Em sua viagem apostólica à Espanha, entre os dias 06 e 12 de junho, o Papa encontrará um país historicamente católico, onde a Igreja enfrenta, porém, imensos desafios devido à fase de profunda secularização em que vive o País, realidade muito próxima de outros países da Europa. Entretanto, a Igreja mantém forte relevância cultural e arquitetônica e um de seus ícones é a Basílica da Sagrada Família de Barcelona, com conclusão prevista para este ano de 2026. Novas expressões religiosas, incluindo igrejas evangélicas crescem, sobretudo, com o apoio de imigrantes, sem tirar, porém, a preponderância da Igreja Católica.
"Quando eu for para a Espanha, espero vê-los [aos romanos] por ocasião da minha passagem, e por vós ser encaminhado para lá, depois de ter desfrutado um pouco da vossa companhia" (Rom 15,24).
Raízes históricas do cristianismo
A presença do cristianismo na Espanha remonta a quase dois mil anos atrás. A Tradição localiza suas origens durante a evangelização levada a cabo no século I, por meio do Apóstolo São Tiago, Maior, ligado às histórias de seu túmulo em Compostela e do Apóstolo Paulo, cuja viagem à Hispãnia, uma das mais prósperas províncias do Império Romano. Ainda hoje os estudiosos são reticentes em conformar que essa viagem tenha ocorrido, porém sua vontade de realizar foi expressa em sua carta aos romanos (Rom 15, 24-28).
A evangelização propriamente dita da Península Ibérica começou no século II da era cristã e o cristianismo se espalhou rapidamente. Traduções da Bíblia, como a Vetus Latina Hispana já circulavam antes mesmo da Vulgata de São Jerônimo.
No século VI, a região que era uma das mais florescentes províncias romanas foi invadida primeiro pelos vândalos que depois passariam ao norte da África, deixando atrás de si um rastro de destruição. Depois chegariam os visigodos e, graças à conversão do rei Recadero, todo o povo o seguiu, porque inicialmente eram arianos. No III Concílio de Toledo realizado em 589, houve a conformação de sua conversão e a partir daí o cristianismo cresceu e a Igreja se solidificou, mesmo com a invasão dos muçulmanos no início do século VIII.
Durante a Idade Média com a cruzada dirigida pelos reis católicos levando à reconquista, a Igreja Católica foi fundamental na formação da identidade espanhola durante a luta contra a ocupação islâmica. No século XVI, a Igreja na Espanha ficou marcada por uma forte reforma interna e pelo espírito nacionalista, sob influência de figuras como o Cardeal Cisneros.
Nos tempos modernos, mesmo sofrendo com as dificuldades da Guerra Civil e da subsequente Ditadura do General Francisco Franco, com acusações de ser aliada de um sistema ditatorial, a Igreja Católica continuou com sua forte presença na sociedade espanhola.
Na atualidade, a Igreja enfrenta o desafio da secularização, sendo a sociedade espanhola descrita como uma das mais secularizadas da Europa, diminuindo a influência prática da Igreja na vida cotidiana. A Igreja continua como proprietária de um imenso Patrimônio Arquitetônico e as tradições religiosas marcam a sociedade, tendo cada região suas manifestações típicas, como a Semana Santa de Sevilha, Granada e outras cidades.
A expansão de igrejas evangélicas, impulsionada pela imigração latino-americana, representa uma mudança no panorama religioso espanhol, embora enfrente desafios de aceitação. A Igreja Católica na Espanha continua a ser um pilar histórico e 73% da população se declara como católica, apesar da diminuição da prática sacramental.
Papas espanhóis
Na longa lista dos 267 papas que governaram o povo de Deus ao longo dos tempos, a Igreja reconhece oficialmente dois papas como sendo de origem espanhola, ambos pertencentes à poderosa e influente família Borgia, originária da região de Valência.
O primeiro deles, Calisto III (Alfonso de Borgia), governou a Igreja entre 1455 e 1458. Entre seus feitos é reconhecido a canonização de São Vicente Ferrer e a revisão do processo de Joana d'Arc.
O segundo, Alexandre VI (Rodrigo Borgia), era sobrinho de Calisto III, tendo governado a Igreja de 1492 a 1503. Seu pontificado foi marcante e controverso, notabilizado por manobras políticas, pelo nepotismo e a divisão do Novo Mundo entre Espanha e Portugal através das chamadas Bulas Alexandrinas, entre as quais se destaca o histórico Tratado de Tordesilhas.
Embora o Papa Dâmaso I, que governou a Igreja entre 366 e 384, também seja frequentemente citado como tendo nascido na península Ibérica, a classificação oficial dos dois papas Borgias é a mais comum nas listas históricas.
Organização eclesial
A Igreja na Espanha está estruturada hoje em 14 Províncias Eclesiásticas, divididas em 55 dioceses e um Ordinariato Militar.
A constituição de 1978 estabeleceu a Espanha como um estado aconfessional, mas as autoridades públicas devem levar em conta as crenças religiosas da sociedade, mantendo relações de cooperação com a Igreja Católica e com outras confissões. Desse modo, as relações entre o Estado Espanhol e a Santa Sé, são regularizadas por um acordo estabelecido em 1976 e por outros 03 acordos de 1979, que modificaram e substituíram o Concordato de 1953.
Os papas na Espanha
Até hoje a Espanha já recebeu diversas visitas de papas. O primeiro que visitou o país foi João Paulo II que lá esteve em 05 ocasiões:
arrow_forward Novembro de 1982
arrow_forward Outubro de 1984
arrow_forward Agosto de 1989
arrow_forward Junho de 1993
arrow_forward Maio de 2003
Durante sua primeira visita à Espanha em 1982, visitou 17 cidades e, de Santiago de Compostela, lançou um apelo histórico à Europa para recuperar sua identidade cristã:
"Encontre-se novamente. Seja você mesmo."
Em sua última visita a Madri em 2003, já em estado delicado de saúde, voltou a se dirigir especialmente aos jovens na Base Aérea de Cuatro Vientos. Ele insistiu muito na defesa da família, da vida e da nova evangelização, lembrando constantemente que a Espanha e a Europa não deveriam renunciar às suas raízes cristãs.
O papa Bento XVI visitou a Península Ibérica 03 vezes:
arrow_forward Julho de 2006
arrow_forward Setembro de 2010
arrow_forward Agosto de 2011
O Papa alemão continuou a mesma mensagem de esperança e firmeza na fé. Na Jornada Mundial da Juventude em Madri, no ano de 2011, também realizada na base de Cuatro Vientos, incentivou mais de um milhão de jovens a se manterem firmes apesar das dificuldades. Em meio a uma forte tempestade que interrompeu a vigília, o papa alemão pronunciou outra frase que permaneceu para a história:
"Sua força é maior que a chuva."
Ao fazer isso, ele recordou que a fé pode e deve se sustentar mesmo nos momentos mais difíceis e que os jovens são chamados a viver o Evangelho sem medo.
Apesar de ter recebido vários convites o Papa Francisco não conseguiu visitar a Espanha, mas chegou agora a hora da visita de Leão XIV.
.:: Conheça a comunidade redentorista centenária da Espanha!
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