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Os intermináveis conflitos entre Israel e os palestinos

Padre Inácio faz uma retrospectiva para explicar a razão da atual guerra no Oriente Médio

Padre Inácio Medeiros C.Ss.R.

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

17 OUT 2023 - 09H18 (Atualizada em 17 OUT 2023 - 10H00)

Reprodução - Getty Images

Mais uma vez,o mundo se surpreendeu com a invasão e com os ataques do grupo palestino Hamas a Israel e a declaração de guerra que veio na sequência. Os ataques tiveram início no sábado, dia 7 de outubro, ceifando, como previsto, a vida de milhares de pessoas de ambos os lados.

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Compreender a questão geopolítica do Oriente Médio e os intermináveis conflitos de Israel com seus vizinhos exige uma visão retrospectiva da história da região, passando necessariamente pelo conhecimento de como se deu a fundação do moderno Estado de Israel.

Quando falamos em Israel, entendemos uma estreita faixa de terra onde viviam os descendentes de Jacó, localizada entre o mar Mediterrâneo, a península Arábica e a Síria, cerca de dois mil anos antes de Cristo.

A região constituía uma ponte natural entre Ásia, África e a Europa, e por isso sempre foi muito disputada. Desde a Antiguidade até meados do século XX, grandes impérios ali se impuseram: egípcios, assírios, babilônios, persas, gregos, romanos, bizantinos, árabes, turcos e ingleses.

A dispersão dos judeus pelo mundo se tornou mais intensa em especial a partir de 70 d.C., quando Israel promoveu uma grande rebelião contra o domínio romano. As legiões de Roma reprimiram duramente a revolta e incendiaram o templo de Jerusalém, símbolo de sua unidade política e religiosa. Apenas uma parte do muro continua de pé até hoje, o chamado Muro das Lamentações, que se constitui como monumento religioso do judaísmo.

Mesmo dispersos, sem um território que os abrigasse, os judeus conseguiram se manter unidos como um povo ou uma nação, devido ao apego a suas tradições religiosas e culturais, além da esperança que os sustentava, de um dia retornar a Israel. Em dois mil anos de exílio, os judeus constituíram minorias em outros países, sendo constantemente discriminados e perseguidos.

O sonho do retorno acontece

No século XIX, a maior parte dos judeus estava vivendo em países da Europa oriental, como a Polônia, a Lituânia, a Hungria e a Rússia. Neste período desenvolveu-se entre eles um movimento nacionalista fundado no ideal de recriação da nação judaica no mesmo território ocupado pelos seus antepassados.

Esse movimento recebeu o nome de sionismo, originado do termo Sion, antiga designação da colina onde se localizava a cidade de Jerusalém. Aos poucos, levas e mais levas de imigrantes judeus foram se dirigindo para a Palestina, sobretudo, nas primeiras décadas do século XX.

Colônias agrícolas progrediam e novas cidades como Jerusalém, Tel Aviv e Haifa eram fortalecidas com a construção de fábricas, escolas, hospitais e conjuntos habitacionais. No período das duas guerras mundiais, devido ao petróleo, que já transformara em fonte essencial de energia para o mundo, o Oriente Médio tornou-se foco de disputa entre as grandes potências porque o controle do petróleo poderia assegurar a vitória de uma das partes numa guerra.

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As relações entre judeus e palestinos se complicam cada vez mais

O aumento da imigração de judeus para a Palestina se torna proporcional à deterioração das relações entre árabes e judeus.

Com o fim da Segunda Guerra, as organizações judaicas passaram a resgatar os que escaparam do holocausto nazista, embarcando clandestinamente essas pessoas para Israel. A pressão internacional, os altos custos militares de ocupação da Palestina e ações guerrilheiras de grupos judeus forçaram a Grã-Bretanha, potência dominante na região, a levar a questão para a recém fundada Organização das Nações Unidas (ONU).

Em abril de 1947, um Comitê Especial das Nações Unidas propôs a partilha da Palestina em um Estado judeu, que já contava com cerca de 650 mil habitantes, e um Estado árabe-palestino, que contava quase o dobro da população. A Inglaterra abriu mão de seu domínio em vista de uma solução de consenso que nunca aconteceu

No dia 14 de maio de 1948, seis horas antes do término oficial do Mandato britânico, David Ben Gurion, que seria o primeiro governante israelense, leu a declaração de Independência de Israel. Os Estados Unidos e a União Soviética, potências do pós-guerra, reconheceram o novo Estado de Israel.

Porém, já no dia seguinte à independência, os árabes se uniram para atacar Israel.

Os judeus resistiram e venceram seus adversários. Na guerra, conquistaram 78% do antigo território palestino (22% a mais do que previa o plano de partilha da ONU para alojar a população árabe). Em 1949, firmou-se um primeiro acordo de paz entre os árabes e o Estado de Israel, já reconhecido pela comunidade internacional, inclusive o Brasil.

Infelizmente, a paz e a convivência entre os povos da região não tiveram continuidade, assim como não se conseguiu que o Estado Palestino fosse efetivamente criado. De meados do século 20 até o início do século 21, a história de Israel e do Oriente Médio é marcada por problemas, conflitos violência e guerra como esta que voltou a acontecer.

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Escrito por
Padre Inácio Medeiros C.Ss.R.
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo, atualmente é diretor da Rádio Aparecida

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