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Dos faraós ao Vaticano: a história milenar dos obeliscos

Pe Jose Inacio de Medeiros

Escrito por Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

29 JAN 2026 - 12H16 (Atualizada em 29 JAN 2026 - 15H39)

Reprodução/Adobe Stock: runny1975

Andando pelas ruas e praças de algumas das grandes cidades, é comum o viajante se deparar com alguns monumentos que chamam a atenção pelo formato, pela altura e pelo significado. Trata-se dos obeliscos que tem sua origem no Antigo Egito, onde eram vistos como símbolos sagrados que homenageavam, sobretudo, o deus sol, e representavam ainda a ligação dos faraós com o divino. A forma alongada e piramidal do obelisco era vista como um raio do deus sol chamado de .

Ao mesmo tempo, os obeliscos eram um símbolo de poder e de sua ascensão aos céus. Um obelisco podia ainda homenagear o faraó por uma grande conquista ou por sua vida; por esta razão, se gravavam inscrições em hieróglifos em suas laterais.

Acreditava-se também que os obeliscos tinham o poder de dissipar energias negativas que pairavam sobre as cidades, especialmente aquelas manifestadas por meio de tempestades ou outros fenômenos naturais catastróficos.

A palavra “obelisco” tem sua origem no grego obeliskos, significando “pilar” ou “espeto”. Eles possuem uma base quadrada e se afunilam em direção ao topo, onde terminam em uma pequena pirâmide. Os primeiros exemplares eram esculpidos em um único bloco de pedra, chamados também de monólitos, até atingir a forma mais característica.

Do Egito para Roma e para o Mundo

Após a conquista do Egito pelos romanos, alguns obeliscos foram levados para Roma como troféus, tornando-se monumentos que representavam o poder imperial. O transporte de blocos de até 200 toneladas era uma empreitada de grande monta e dificuldades.

Na Roma Imperial, foram erguidos em locais públicos de grande visibilidade, como circos e fóruns até que, aos poucos, o império passou a construir os seus próprios obeliscos.

Após a queda do Império Romano, diversos desses monumentos caíram ou foram enterrados até serem redescobertos e reerguidos pelos papas, especialmente durante o período do Renascimento, mas com outro significado.

Os Obeliscos de Roma

Roma é considerada uma das cidades com mais obeliscos egípcios fora do próprio Egito, destacando-se entre todos alguns belíssimos exemplares mais representativos.

Obelisco Lateranense

Reprodução/Adobe Stock:GISTEL Reprodução/Adobe Stock:GISTEL


O maior obelisco egípcio existente em Roma encontra-se na Piazza San Giovanni in Laterano, ao lado do Palácio Apostólico e da Basílica de São João de Latrão. Com 32 metros de altura e pesando mais de 230 toneladas, foi originalmente erguido no Templo de Amon, em Karnak, antes de ser transportado para Roma pelo imperador Constantino.

O obelisco é da época dos faraós Tutemés III e Tutemés IV (XV século a.C.). Depois de décadas em Alexandria, foi levado para Roma em 357, com a finalidade de adornar o Circo Máximo junto ao obelisco Flaminio.

Ele se perdeu durante a Idade Média, sendo reencontrado quebrado em três pedaços em 1587. Hoje mede 32 metros, mas durante sua restauração, ficou 4 metros mais baixo que o original. Com a base e a cruz, atinge a altura de 45,70 metros.

Obelisco da Praça de São Pedro

Reprodução/Adobe Stock: runny1975 Reprodução/Adobe Stock:  runny1975


Um dos obeliscos mais emblemáticos e mais conhecidos do mundo está bem no centro da Praça de São Pedro, no Vaticano. Embora não possua hieróglifos, sua origem egípcia é inquestionável, tendo sido trazido de Heliópolis, no Egito, para Roma pelo imperador Calígula no século I d.C.

Possivelmente seja da época do faraó Nencoreo (XII dinastia, 1991-1786 a.C.). É feito de granito vermelho, liso, sem registro hieróglifico, medindo 25,5 metros de altura.

Sua base possui quatro leões de bronze e, contando até a cruz, sua altura é de 40 m, sendo o segundo maior obelisco de Roma. Reza a lenda que a cruz em cima do obelisco guarda um pequeno fragmento original da cruz de Jesus Cristo, ali colocado pelo Papa Sixto V. Este é o único obelisco antigo de Roma que nunca caiu.

Obelisco Flaminio da Piazza del Popolo

Reprodução/Adobe Stock:Andrej Reprodução/Adobe Stock:Andrej


Outro representativo obelisco egípcio pode ser encontrado na Piazza del Popolo. Originalmente, foi erguido pelo faraó Seti I, concluído por Ramsés II ou Merneptá (Século III a.C.) e colocado no Templo de Rá, em Heliópolis, antes de ser levado para Roma por Augusto.

O obelisco mede 24 metros de altura e, contando com a base e a cruz no topo, sua altura chega a 36,50 metros.

Foi levado para Roma em 10 a.C. e colocado no Circo Máximo. Perdeu-se durante a queda do Império Romano e em 1587, foi descoberto quebrado em três pedaços. Foi restaurado em 1589, por ordem do papa Sisto V. Em 1823, Giuseppe Valadier decorou-o com uma base com quatro bacias circulares e estátuas de leões imitando o estilo egípcio.

Obeliscos do mundo

Roma é a cidade que possui o maior conjunto de obeliscos do mundo, com 13 obeliscos antigos, sendo 08 egípcios trazidos pelos romanos e 05 romanos espalhados pelo centro histórico, além de réplicas e outros modernos.

Não se sabe exatamente quantos obeliscos existem no mundo, mas estima-se que haja cerca de 30 obeliscos egípcios originais espalhados pelo mundo, como o de Luxor, levado para Paris, e milhares de cópias e reproduções, entre os quais se destacam os obeliscos de Washington, nos Estados Unidos, o grande obelisco de Buenos Aires e o de Londres.

No Brasil também são muitos os obeliscos existentes, desde os pequenos colocados em rotatórias, praças e avenidas de cidades do interior até chegar às grandes cidades onde se destaca o grande obelisco do Parque do Ibirapuera, que com 72 metros de altura, ali foi colocado em homenagem aos caídos da Revolução Constitucionalista de 1932.

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Escrito por:
Pe Jose Inacio de Medeiros
Pe. José Inácio de Medeiros, C.Ss.R.

Missionário redentorista que atua no Instituto Histórico Redentorista, em Roma. Graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da antiga Província Redentorista de São Paulo, tendo sido também diretor da Rádio Aparecida.

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