É possível voltar a acreditar na política? Foi a pergunta que abriu a edição especial do “Em Comunhão”, exibida ao vivo pela TV Aparecida na noite de quarta-feira (23). Durante o programa, bispos, especialistas e representantes de diferentes regiões do país refletiram sobre o desencanto com a política, a responsabilidade dos cristãos na vida pública e a importância do diálogo diante das eleições de 2026.
Logo no início, o Arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antonio da Silva, destacou que a Igreja não indica candidatos ou partidos, mas contribui para a formação da consciência dos fiéis.
“É missão nossa, sim, à luz do Evangelho, formar a consciência para que as pessoas, de maneira livre, serena, possam fazer a sua escolha.”
Para Dom Mário, é necessário recuperar o sentido da política como serviço ao bem comum. “É preciso realmente reencantar e redescobrir a verdadeira política”, afirmou.
A conversa também mostrou que a política não se limita às eleições ou aos espaços institucionais. Simone Guedes, assessora de comunicação da Arquidiocese de Cuiabá, chamou atenção para a participação nas comunidades, pastorais e organizações locais.
A reflexão passou ainda pela realidade da Amazônia, pela defesa dos povos indígenas, pela preservação ambiental e pela necessidade de políticas públicas voltadas às diferentes realidades do país.
Para o cientista político Alexandre Correia, o eleitor pode buscar informações sobre a trajetória dos candidatos, suas propostas e a coerência entre aquilo que dizem e aquilo que já fizeram.
“Então, uma análise do passado desse candidato, uma análise da coerência entre o que ele diz, o que ele prega, o que ele faz e se os valores deles estão alinhados.”
O programa também reforçou que a responsabilidade cidadã não termina no voto. Dom Vilson Basso, bispo de Imperatriz (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, destacou a importância da participação dos jovens e da atuação nas causas sociais.
Na última parte da edição, a polarização ganhou destaque. Dom José Reginaldo Andrietta, bispo de Jales (SP), refletiu sobre a dificuldade de conversar com quem pensa diferente, inclusive dentro das famílias e das comunidades.
A proposta apresentada foi manter as próprias convicções sem transformar o outro em um adversário a ser eliminado do diálogo.
Ao longo do programa, também foi ressaltada a importância de buscar fontes confiáveis, acompanhar a atuação dos representantes eleitos e participar da vida pública para além do período eleitoral.
Ao encerrar a edição, Irmão Diego Joaquim retomou a ideia central da conversa:
“Reencantar a política não significa acreditar que todos os políticos são bons. Significa acreditar que a política pode e deve estar a serviço das pessoas, da justiça, da paz e do bem comum.”
A conclusão reforçou ainda que a democracia continua depois das urnas, na participação cotidiana e na disposição para ouvir, dialogar e construir caminhos para o bem comum.
“Significa recuperar a capacidade de dialogar, de ouvir, de discordar sem odiar, de fiscalizar sem destruir, de participar sem transformar o outro em inimigo”, concluiu o apresentador.
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