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Fraternidade São Pio X consagra quatro bispos sem autorização do Papa

Celebração ocorreu dois dias após o apelo paterno de Leão XIV para que o grupo reconsiderasse a decisão e preservasse a unidade da Igreja

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Escrito por Redação A12

01 JUL 2026 - 14H51

Reprodução/ Wikipedia

Nesta quarta-feira (1º), a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) realizou a consagração episcopal de quatro novos bispos sem mandato pontifício, isto é, sem a autorização do Papa.

A celebração aconteceu em Écône, na Suíça, sede da Fraternidade fundada por Dom Marcel Lefebvre, e foi presidida por Dom Alfonso de Galarreta e Dom Bernard Fellay. Os dois estão entre os quatro bispos ordenados por Lefebvre em 1988, também sem mandato pontifício.

O rito foi realizado apesar da carta enviada em 29 de junho pelo Papa Leão XIV ao superior-geral da FSSPX, padre Davide Pagliarani. No documento, o Pontífice fez um apelo e pediu que o grupo não “rasgasse a túnica inconsútil de Cristo”, imagem que recorda a unidade da Igreja.

add_circle O A12 explicou o contexto do caso na matéria: “Reconsiderai!”: Papa faz apelo à Fraternidade São Pio X.

Embora tenha reconhecido aspectos positivos presentes em pessoas e comunidades ligadas à Fraternidade, como o apreço pela vida litúrgica, a formação sacerdotal, o zelo apostólico e o desejo de fidelidade à Tradição, Leão XIV advertiu que a ação cismática anunciada poderia prejudicar a vida espiritual dos fiéis.

Segundo o Papa, o gesto poderia privá-los da recepção lícita e, em alguns casos, até válida dos Sacramentos que procuram para a própria santificação.

A celebração e os posicionamentos

Segundo o Vatican News, os novos bispos são os padres Pascal Schreiber, suíço, de 53 anos; Michael Goldade, norte-americano; Michel Poinsinet de Sivry, francês, de 42 anos; e Marc Happier, também francês, de 36 anos.

A celebração reuniu mais de mil padres, religiosos e religiosas, além de cerca de 15 mil leigos. O rito também foi transmitido ao vivo em seis idiomas pelo site oficial da Fraternidade.

No início da liturgia, padre Davide Pagliarani leu um discurso no qual afirmou que a Fraternidade estaria “pronta a pagar qualquer preço para salvar a Igreja”. Ele classificou a situação como uma “circunstância totalmente excepcional” e disse considerar um “dever gravíssimo” transmitir a graça do episcopado aos sacerdotes escolhidos.

O superior-geral também declarou que eventuais punições ou censuras contra o ato “não têm nenhum valor” para a Fraternidade. Para o grupo, a celebração foi apresentada como “um dia histórico” e uma “festa”.

A FSSPX argumenta que as consagrações têm a finalidade de garantir auxílio sacramental interno, sem a intenção de criar uma autoridade territorial paralela. Para a Santa Sé, porém, a consagração de bispos sem mandato pontifício fere a comunhão com o Sucessor de Pedro.

O que diz a legislação da Igreja

O Código de Direito Canônico estabelece, no cânon 1013, que nenhum bispo pode consagrar outro bispo sem que antes conste o mandato pontifício.

Essa norma expressa um ponto importante da fé católica: o bispo não recebe uma missão isolada. Pela ordenação episcopal, ele é inserido no colégio dos bispos, em comunhão com o Papa e com os demais sucessores dos Apóstolos.

O Código também prevê, no cânon 1387, que o bispo que consagra alguém bispo sem mandato pontifício, assim como aquele que recebe essa consagração, incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Sé Apostólica.

A expressão latae sententiae indica que a pena é prevista pelo próprio direito da Igreja quando o ato é realizado. Por ser reservada à Sé Apostólica, cabe à Santa Sé tratar oficialmente da remissão dessa pena.

Precedente histórico

O episódio retoma uma situação vivida em 30 de junho de 1988, quando Dom Marcel Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização do Papa.

Na época, São João Paulo II publicou o motu proprio Ecclesia Dei, no qual afirmou que aquele gesto representou uma desobediência ao Romano Pontífice em matéria gravíssima e de grande importância para a unidade da Igreja, como é a ordenação de bispos, pela qual se perpetua sacramentalmente a sucessão apostólica.

No mesmo documento, João Paulo II declarou que o ato foi cismático e fez um apelo aos fiéis ligados ao movimento de Dom Lefebvre para que permanecessem unidos ao Vigário de Cristo na unidade da Igreja Católica.

Desde então, a Santa Sé manteve iniciativas de diálogo com a Fraternidade São Pio X, buscando caminhos para a plena comunhão.

Com a nova consagração, a Fraternidade levou adiante o ato que Leão XIV havia pedido que fosse reconsiderado. À luz da carta do Papa, do Código de Direito Canônico e do precedente tratado por São João Paulo II, a questão toca diretamente a comunhão com o Sucessor de Pedro e a unidade visível da Igreja Católica.

Fonte: Vatican News

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