Por Pe. Evaldo César, C.Ss.R. Em Igreja Atualizada em 18 MAR 2019 - 15H36

Vaticano II e CF-2105: O decreto Ad Gentes

Com o tema “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e lema “Eu vim para servir” (cf. Mc 10, 45), a Campanha da Fraternidade (CF) 2015 buscará recordar a vocação e missão de todo o cristão e das comunidades de fé, a partir do diálogo e colaboração entre Igreja e Sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II. Para colaborar nessa reflexão, o A12.com apresenta uma série de artigos de alguns dos documentos conciliares. Neste sábado, 5, apresentamos o último documento da série. Hoje, conheça o decreto que trata sobre a vocação missionária da Igreja. 

Ad Gentes – “Para as nações”

O Decreto Conciliar Ad Gentes (Para as Nações) trata da atividade Missionária da Igreja, reconhecendo e reafirmando que a Igreja de Jesus Cristo tem uma natureza missionária, afinal o próprio Jesus assim convocou“Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura!” (Mc 16,15).O documento, dividido em seis capítulos, foi promulgado pelo Papa Paulo VI em 07 de dezembro de 1965.

missao ad gentes

A Igreja é enviada por Deus a todos os povos como sacramento universal de salvação e deve anunciar o Evangelho a toda humanidade. Em Seu desígnio amoroso Deus nos chama gratuitamente, em Cristo, a participar de sua vida, não somente de modo individual, mas constituindo-nos num Povo congregado na unidade. Esta obra salvífica deve ser anunciada até os confins da terra. A Igreja cumpre sua missão e se realiza “mediante a atividade pela qual, obedecendo ao mandamento de Cristo e movida pela graça e pela caridade do Espírito Santo, ela se torna atual e plenamente presente a todos os homens ou povos para os conduzir à fé, liberdade e paz de Cristo, não só pelo exemplo de vida e pela pregação mas também pelos sacramentos e pelos restantes meios da graça (AG 5)”.

O decreto Ad Gentes também afirma que o principal meio de implantação da Igreja é a pregação do Evangelho, entretanto há situações onde não é possível pregar diretamente o Evangelho, nestes casos os missionários são chamados a testemunhar Cristo por meio da caridade e beneficência para com aqueles a quem foram enviados, até que chegue o momento oportuno para que se faça o Seu anúncio explícito. Há uma abertura para a fé e não aquela imposição que marcou o passado da Igreja. A Igreja, inculturada em sua missão, leva em conta tudo quanto há de bom no coração e no espírito humano, nos ritos e culturas de cada povo, purificando-os pelo Evangelho (AG 9)”.

 

"A obra missionária em si é urgente nos dias atuais, pois há muitos que ainda não conhecem o Evangelho ou mal ouviram falar dele".

A obra missionária em si é urgente nos dias atuais, pois há muitos que ainda não conhecem o Evangelho ou mal ouviram falar dele. A atividade missionária produz frutos, que possuem etapas próprias: primeiro a adesão a Cristo, que é a conversão inicial, mas que precisa desenvolver-se ao longo de um tempo de catecumenato. Como fruto da ação missionária há também o surgimento de novas comunidades cristãs, cujos membros, renascidos pelo Batismo, integram o único Povo de Deus e participam das funções sacerdotal, profética e real de Cristo. No decreto Ad Gentes fica claro que a Igreja deve respeitar a liberdade religiosa de cada um e jamais fazer proselitismo de modo agressivo ou coagir a liberdade humana.

As Igrejas locais tem carinho especial no decreto Ad Gentes. Elas mesmas, em comunhão com a Igreja universal, devem prover às necessidades da atividade missionária, assim como todas as Igrejas particulares. Elas, pelo testemunho e anúncio, devem sentir-se enviadas por Cristo a todos os que não O conhecem. Nas Igrejas particulares o Bispo exerce um importante papel de pregador da Palavra e missionário que leva as pessoas a Cristo. O Clero e também os leigos devem estar imbuídos de ardor e disponibilidade missionários (AG 20). Sem a presença ativa dos leigos, “o Evangelho não pode gravar-se profundamente nos espíritos, na vida e no trabalho de um povo. Por isso, é necessário desde a fundação da Igreja prestar grande atenção à formação dum laicato cristão amadurecido (AG 21)”.

Em uma de suas partes finais, o decreto AG trata dos missionários, cuja vocação é especial (AG 23): devem desenvolver uma verdadeira espiritualidade missionária de modo que, iluminados e guiados pelo Espírito, se disponham a entregar-se completamente à obra do Evangelho. Mas o documento finaliza mostrando que é preciso uma cooperação de todos na tarefa missionária: “Dado que a Igreja é toda ela missionária, e a obra da evangelização é um dever fundamental do Povo de Deus, o sagrado Concílio exorta todos a uma profunda renovação interior, para que tomem viva consciência das próprias responsabilidades na difusão do Evangelho e assumam a parte que lhes compete na obra missionária junto dos gentios (AG 35)”. 

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