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Livro analisa por que a desigualdade persiste no Brasil

Editora Ideias & Letras sugere leitura de Marcio Pochmann que aborda as raízes históricas e atuais da concentração de renda e riqueza no país

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Escrito por Beatriz Nery

03 SET 2026 - 11H43

Hyejin Kang/Adobe Stock

A desigualdade econômica faz parte da realidade brasileira há décadas. Ela aparece na distribuição de renda, no acesso à educação, nas oportunidades de trabalho e até nas condições de vida da população.

Esse cenário é o ponto de partida de A persistente desigualdade econômica no Brasil, livro de Marcio Pochmann, publicado pela Editora Ideias & Letras. A obra analisa os fatores que ajudam a explicar por que a concentração de renda e riqueza permanece desigual no país.

O livro integra uma seleção de quatro obras da Editora Ideias & Letras apresentadas ao longo de setembro como parte de uma proposta de reflexão e consciência eleitoral antes da ida às urnas. A ideia é oferecer aos leitores diferentes perspectivas sobre temas que fazem parte dos debates públicos.

Mariana Joffre/A12 Mariana Joffre/A12 Clique e adquira o livro no site da Editora Ideias & Letras

Quem é Marcio Pochmann?

Marcio Pochmann é professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em 2023, assumiu a presidência do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também é autor de mais de 70 livros relacionados à economia, à sociedade e às políticas públicas.

Na obra, o autor apresenta uma análise sobre as causas estruturais da desigualdade brasileira. A abordagem considera aspectos históricos e mudanças recentes da economia e da sociedade.

Vale a pena ler também este livro do mesmo autor pela Editora Ideias & Letras

O que significa desigualdade econômica?

O conceito vai além da diferença entre salários. No livro, a desigualdade econômica é relacionada à distribuição assimétrica de renda e riqueza entre indivíduos e classes sociais.

Essa diferença também pode ser percebida no acesso a recursos, oportunidades educacionais e trabalho. A qualidade e a expectativa de vida também fazem parte desse cenário.

Por isso, o tema envolve diferentes áreas da vida em sociedade. Seu enfrentamento exige a participação de governos, sociedade civil e setor privado.

Uma questão com raízes históricas

Pochmann relaciona a persistência da desigualdade à própria formação do Brasil. Segundo a obra, o país possui uma tradição democrática relativamente recente quando comparada aos seus mais de cinco séculos de história.

Esse processo teria contribuído para o adiamento de reformas consideradas importantes no capitalismo contemporâneo. Entre elas estão as reformas agrária, tributária e social.

Para o autor, compreender essas questões ajuda a perceber que a desigualdade não resulta de um único fator. Ela é construída e reproduzida por diferentes estruturas ao longo do tempo.

Renda, riqueza e oportunidades

Outro ponto abordado pelo livro é a diferença entre os rendimentos provenientes do trabalho e aqueles relacionados à propriedade e às aplicações financeiras.

A obra também discute mudanças ocorridas na atuação do Estado e nas políticas públicas. O enfraquecimento da capacidade de distribuição e o peso da carga tributária sobre diferentes grupos aparecem como elementos importantes dessa análise.

O resultado, segundo Pochmann, é uma estrutura na qual as desigualdades podem permanecer ou se aprofundar.

O Brasil continua entre os países mais desiguais

O autor reconhece mudanças ocorridas nos anos 2000 na distribuição da renda do trabalho. Ainda assim, destaca que o Brasil permanece entre as nações com maior desigualdade econômica.

A análise também considera as transformações do capitalismo e seus impactos sobre o padrão de vida da população.

Nesse contexto, fatores econômicos se relacionam com relações de poder. As diferenças de acesso a recursos e oportunidades ajudam a formar situações de vantagem e desvantagem entre grupos sociais.

Gustavo/Adobe Stock Gustavo/Adobe Stock

O impacto das escolhas políticas

A atuação do Estado aparece como outro eixo importante do livro. Políticas públicas podem reduzir parte dos efeitos da desigualdade, segundo a análise apresentada por Pochmann.

O autor observa que a regulação pública teve papel relevante em determinados períodos do século XX. Também relaciona o avanço da desigualdade às transformações econômicas das últimas décadas.

A discussão ajuda a compreender por que decisões políticas têm impacto direto sobre questões econômicas e sociais.

Por que esse tema importa antes das urnas?

Escolher representantes envolve conhecer os problemas que fazem parte da realidade do país. A desigualdade econômica está entre essas questões.

Ler sobre o tema pode ajudar o eleitor a compreender diferentes causas e consequências da concentração de renda e riqueza. Também permite observar propostas políticas com maior atenção.

Nesse sentido, A persistente desigualdade econômica no Brasil propõe uma análise sobre um problema que atravessa gerações. O livro apresenta dados e interpretações sobre a formação dessa estrutura e sobre os desafios para transformá-la.

Para quem deseja chegar às urnas com mais elementos para refletir sobre o país, o livro oferece um caminho de leitura sobre um dos temas centrais do debate público: por que a desigualdade econômica permanece no Brasil e quais estruturas ajudam a mantê-la?

Crie senso crítico para as eleições desse ano!

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