineral.

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Ele trouxe dados do extrativismo predatório no coração da Amazônia. “O processo de infraestrutura para exportação deste material atravessa mais de 100 comunidades. O resultado é desmatamento e poluição dos rios. Há empresas siderúrgicas que durante vinte anos usaram a floresta para produzir carvão vegetal”.

O padre citou o exemplo de povos indígenas Xikrins e Kayapós, que sofrem com a contaminação do Rio Cateté pela mineração, o que resultou em crianças com malformação devido ao mercúrio contido na água do rio que usam para beber.

Polyana Gonzaga
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Bossi chamou atenção para a
flexibilização das leis ambientais que reduzem os controles ambientais. “Nós queremos denunciar a extração de ouro, que na Amazônia é um dos minerais mais procurados. Para produzir um anel de ouro é preciso deslocar 20 toneladas de terra e poluí-las. Na Amazônia o problema principal da extração do ouro são os garimpos que poluem”.

Padre Dario citou que alguns dos povos Yanomami, em Rondônia, têm mais de 20% das populações contaminadas por mercúrio. “Por isso dizemos que ninguém mais suporta este sistema, principalmente na Amazônia”, ressaltou.

Já existem algumas iniciativas da Igreja Católica para combater esta problemática, como o Grupo de Trabalho de Mineração, criado pela Conferência Nacional dos Bispo do Brasil (CNBB) e a Rede Latino-Americana Iglesias y Minería.

A Rede Latino-americana Iglesias y Mineria é uma coalização de mais de 70 entidades latino-americanas que enfrentam o desafio comum dos impactos e violações de direitos socioambientais provocados pelas empresas mineradoras nos territórios.

Polyana Gonzaga
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O missionário apresentou dados alarmantes sobre o
avanço da mineração. Para ele, a Comissão criada pela Igreja já compreendeu que a maior ameaça é esse modelo extrativista. Segundo o padre, as empresas mineradoras estão tendo cada vez mais custos na extração e procuram áreas onde os custos sejam menores. Essas áreas estão exatamente na Amazônia.

Leia MaisPovos indígenas: “Quando defendemos a terra, é para salvar a humanidade”Bispo pede reconhecimento de mártires da Amazônia “É essa lógica que temos que interromper e é necessário que a legislação e o poder público coloquem limites e controles para a expansão da mineração na Amazônia. Abrir a mineração em terras indígenas significaria impactar 177 terras indígenas e abrir 4.400 processos minerários, o que na minha opinião, é a morte da Amazônia e de seus povos, por isso a Igreja tem um papel essencial”.

“A Igreja tem consciência e está se comprometida com esse tema. Sabemos que é urgente, necessário e possível uma alternativa à exploração predatória e socioambiental, que também foi descrita nos documentos do Sínodo”.

Padre Dario reforçou ainda que é essencial garantir aos povos indígenas o consenso prévio sobre o que se faz em suas terras.

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